Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

As catacumbas de Paris

Paris, Torre Eiffel (foto: Rogério P.D. Luz)

Paris, Torre Eiffel (foto: Rogério P.D. Luz)

Em plena Paris da Torre Eiffel, existe um lugar chamado de “As Catacumbas de Paris”  desde o século XVIII com cerca de 5 a 6 milhões despojos de pessoas, sabia? Apesar de ser um local turístico visitado por milhares de pessoas com longas filas diárias, julgo que muitos turistas também o desconhecem, como eu que tive o privlégio de visitar a capital francesa em 2008.

Localizada na Avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy nº 1, na região de Montparnasse, fica aberto nos dias de visitação até as 8 da noite. Conforme o site oficial – http://www.catacombes.paris.fr é permitida a visitação de 200 pessoas por vez ao longo dos 2 kms franqueados ao público, podendo lá permanecer por apenas 45 minutos. Obviamente não recomendam a visitação de pessoas com problemas respiratórios e com claustrofobia em vista dos túneis a boa profundidade e que têm uma extensão de 200 kms.

Pela disposição dos ossos num lugar comum sem classificação, fica uma lição da vida – após a morte, somos todos iguais – pois lá estariam ossos de nobres, ricos, pobres, brancos, negros e por aí.

Conheça-as melhor no texto abaixo coletado da enciclopédia livre Wikipedia.  As imagens são da Wikimedia Commons.

Entrada das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Entrada das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

As Catacumbas de Parissegundo a Wikipedia

As Catacumbas de Paris constituem-se em um ossuário subterrâneo localizado na cidade de Paris, França. As catacumbas foram organizadas em alguns setores do complexo sistema de túneis e cavernas existentes no subsolo de Paris, resultantes de séculos de exploração de pedreiras , desde o período de ocupação romana na cidade. Este sistema de túneis é oficialmente designado “Les Carrières de Paris” (As pedreiras de Paris ou Subterrâneos de Paris) e, embora o ossuário ocupe apenas uma parte dos túneis, todo o sistema é comumente conhecido como “As Catacumbas de Paris” e chega a 400 km de extensão.

A organização do Ossuário iniciou-se em 1785.

Desde o início do século XIX as Catacumbas de Paris estão abertas ao Público e constituíram-se em atração turística importante da cidade desde a organização das visitas em 1867.

Cripta da Lâmpada do Sepulcro das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Cripta da Lâmpada do Sepulcro das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

História

Na metade do século XVIII, a maior parte das igrejas de Paris possuía seu cemitério. Entretanto, o crescimento da cidade acumulou gerações e mais gerações de despojos funerários para os quais os cemitérios não ofereciam mais espaço.

Em 1780, o cemitério “des Saints-Innocents”, o mais importante da cidade, foi fechado, por demanda da população. A lotação do cemitério era tal que a população vizinha estava adoecendo devido à contaminação provocada pelo excesso de matéria orgânica em decomposição.

No dia 9 de novembro de 1785, o Conselho de Estado francês decidiu pela necessidade de reformular o sistema de cemitérios de Paris e pela imediata tomada de providências. Novos cemitérios foram construídos na periferia da cidade, mas restava a preocupação do que fazer com os cemitérios superlotados já existentes.

A ideia de usar os túneis abandonados das pedreiras parisienses é creditada ao chefe de Polícia, General Alexandre Lenoir, e levada à cabo por ordem de seu sucessor o Sr. Thiroux de Crosne.

A escolha do local apropriado e execução da tarefa ficou a cargo do “Service des carrières” cuja tradução poderia ser “Serviço das Pedreiras”, na realidade, um órgão governamental criado em 4 de abril de 1777 para zelar pela segurança e consolidação do subsolo parisiense, tão cheio de túneis e cavernas com constantes riscos de desabamentos.

Sob orientação de Charles Axel Guillaumont, Inspetor Geral dos túneis de Paris, as primeiras ossadas transferidas saíram do cemitério Saint-Nicolas-des-Champs após as catacumbas terem sido abençoadas, em 4 de abril de 1786.

Inicialmente, as ossadas foram jogadas de qualquer modo nas catacumbas.

Somente na época do Império francês (a partir de 1810), que, sob a orientação de Héricart de Thury (1776-1854) as ossadas foram dispostas nos corredores das Catacumbas com certa criatividade artística. Ossos longos, como Fêmur, Tíbia, foram colocados à frente, formando verdadeiras paredes de ossos, adornadas com os crânios em desenhos geométricos. Por trás destas paredes de ossos, foram depositados os ossos menores e mais irregulares.

- Interior das Catacumbas de Paris. Placa indicando o local dos despojos oriundos do cemitério de Saint Etiénne (Wikimedia Commons)

– Interior das Catacumbas de Paris. Placa indicando o local dos despojos oriundos do cemitério de Saint Etiénne (Wikimedia Commons)

Durante a Segunda Guerra Mundial , membros da Resistência Francesa utilizaram assiduamente os túneis de Paris. Os alemães também serviram-se dos túneis, chegando a construir bunkers e casamatas nas suas galerias.

Na segunda metade do século XX, como sempre, os subterrâneos de Paris foram usados por grupos das mais diversas ideologias. Grupos de ativistas políticos, religiosos, artistas, aventureiros, usuários de drogas, e vários outros serviram-se dos subterrâneos para seus propósitos, o que ocorre ainda hoje.

Os subterrâneos de Paris também foram utilizados para passagens de cabos telefônicos, de TV por assinatura e acesso à Internet. Entretanto, devido a inúmeros casos de vandalismo e dificuldades de acesso, tais cabos foram transferidos para tubulação específica mais superficial e protegida.

A parte dos subterrâneos ocupada ossuário continua reservada e é aquela à qual os turistas têm acesso com total segurança.

Com a especulação imobiliária e necessidade de reforço do subsolo para segurança das edificações, uma média de 5 Km da rede de túneis existente tem sido bloqueada anualmente por estruturas de cimento.

Ossuário das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Ossuário das Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Curiosidades

Calcula-se que as Catacumbas de Paris contenham os despojos de 5 a 6 milhões de pessoas.

Os únicos corpos que foram sepultados diretamente nas Catacumbas foram dos mortos nos combates da Revolução Francesa de 28 e 29 de agosto de 1788, na praça do Hôtel de Ville de Paris, de 28 de abril de 1789, na “Manufacture de Réveillon” e de 10 de agosto de 1792, nas Tulherias.

As paredes de todo o sistema de túneis de Paris são cobertas de inscrições e Grafitis que datam desde o século XVIII.

Em 1871, membros da Comuna de Paris mataram um grupo de monarquistas em uma das câmaras das Catacumbas.

Victor Hugo usou seus conhecimentos sobre os subterrâneos de Paris ao escrever “Os Miseráveis”.

Ossos arrumados nas Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Ossos arrumados nas Catacumbas de Paris (Wikimedia Commons)

Paris, Museu de Louvre (foto: Rogério P.D. Luz)

Paris, Museu de Louvre (foto: Rogério P.D. Luz)

 

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Informação

Publicado às 03/11/2014 por em Catacumbas de Paris e marcado , , .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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