Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Macau histórico 2016 por M.V Basílio

Publicações do Manuel V. Basílio, residente em Macau, no Facebook, trazem imagens atualizadas do território, complementadas com narrativas dos locais históricos da antiga possessão portuguesa no Sul da China, cuja transição de soberania para a China ocorreu em dezembro de 1999.

foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

(Foto acima) As obras de saneamento nas imediações da igreja de S. Lázaro foram ordenadas pelo governador Eduardo Galhardo, em 1900, devido às más condições higiénicas, tendo mandado demolir as velhas casas que desordenadamente por ali se espalhavam . Foi então elaborado um plano de urbanização, de que resultou a construção do primeiro bairro planeado, de acordo com o projecto do arquitecto espanhol J. M. Casuso, designado por Bairro de São Lázaro, com ruas perpendiculares, abrangendo a Rua do Volong, Rua Nova de São Lázaro, Rua de São Roque, Rua de São Miguel, Calçada Central de São Lázaro, Calçada da Igreja de São Lázaro, Rua Eduardo Marques, Beco de São Lázaro e Pátio de São Lázaro. Recentemente, algumas das ruas do Bairro de São Lázaro foram cobertas por calçada portuguesa e colocados candeeiros de rua ao estilo europeu.

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(Textos e fotos por M.V. Basílio)

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

Quando D. Melchior Carneiro, o primeiro bispo de Macau, aqui chegou em 1568, encontrou muitos leprosos num local fora da povoação e, para cuidar deles, ali estabeleceu uma leprosaria. Ao hospício foi dado o nome de S. Lázaro. Construiu-se ainda a Ermida de N. Srª. da Esperança, para uso restrito aos leprosos. Em 1882, a leprosaria foi transferida para a ilha de D. João (em frente à Taipa, então sob a administração portuguesa) e, por fim, para Ka-hó, em Coloane (cuja leprosaria já foi encerrada, restando ainda as antigas instalações e a moderna capela de N. Srª. das Dores).

A velha igreja, vulgarmente chamada de S. Lázaro, foi demolida em 1885, durante a administração do governador Tomás da Rosa, e construída uma nova, que ficou concluída no ano seguinte. Em 1967, a igreja de S. Lázaro foi ampliada, passando a ter a presente configuração.

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

Construído por comerciantes chineses locais, provavelmente nos anos 60 do século XVII, este templo, dedicado à divindade Kuán Tai, símbolo de lealdade e justiça, é conhecido por “Sám Kái Vui Kun”, e está localizado bem próximo do Largo do Senado, junto à antiga zona do Bazar Chinês. “Sám Kái” quer dizer “três ruas”, referindo-se à Rua dos Mercadores, Rua das Estalagens e Rua dos Ervanários, e “Vui Kun”, à sede onde outrora se reuniam comerciantes e/ou associações. Por conseguinte, o templo está directamente associado à primeira Câmara de Comércio Chinesa da cidade de Macau e onde os éditos oficiais das autoridades chinesas do continente eram anunciados publicamente em frente ao templo.

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fto M.V. Basílio

foto M.V. Basílio

Este troço da Rua de S. Domingos, entre a Travessa do Bispo e a Calçada das Verdades era conhecido por Rua das Mariazinhas, dado que existiram duas lojas diferentes, sensivelmente uma em frente da outra, que adoptaram o nome Mariazinha (entre parênteses), no respectivo dístico comercial. Presentemente, muitos portugueses, sobretudo os recém-chegados, já nem sabem onde fica a Rua das Mariazinhas, pois uma das lojas fechou antes da transição, e a outra, poucos anos depois, passando a ser uma sapataria, em vez de quinquilharias. A sapataria também já encerrou a sua actividade.

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foto M.V. Basílio

foto M.V. Basílio

(fotos/imagem acima) Fundada por agostinhos espanhóis, cuja construção só foi concluída em 1591, a igreja de S. Agostinho era originalmente dedicada a Nossa Senhora da Graça e até hoje ainda mantém a tradição de organizar uma das procissões mais populares da cidade, a Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos. A actual fachada data de 1874, substituindo a estrutura de estilo barroco que existia anteriormente, destruída por um tufão. (Desenho: Aspecto do Convento e Igreja de Sto. Agostinho, num desenho de George Chinnery, em que mostra também a escadaria que então existia. Actualmente é uma rampa).

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

O Palácio do Cercal, como era conhecido, foi construído em 1849, para ser residência do Visconde do Cercal, tendo mais tarde sido adquirido em hasta pública pelo Governo de Macau, que passou a utilizá-lo como sede do Governo a partir de 1884.

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

Próximo do cruzamento da Avenida da Praia Grande com a Rua do Campo, existe um gracioso edifício, de forma octagonal, conhecido por Pavilhão Octogonal (八角亭), construído em 1927, de acordo com o projecto do arquitecto Chan Kuan Pui (陳焜培), o qual apresenta telhado duplo, revestido de telhas de cerâmica verdes e, embora de estilo chinês, incorpora elementos arquitectónicos ocidentais, criando, desta forma, uma simbiose de culturas, tão singulares nestas paragens do Oriente. Originalmente, funcionou naquele edifício o restaurante Estrela do Oriente e também uma sala de bilhar. Mais tarde, em 1947, o edificio foi comprado por Ho Yin (何賢), que o doou à Associação Comercial de Macau (agora, Associação Comercial Geral dos Chineses de Macau澳門中華總商會) para transformá-lo em biblioteca pública. Essa biblioteca, inaugurada com a presença do governador Albano Rodrigues de Oliveira, a 1 de Novembro 1948, e designada por Biblioteca Pública da Associação Comercial de Macau, é um privilegiado local de convívio, diariamente muito frequentado por habituais leitores. Antes do ordenamento daquela zona, o Jardim de S. Francisco envolvia o Pavilhão Octogonal, mas com o alargamento da então Rua da Praia Grande (actualmente, Avenida da Praia Grande), as vedações do jardim foram derrubadas, de forma que agora o edifício se situa mesmo junto à intersecção das referidas vias públicas.

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

(Fotos acima): O Jardim de S. Francisco é tido como o jardim público mais antigo de Macau e está localizado junto ao extinto Convento de S. Francisco, construído em 1580, pela Ordem de S. Francisco de Assis, de Castela. Com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal em 1834, os seus bens foram confiscados e incorporados na fazenda nacional. Mais tarde, em 1864, o Convento e a igreja de S. Francisco foram demolidos por ordem do governador José Rodrigues Coelho do Amaral e no mesmo local foram construídos um novo quartel e o forte de S. Francisco. Naqueles tempos, o jardim era um excelente local de lazer para a população, um ponto de encontro de amigos, e onde em determinados dias da semana se podia ouvir tocar, ora banda militar, ora a banda municipal. Em 1870, ao lado do jardim foi construído o Grémio Militar (o actual Clube Militar), frente ao qual existiu uma pequena praia, pois a água do mar chegava até quase junto ao Grémio. Em 1920, foram iniciadas obras de aterros em frente ao jardim e anos depois, em 1935, o então director das Obras Públicas mandou rasgar, dentro do jardim, uma nova via pública, a que foi dado o nome de Rua de Santa Clara, ficando assim reduzida a área do jardim.

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

SEMINÁRIO DE S. JOSÉ: O grandioso edifício do Seminário de S. José foi construído no sítio onde era conhecido por Mato Mofino. Antes da construção, os jesuítas tiveram que derrubar árvores do mato e cortar uma grande pedreira, cuja madeira e pedras foram aproveitadas para as obras de construção, incluindo os muros até à Rua do Mato Mofino (a actual Rua do Seminário). Anos mais tarde, foi construída a igreja anexa, inaugurada em 1758.

Algumas décadas atrás, podiamos ainda admirar, na Horta Grande do Seminário, três árvores centenárias de grande porte, que sobreviveram do Mato Mofino, mas hoje apenas resta uma, considerada a mais velha que existe em Macau. Fora do Seminário, existe ainda uma no Largo de Santo Agostinho, e também uma outra em frente do Teatro D. Pedro V, mas ambas de menor porte. (A foto mostra a entrada pelo Largo de Sto. Agostinho)

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foto: M.V. Basílio

foto: M.V. Basílio

EDIFÍCIO DA BIBLIOTECA SIR ROBERT HO TUNG: Esse edifício pertencia a Carolina Cunha e foi construído antes de 1894. Em 1918, foi comprado por Sir Robert Ho Tung, um importante empresário euroasiático de Hong Kong. Robert Ho Tung viveu nessa mansão durante a ocupação japonesa de Hong Kong (1941-1945), em consequência da Segunda Guerra Mundial. Após o seu falecimento em 1955, e de acordo com o seu testamento, esse edifício foi doado ao Governo de Macau para transformá-lo numa biblioteca pública. Robert Ho Tung doou também uma boa parte das suas colecções de livros antigos e valiosos à biblioteca. A Biblioteca Sir Robert Ho Tung foi oficialmente aberta em 1958.

  • Agradecimentos a Manuel V.Basílio
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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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