Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Índia Portuguesa, o fim

Quando acessei a You Tube para ver o vídeo de Macau mostrado na postagem anterior, apareceu o vídeo abaixo sobre a Índia Portuguesa, constituída de Goa, Damão e Diu, que foram tomadas pela União Indiana em Dezembro de 1961.  Lembrei-me logo das conversas que tinha com o meu ex-colega de escritório, o goês português Ivo Monteiro, bom sujeito e patriótico.  Deixou Goa para o Brasil após a ocupação pela tropas indianas. Costumava contar com entusiasmo as histórias da guerra, e eu macaense, ele goês, consideravamos compatriotas, e porque não?

Procurei pesquisar por mais vídeos sobre a guerra de 36 horas na You Tube, mas são poucos, equilibradamente distribuídos entre os simpatizantes pelos portugueses e pelos indianos. Preferi publicar aqueles da primeira opção, por motivos óbvios, apesar de entender que é legítima a reivindicação da Índia sobre essas cidades portuguesas, que são colónias no seu território, mas nunca por vias militares e o cenário que foi montado para isso.  Assim como, julgo correto que Macau fosse devolvida para a China, embora o fale com dor no coração, pois é difícil uma Nação aceitar ter colónias estrangeiras no seu território.

Vejam os dois vídeos, as imagens que foram capturadas deles pois nem todos têm paciência para vê-los, e republico o artigo do Alberto Alecrim sobre a invasão, além do histórico sobre a Índia Portuguesa coletado da Wikipédia.  Uma postagem bastante comprida mas vale a pena fazer uma coisa completa:

Sobre a invasão:

Sobre a vida na Índia Portuguesa:

Militares portugueses na Índia

Militares portugueses e forças locais na zona fronteiriça com a Índia

a bandeira portuguesa na Índia

o Exército Português

clicar na imagem abaixo para aumentar

Estado Português da Índia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Estado Português da Índia, também conhecido por Estado da Índia ou Índia Portuguesa, foi o governo constituido para administrar todos os territórios dependentes de Portugal nas costas do Oceano Índico à época do Império Português. De 1505 a 1752, abrangeu todos os territórios no Índico – desde a África austral ao sudeste Asiático – com capital em Goa desde 1510, e só mais tarde se restringiu aos territórios da costa de Malabar, na Índia.

O estado da Índia foi constituído em 1505 com a nomeação do primeiro vice-rei, D.Francisco de Almeida, inicialmente estabelecido em Cochim, seis anos após a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Em 1510, com a expansão territorial efectuada por Afonso de Albuquerque, que conquistou Goa tornando-a a sede da presença portuguesa, recebeu nome oficial de Estado Português da Índia.

Inicialmente o rei D. Manuel I de Portugal tentou a distribuição do poder por três Governadores com áreas de jurisdição distintas, contudo o cargo foi centralizado por Afonso de Albuquerque, que se tornou plenipotenciário, e assim permaneceu. Durante dois séculos abrangeu todas as possessões portuguesas no Índico; só em 1752 Moçambique passou a dispor de governo próprio e, em 1844, o Estado Português da Índia deixou também de administrar os territórios de Macau, Solor e Timor, vendo-se assim confinado ao Malabar. Portugal detinha os direitos sobre vários enclaves na costa indiana, cuja posse datava da época dos Descobrimentos, logo após a ligação marítima ter sido estabelecida por Vasco da Gama. Entre estes territórios, incluíam-se:   Goa / Damão / Diu / e ainda:  Ilha de Angediva a sul de Goa / Dadrá e Nagar Haveli, um exclave de Damão bem no coração do Guzerate / Simbor enclave continental de Diu, a leste deste território / Gogolá enclave continental de Diu

Até à independência da Índia em 1947 manteve Goa, Damão, Diu, Nagar Haveli e Dadrá. Perdeu estes dois últimos enclaves em 1954, e por fim as três restantes praças em Dezembro de 1961, quando foram ocupadas pela União Indiana (embora Portugal só reconhecesse a ocupação após a Revolução dos Cravos, em 1974). Terminou assim, após quatro séculos e meio de domínio português, o Estado Português da Índia. Muitas vezes a Índia Portuguesa é referida como apenas Goa, já que esta foi, durante anos, a principal praça comercial.

História

O primeiro contacto português com a Índia deu-se a 20 de Maio de 1498, quando Vasco da Gama atracou em Calecute. Após alguns conflitos com os mercadores árabes que detinham o monopólio das especiarias através de rotas terrestres, Vasco da Gama conseguiu assegurar uma carta de concessão para as trocas comerciais com o Samorim, o governador de Calecute. Aí deixou alguns portugueses para estabelecerem um porto comercial.

Em 1510, o almirante Afonso de Albuquerque derrotou os sultões de Bijapur, numa disputa entre a soberania do território de Timayya, o que levaria ao estabelecimento dos portugueses na Velha Goa. Goa tornava-se, assim, o centro do governo da Índia e o local de residência do vice-rei da Índia.

Entretanto, os portugueses conquistavam vários territórios aos sultões do Guzerate: Damão (ocupado em 1531, formalmente cedido em 1539), Salsete, Bombaim e Baçaím (ocupado a 1534) e Diu (cedido em 1535). Estas possessões tornaram-se a “Província do Norte” do Estado da Índia, estendendo-se por 100 km de costa desde Damão a Chaul. A província era governada a partir da fortaleza de Chaul. Bombaim seria cedida ao Reino Unido em 1661 como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. A maioria da província foi, entretanto, perdida para os maratas até 1739. Portugal apoderou-se de Dadrá e Nagar-Haveli em 1779.

Entre 1713 e 1788, a superfície de Goa triplica com a incorporação das Novas Conquistas.

Em 1843 a capital é mudada para Pangim, então renomeada “Nova Goa”, quando se tornou oficialmente a sede administrativa da Índia Portuguesa, em substituição a cidade de Goa (atualmente Velha Goa), embora o vice-rei já morasse lá desde 1 de dezembro de 1759. Antes de se mudar para a cidade, o vice-rei remodelou a fortaleza do Idalcão, transformando-a num palácio.

Após a independência indiana concedida pelos britânicos, em 1947, Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. No entanto, a atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia.

Em 1954, Portugal perdia os primeiros territórios ultramarinos: Dadrá e Nagar-Haveli. A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa, acabando por anexar formalmente os enclaves em Agosto de 1961. Em Dezembro de 1961, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. E no ano seguinte, a Ilha de Angediva. No entanto, Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios, mantendo-os representados na Assembleia Nacional até 1974, altura em que se deu a Revolução dos Cravos. A partir de então, Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia, começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado Português da Índia. No entanto, aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa.

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2 comentários em “Índia Portuguesa, o fim

  1. alvaro silva
    03/04/2016

    Como é facil de entender a União Indiana só se tornou país em 1947, até lá era um amontoado de de pequenos e grandes países mais ou menos submetidos aos britânicos, pelo que Goa Damão e Diu nunca foram colónia da India como Macau o era do Império do Meio. Mais se eram tão democratas e pacifistas por que é que a invadiram? Contrariando as decisões do tribunal de Haia? E por que não esperaram por um referendo onde os goeses se pronunciassem? Afinal e para garantirem os votos no seio da União o governo indiano propiciou a colonização indu de Goa, basta perguntar a um qualquer goês o que é!

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
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