Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Grande Prémio de Macau 2016 foi uma festa portuguesa, com certeza!

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António Félix da Costa. Foto: GCS

Macau matou as saudades dos tempos em que era administrada por Portugal, ao assistir duas vitórias de pilotos portugueses no tumultuado domingo verde/vermelho do Grande Prémio de Macau no ano de 2016, que, na sua 63ª edição, é considerado como uma espécie de Copa do Mundo da Fórmula 3, não contando pontos para nenhum campeonato.

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António Félix da Costa com o Dallara Volkswagen. Foto: GCS

Na prova principal, António Félix da Costa (25) ganhou a prova principal de Fórmula 3 (F3), repetindo o feito no dia anterior na prova classificativa. Fazendo companhia ao piloto da Fórmula-E (de elétrico) e da DTM (campeonato de turismo alemão), Tiago Monteiro, que já teve passagem pela Fórmula 1, foi o vencedor da 2ª prova da Corrida da Guia 2.0T da TCR Series com seu Honda Civic hatch, superando os VW Golf GTi da poderosa equipe Leopard.

No pódi, o hino certo A Portuguesa e a bandeira de Portugal. Foto: GCS

No pódio, o hino certo A Portuguesa e a bandeira de Portugal. Foto: GCS

No pódio da F3, corrigindo a falha de 2012 quando Félix da Costa ganhou a mesma prova, tocaram o hino certo, a Portuguesa, que foi entoada por uma entusiasmada galera de torcedores portugueses e macaenses falantes da língua de Camões. Naquele ano, para desapontamento de todos, um funcionário “distraído” pôs a tocar o áudio de um hino que uns diziam ser da Austrália. Pode? Sendo que Macau foi administrada pelos portugueses por cerca de 440 anos!

O veloz Sérgio Sette Câmara, uma promessa brasileira na F1, quem sabe!

O veloz Sérgio Sette Câmara, uma promessa brasileira na F1, quem sabe! Foto: GCS

Por pouco, a vitória do Félix não foi roubada pelo seu companheiro da equipe Carlin, o brasileiro Sérgio Sette Câmara de 18 anos, que logo após a largada, da 3ª posição, conseguiu numa manobra estudada, conforme diz, superar os dois primeiros da grelha. Permaneceu em 1º até a primeira bandeira amarela, algo costumeiro no Circuito da Guia, sendo superado pelo piloto português na relargada. Câmara foi novamente superado pelo bi-campeão da F3 em Macau, o também Felix só que Rosenqvist, terminando a prova em 3º, mesma posição alcançada na prova de sábado. Um grande feito para o brasileiro que em 2015, em Macau, não conseguiu terminar a prova porém fez o melhor tempo, batendo o recorde da pista.

O brasileiro Pedro Piquet, filho do tricampeão de F1, Nelson Piquet. Foto: GCS

O brasileiro Pedro Piquet, filho do tricampeão de F1, Nelson Piquet. Foto: GCS

Outro piloto brasileiro, Pedro Piquet (18), filho de Nelson Piquet, tricampeão da F1, terminou em 9º, melhor que o 12º na prova do dia anterior quando largou em 21º. Seria o aprendizado em pistas estrangeiras que começou a correr em 2016, após se consagrar campeão da F3 brasileira em 2015.

Aliás, os GPs de Macau conheceram grandes pilotos brasileiros, como em especial, Ayrton Senna (1º/1983), mas também viu vitórias de Maurício Gugelmin (1º/1985 – 2º/1986), Lucas di Grassi (2005 e 2º/2004) e Roberto Pupo Moreno (1º/1982). Outros destaques foram Felipe Nasr (2º em 2011), Pipo Derani (3º/2015), Ricardo Maurício (2º/1998), Enrique Bernoldi (3º/1997/8), Christian Fittipaldi (3º/1991).

Nelson Rosenqvist, o finlandês queridinho de Macau, chegou em 2º. Foto: GCS

Nelson Rosenqvist (25), o sueco queridinho de Macau, chegou em 2º. Foi o vencedor das edições de 2014 e 2015. Foto: GCS

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Foto: Wikimédia Commons por Ngchikit

Curiosidade – Em 2000, um ano após a transição de soberania de Macau, de Portugal para a China, um piloto da terra, André Couto (nascido em Lisboa em 14/12/1976 e mudou-se com a família para Macau aos quatro anos de idade), logrou o feito de ser o primeiro e o único ganhador na era moderna de F3, até hoje. Fato curioso que devido à nova condição política de Macau, no pódio, teve que agitar a nova bandeira verde da sua terra ao lado do Chefe do Executivo chinês, Edmund Ho, já que contava com apoio governamental, ao contrário do que, se tivesse ocorrido no ano anterior, em 1999, estaria lá agitando a bandeira portuguesa, ou da cidade, a do Leal Senado, na companhia do Governador português, Rocha Vieira. A vitória chegou tardia para o piloto como português, mas para ele foi um grande feito, fora das circunstâncias da época. E para a Macau multicultural, o que importava era a vitória de um piloto da terra qual fosse as suas feições, o que o novo mandatário da cidade procurava mostrar ao mundo. Recordo que assistia a corrida pela RTP e os locutores comentaram o fato com um ar de espanto, talvez, como todos nós, ainda não estavam acostumados com a nova situação política de Macau que vigorava há um ano.

Tiago Monteiro comemora a vitória. Foto: GCS

Tiago Monteiro comemora a vitória. Foto: GCS

Assim, fora do aspecto das corridas, olhando pelo lado de patriotismo, finalmente, em transmissão ao mundo por vídeo, Macau ouviu novamente, em alto e bom som, o hino nacional de Portugal, a relembrar os velhos tempos, graças à competência dos pilotos portugueses,no ano em que o País também ganhava o título no futebol europeu, a Eurocopa, fartamente referenciada pelos vitoriosos Félix da Costa e Tiago Monteiro. Pena que para o pódio do Monteiro, tiveram “preguiça” de tocar o hino inteiro sendo inexplicavelmente interrompido na sua metade, sabendo-se (isto é, se soubessem) que ele é curto, dentro do tempo previsto para sua execução, como se vê nas corridas de F1. Que levem isto em consideração, a se voltar a repetir noutros GPMs.

Início do treco sinuoso do Circui da Gui de difícil ultrapassagem

Início do trecho sinuoso do Circuito da Guia de difícil ultrapassagem. Foto: GCS

O GPM ao vivo na internet: Na era da internet, agora é possível assistir ao Grande Prémio ao vivo e em cores, tanto direto do site oficial com locução em inglês, como pelo You Tube onde os locutores se revezavam na transmissão em português, chinês e em inglês, algo curioso para quem não está acostumado a isso, mas isso é Macau. Restava para mim fazer um esforço danado para ficar acordado, já que em São Paulo, no Brasil, o fuso horário era de Macau 10 horas à frente, assim, as corridas aconteciam na madrugada. Ainda bem que se podia assistir no dia seguinte o reprise completo no site oficial, para quem foi vencido pelo sono.

Foto: GCS

Foto: GCS

Foto: GCS

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Foto: GCS

Sette Câmara (#27) pouco depois da largada ultrapassava pela direita os dois dianteiros.Foto: GCS

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Foto: GCS

Foto: GCS

António Maria de Melo Breyner Félix da Costa (Cascais, Portugal, 31 de Agosto de 1991), venceu a etapa de F-E em Buenos Aires, Argentina, em 2015. Foto: GCS

Foto: GCS

Félix da Costa e Sette Câmara, os dois do programa Red Bull de jovens pilotos. Foram companheiros de equipe pela Carlin no GP de Macau 2016.Foto: GCS

A torcida portuguesa

A torcida portuguesa se manifestou com entusiasmo no pódio do Félix e cantou o hino nacional juntamente com o piloto. Foto GCS

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A foto dos três primeiros colocados após a entrevista coletiva. Foto: GCS

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Félix da Costa e Tiago Monteiro. Foto JTM

Foto: GCS

Foto: GCS

Proeza da Honda Civic que tomou a dianteira na largada diante dos rápidos VW Golf GTi, graças ao Tiago Monteiro.

Curiosidade: o nome completo de Tiago – Tiago Vagaroso da Costa Monteiro Filho (24 de julho de 1976 – 40 anos, Porto, Portugal), que nada de “vagaroso” foi na prova Corrida da Guia da TCR International Series, que é disputada em Macau desde 1972.

Foto: GCS

O Honda Civic do Tiago Monteiro. Foto: GCS

Foto: GCS

Foto: GCS

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Foto: GCS

O Dallara Volkswagen nº 27 de Sérgio Sette Câmara Filho (23 de maio de 1998 – 18 anos, Belo Horizonte, Minas Gerais/Brasil). O piloto em 2016 correu na F-3 européia, categoria em que começou a correr no Brasil após completar 16 anos. Faz parte do programa de jovens pilotos da Red Bull.

Foto: GCS

Foto: GCS

Foto: GCS

Foto: GCS

Pedro Estácio Leão Piquet Souto Maior (Brasília, 3 de Julho de 1998) é filho do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet, irmão do também piloto Nelson Piquet Jr. Terminou a prova principal em 9º e foi considerado o 2º melhor estreante após ter feito belas ultrapassagens, como de dois carros de uma vez mostrado na tv. O GP de Macau foi a sua 100ª corrida.

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Foto: GCS

Conheça todos os vencedores dos GPs de Macau, desde que a prova principal passou a ser disputado com carros da Fórmula 3:

1983: Ayrton Senna (BRA/Ralt-Volkswagen)
1984: John Nielsen (DIN/Ralt-Volkswagen)
1985: Maurício Gugelmin (BRA/Ralt-Volkswagen)
1986: Andy Wallace (GBR/Reynard-Volkswagen)
1987: Martin Donnelly (GBR/Ralt-Toyota)
1988: Enrico Bertaggia (FRA/Dallara-Alfa Romeo)
1989: David Brabham (AUS/Ralt-Volkswagen)
1990: Michael Schumacher (ALE/Reynard-Volkswagen)
1991: David Coulthard (ESC/Ralt-Mugen)
1992: Rickard Rydell (SUE/Toms-Toyota)
1993: Jorg Muller (ALE/Dallara-Fiat)
1994: Sascha Maassen (ALE/Dallara-Opel)
1995: Ralf Schumacher (ALE/Dallara-Opel)
1996: Ralph Firman (GBR/Dallara-Mugen)
1997: Soheil Ayari (FRA/Dallara-Opel)
1998: Peter Dumbreck (GBR/Dallara-Toyota)
1999: Darren Manning (GBR/Dallara-Toyota)
2000: André Couto (POR/Dallara-Opel)
2001: Takuma Sato (JAP/Dallara-Mugen)
2002: Tristan Gommendy (FRA/Dallara-Renault)
2003: Nicolas Lapierre (FRA/Dallara-Renault)
2004: Alexandre Premat (FRA/Dallara-Mercedes)
2005: Lucas di Grassi (BRA/Dallara-Mercedes-HWA)
2006: Mike Conway (GBR/Dallara-Mercedes-HWA)
2007: Oliver Jarvis (GBR/Dallara-Toyota-Tom’s)
2008: Keisuke Kunimoto (JAP/Dallara-Toyota-Tom’s)
2009: Edoardo Mortara (ITA/Dallara-Signature)
2010: Edoardo Mortara (ITA/Dallara-Signature)
2011: Daniel Juncadella (ESP/Dallara-Mercedes)
2012: António Félix da Costa (POR/Dallara-Volkswagen)
2013: Alex Lynn (GBR/Dallara-Mercedes)
2014: Felix Rosenqvist (SUE/Dallara-Mercedes)
2015: Felix Rosenqvist (SUE/Dallara-Mercedes)
2016: António Félix da Costa (POR/Dallara-Volkswagen)

  • Fotos do site oficial do 63º Grande Prémio de Macau (GCS) e publicadas de acordo com os seus Termos de Uso
  • Mais notícias das corridas do GP de Macau 2016 nos jornais de língua portuguesa do território: Jornal Tribuna de Macau (em suplemento especial), Hoje Macau e Ponto Final
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Publicado às 21/11/2016 por em GP Macau 2016 F3 e marcado , , , .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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