Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Entenda a cerimônia de Lava-Pés na Quinta-Feira Santa na Páscoa

Pascoa 2016 Igreja Divino Espirito Santo 5a.F Santa 07

A cerimônia de Lava-Pés na Igreja do Divino Espírito Santo, em São Paulo

Em 2016, o Papa Francisco introduziu oficialmente mudanças na cerimônia de Lava-Pés, que é realizada durante a celebração da missa de Quinta-Feira da Semana Santa, passando a permitir a participação de mulheres, jovens, crianças, antes restrito a homens, conforme o rito introduzido em 1955.

O decreto papal acaba confirmando uma prática que já vinha sendo realizada no ano passado. Muda o texto do anterior que refere a “homens escolhidos” para “escolhidos entre o povo de Deus”, abrangendo pessoas de ambos os sexos e idades variadas.

Pascoa 2016 Igreja Divino Espirito Santo 5a.F Santa 09

A cerimônia de Lava-Pés na Igreja do Divino Espírito Santo, em São Paulo

O SIGNIFICADO DE LAVA-PÉS DE ACORDO COM A WIKIPÉDIA

Lava-pés é um rito religioso observado por diversas denominações cristãs e é baseado no relato de João 13:1-17, que menciona Jesus realizando-o durante a Última Ceia. A cerimônia é realizada na Quinta-Feira Santa da Semana Santa

Contexto

A origem da prática pode estar nos costumes referentes à hospitalidade das civilizações antigas, especialmente naquelas onde a sandália (um calçado aberto) era o principal tipo de calçado. O anfitrião, ao receber um hóspede, providencia uma vasilha com água e um servo para lavar-lhe os pés. Este costume aparece em diversos pontos do Antigo Testamento (veja, por exemplo, Gênesis 18:4, Gênesis 19:2, Gênesis 24:32, Gênesis 43:24 e I Samuel 25:41, entre outros), e também em outros documentos históricos e religiosos. Um típico anfitrião da região geralmente se curvava, beijava o hóspede e então oferecia a água e o servo para a lavagem dos pés. O costume também valia quando o hóspede usava sapatos como uma forma de cortesia. No trecho em I Samuel aparece pela primeira vez o ato de alguém realizar a lavagem como prova de humildade. Em João 12, Maria de Betânia ungiu Jesus, presumivelmente para agradecer-lhe por ressuscitar seu irmão Lázaro dos mortos.

A Bíblia relata a lavagem dos pés de Santos sendo praticada pela igreja antiga em I Timóteo 5:10, provavelmente como sinal de piedade, submissão ou humildade.

História

É possível que o ritual do lava-pés já fosse praticado durante a era apostólica, embora as evidências sejam escassas. Tertuliano (145–220), por exemplo, menciona a prática em sua obra “De Corona”, mas não oferece detalhes sobre quem a praticava ou como. O ritual também era praticado na Igreja de Milão (ca. 380), foi mencionado durante o Concílio de Elvira (300) e por Agostinho de Hipona (ca. 400). A observância do lava-pés na época do batismo era mantida na África, Gália, Mediolano, no norte da Itália e na Irlanda. De acordo com a “Enciclopédia Menonita”, a “Regra de São Bento” (529), utilizada pela Ordem dos Beneditinos, prescreve a lavagem dos pés para os hóspedes além da lavagem comunal como forma de humildade. . Aparentemente o costume foi iniciado pela Igreja de Roma, ainda que não relacionado com o batismo, por volta do século VIII. Os albigenses observavam o costume, ligado à Comunhão, e o costume dos valdenses era lavar os pés dos ministros quando em visita. Há evidências que o costume também era observado pelos hussitas.

Prática católica romana

Na Igreja Católica Romana, o ritual da lavagem dos pés é atualmente associada com a Missa da Última Ceia, que celebra de maneira especial a Última Ceia de Jesus, na Quinta-Feira Santa. Evidências da prática neste dia remontam pelo menos o século XII, quando “o papa lavou o pé de doze subdiáconos após sua missa e de treze pessoas pobres após sua ceia.”

De 1570 a 1955, o Missal Romano trazia, após o texto da missa da Quinta-Feira Santa, um rito de lavagem dos pés não relacionado com a missa. A revisão de 1955 pelo papa Pio XII inseriu-o na missa. Desde então, o rito é celebrado após a homilia que segue a leitura do evangelho — com o trecho referente à lavagem realizada por Jesus em João. Alguns homens pré-selecionados (veja acima a mudança introduzida por Papa Francisco em 2016, permitindo a participação de mulheres) — geralmente doze, mas o missal não prescreve um número — são conduzidos até cadeiras preparadas para cerimônia. O sacerdote, com a ajuda de ministros, derrama água sobre os pés de cada um e os enxuga.

No passado, a maior parte dos monarcas da Europa também realizavam o Lava-pés em suas cortes reais durante a Quinta-Feira Santa, uma prática que ainda era realizada pelo imperador do Império Austro-Húngaro e pelo rei da Espanha até o início do século XX.

Imagens da Missa da Quinta-Feira Santa na Igreja do Divino Espírito Santo, em São Paulo, com a cerimônia de Lava-Pés 

(clicar nas fotos menores para ampliar)

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Pascoa Quinta Feira Santa Paroquia Divino Espirito Santo (01)

O novo pároco optou por escolher aleatóriamente as pessoas para participar da cerimônia de Lava-Pés (foto à esquerda abaixo), mudando a prática anterior de escolha prévia.

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Ao final de celebração da missa, o Santíssimo Sacramento é conduzido em procissão para outro local da igreja para ser feita a vigília e venerado pelos fiéis.

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Pascoa 2016 Igreja Divino Espirito Santo 5a.F Santa 18O ritual de tapar as imagens santas da igreja com pano (roxo, vermelho ou outra cor) na Quinta e Sexta-Feira Santa voltou a ser praticado na Igreja do Divino Espírito Santo.

Pascoa 2016 Igreja Divino Espirito Santo 5a.F Santa 01

  • Fotografia de/photos by Rogério P.D. Luz
  • Fonte/consulta: Wikipédia e Agência Ecclesia

 

 

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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