Cronicas Macaenses

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MPB – Música Popular Brasileira, quer saber? mas, por quê?

Vão perguntar-me, tanto os brasileiros, os macaenses, os portugueses e outros leitores das mais diversas origens, por que falar da MPB – Música Popular Brasileira, “justamente você, um macaense, que sabe a respeito?”  Eu lhes digo, amigas e amigos, numa postagem futura, eu vou mostrar a vocês o motivo de estar a falar da MPB, mas gravem bem esta sigla MPB. M de Música, P de Popular e B de Brasileira, esta última especialmente diz a origem da música popular, assim como, se trocar o B pelo P, seria MPP – Música Popular Portuguesa.

O que posso falar da MPB, é baseado em pesquisas na internet.  Vi algumas versões, poucos se propõem a falar a respeito, mas a melhor mesmo, só poderia ter vindo da Wikipédia.  É a versão mais clara que bem assimilou ao raciocínio que tinha a respeito, pois vivi o auge da MPB e dos seus Festivais de Música Popular Brasileira que aconteceram entre 1965 a 1969, perdurando até 1985, com transmissão pelas televisões brasileiras.  Cheguei ao Brasil em Fevereiro de 1968.  Adorava assistir os festivais pela TV e  sinto muitas saudades da época.  Eram tempos muito difíceis para mim, um recém imigrante, mas tornam-se hoje, uma época que se guarda no fundo do coração com muito carinho.

Segundo a Wikipedia:

“A Música Popular Brasileira (mais conhecida como MPB) é um gênero musical brasileiro. A MPB surgiu a partir de 1966, com a segunda geração da Bossa Nova. Na prática, a sigla MPB anunciou uma fusão de dois movimentos musicais até então divergentes, a Bossa Nova e o engajamento folclórico dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, os primeiros defendendo a sofisticação musical e os segundos, a fidelidade à música de raiz brasileira. Seus propósitos se misturaram e, com o golpe de 1964, os dois movimentos se tornaram uma frente ampla cultural contra o regime militar, adotando a sigla MPB na sua bandeira de luta.

Depois, a MPB passou abranger outras misturas de ritmos como a do rock, soul e o samba, dando origem a um estilo conhecido como samba-rock, a do música pop e do Samba, tendo como artistas famosos Gilberto Gil, Chico Buarque e outros e no fim da década de 1990 a mistura da música latina influenciada pelo reggae e o samba, dando origem a um gênero conhecido como Samba reggae.

Apesar de abrangente, a MPB não deve ser confundida com Música do Brasil, em que esta abarca diversos gêneros da música nacional, entre os quais o baião, a bossa nova, o choro, o frevo, o samba-rock, o forró, o Swingue e a própria MPB.

A MPB surgiu exatamente em um momento de declínio da Bossa Nova, gênero renovador na música brasileira surgido na segunda metade da década de 1950. Influenciado pelo jazz norte-americano, a Bossa Nova deu novas marcas ao samba tradicional.

Mas já na primeira metade da década de 1960, a bossa nova passaria por transformações e, a partir de uma nova geração de compositores, o movimento chegaria ao fim já na segunda metade daquela década. Uma canção que marca o fim da bossa nova e o início daquilo que se passaria a chamar de MPB é Arrastão, de Vinícius de Moraes (um dos precursores da Bossa) e Edu Lobo (músico novato que fazia parte de uma onda de renovação do movimento, marcada notadamente por um nacionalismo e uma reaproximação com o samba tradicional, como de Cartola).”

Elis Regina interpretando Arrastão de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, foi a primeira colocada no 1º Festival de Música Popular Brasileira MPB em 1965

Sob a sigla MPB aconteceram diversos festivais de música que revelaram grandes nomes no cenário nacional, e muitos internacionalmente conhecidos: Gilberto Gil, Chico Buarque, Elis Regina, Caetano Veloso, Vinicius de Morais, Edu Lobo, Baden Powell, Nara Leão, Geraldo Vandré, Dori Caymmi, Rita Lee, Paulinho da Viola, etc etc.  Por ser música brasileira, obviamente as músicas eram todas cantadas na língua portuguesa.

A Wikipédia, quando pesquisada a título de Festival de Música Popular Brasileira-MPB, ainda esclarece a forma de nascimento da sigla MPB:

Festival da Música Popular Brasileira foi uma série de programas transmitidos por algumas emissoras de televisão brasileira (TV Excelsior, TV Record, TV Rio, Rede Globo) entre os anos de 1965 a 1985. Esses festivais consolidaram a música popular brasileira, além de revelar e consolidar grandes compositores e interpretes da nossa música ( Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, entre outros).

Nessa época (décadas de 1960 e 1970) o Brasil vivia sobre o regime político ditadorial militar, que por meio de seu autoritarismo e repressão mantinha o controle em vários aspectos da vida social brasileira, principalmente na área da cultura (música, teatro, cinema e literatura). Apesar de toda vigilância, repressão e perseguição dos agentes do DOPS (polícia política) em todas as áreas ligadas a cultura surgiram formas de protestos contra o regime militar. Na música, em especial, surgiram canções de cunho social e de protestos, que chegaram a uma grande parcela da população devido principalmente a participação desses músicos e canções nos grandes festivais realizados pelas emissoras de televisão …”

Gilberto Gil e os Mutantes cantaram - Domingo no Parque - 2ª colocado no Festival de MPB de 1967.

Disso se deduz que como uma referência em letras minúsculas, música popular brasileira, ela já existia desde o período colonial do Brasil, ou seja, quando era ainda uma colônia de Portugal, que abrangia gêneros de música de diversas origens, a africana, européia, a dos índios, etc, tal como explica o site Sua Pesquisa.  Porém, nos anos 60, em letras maiúsculas e com sigla, a MPB Música Popular Brasileira passou a definir um gênero de música que, a princípio, era mais restritiva, mas com o decorrer do tempo passou a ser mais abrangente, a misturar outras variantes, dando o exemplo das músicas de Daniela Mercury com o seu “axé“.   Mas, é muito importante destacar que o MPB só tem validade para as músicas cantadas em português, pois é a língua nativa e representativa dos brasileiros.

Uma interessante definição do que é a MPB peguei na Yahoo! Respostas de uma mulher que infelizmente não anotei o nome e nem a acho mais:

“A importância da Música Popular Brasileira no cenário de nossa cultura é inegável. Pode-se constatar que a MPB, além de sua relevância como manifestação estética tradutora de nossas múltiplas identidades culturais, apresenta-se como uma das mais poderosas formas de preservação da memória coletiva e como um espaço social privilegiado para as leituras e interpretações do Brasil”

Em negrito destaquei: tradutora de identidade e forma de preservação de memória, é o que seria a função de um gênero, ou, compilação de um gênero de músicas reunidas em torno de uma sigla em maiúsculo – MPB (Brasil), ou, MPP (Portugal), ou …

E é disto que quero falar numa outra postagem, em forma de proposta de uma idéia e iniciativa … para isso, e a quem interessar possa, no futuro,, a leitura e o entendimento do que foi escrito aqui neste blog será importante para a sua compreensão.  Infelizmente, as minhas pesquisas sobre a MPP – Música Popular Portuguesa não foram bem sucedidas, mesmo que feitas através de sites de Portugal, como a SAPO e a AEIOU.  Se alguém se interessar em contribuir com isso, ficaria bem agradecido.

Vejam a seguir três vídeos do Festival de Música Popular Brasileira – MPB de 1967, em São Paulo, Brasil:

Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo cantam Ponteio (1º colocado):

Caetano Veloso canta Alegria, Alegria (4º lugar)

Chico Buarque canta Roda Viva (3º lugar)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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