Cronicas Macaenses

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Zodíaco Chinês: Os Animais do Nosso Destino

Quando iniciava-se o ano de 1993, Luís Ortet escreveu o artigo – Os Animais do Nosso Destino – para a Revista Macau.  Aquele era o Ano do Galo e o mais conhecido geomante de Hong Kong, Sung Siu Kwong, fazia as previsões para cada signo do horóscopo chinês.  Vejamos então o que Ortet escreveu, e depois vão ver as características do nascido sob o signo de Dragão pelo seu Ano em 2012:

OS ANIMAIS DO NOSSO DESTINO

por Luís Ortet

Revista Macau Janeiro de 1993

Do Rato ao Porco são doze os animais do zodíaco chinês — os que responderam ao chamamento de Buda diz a crença

Ao contrário do zodíaco ocidental, que deriva do movimento aparente do Sol ao longo do ano e é dividido em doze partes, o zodíaco oriental assenta no ciclo de 60 anos do calendário chinês, que é formado por cinco grupos de doze. Cada ano, no calendário chinês, é definido por dois caracteres, um celeste e um terrestre.

A astrologia chinesa utiliza nos seus cálculos um conjunto de 22 caracteres, dos quais dez são conhecidos como as raízes celestes e os restantes doze como os ramos terrestres.

As dez raízes celestes são, romanizando do mandarim, jia, yi, bing, ding, wu,ji, geng, xin, ren e gui. São dos mais antigos caracteres da língua chinesa e representam dez princípios universais, a quintessência de tudo o que existe.

Os doze ramos terrestres são zi, chou, yin, mao, chen, si, wu, wei, shen, you, xu e hai. São caracteres de aparição mais recente (a primeira referência escrita data do século v a. C.) e terão surgido primeiro para designar as doze horas do dia (cada hora chinesa tem 120 minutos), depois os doze meses do ano e, finalmente, os doze anos do ciclo do planeta Júpiter, a que correspondem, também, os doze animais do zodíaco.

Num ciclo de 60 anos as raízes celestes aparecem pela sua ordem natural e repetem-se seis vezes, enquanto os doze caracteres terrestres repetem cinco ciclos.

Como resultado, cada ano chinês, ou lunar, é definido por dois caracteres, um celeste e outro terrestre.

Em 1984 iniciou-se um novo ciclo de 60 anos. Esse ano é definido pelo caracter celeste jia e pelo terrestre zi que são os primeiros das séries correspondentes. O ano seguinte, 1985, corresponde ao segundo caracter celeste (yi) e ao segundo caracter terrestre (chou). E assim por diante, até as dez raízes celestes se repetirem seis vezes e os ramos terrestres cinco vezes. Isto é, o novo ciclo de 60 anos só começará em 2044.

Por outro lado, cada um dos doze caracteres terrestres equivale a um dos animais do zodíaco chinês.

O ano de 1984, cujo caracter terrestre é zi, corresponde ao Rato. O ano seguinte (chou) ao Búfalo; 1986 (yin) ao Tigre, até se cumprir a primeira série de doze caracteres terrestres, o que acontece em 1995 com o caracter hai, que corresponde ao Porco. 1996 volta a ser um ano correspondente ao caracter zi, portanto ao Rato.

Paralelamente há uma correspondência entre os cinco caracteres celestes e os cinco elementos. Os dois primeiros, jia e yi, correspondem ao elemento madeira; bing e ding ao fogo; wu e ji à terra; geng e xin ao metal; e os dois últimos, ren e gui, ao elemento água.

Assim, 1984, além de ser um ano do Rato é também do elemento madeira. Em 1995, embora seja também um ano do Rato, o elemento difere, pois é o fogo. O ano do Rato de 2008 é do elemento terra, 2020 é do Rato e do metal e 2032, do Rato e da água.

De facto há cinco subtipos para cada signo, de acordo com o elemento, e alguns livros de divulgação incluem textos correspondentes.

Só que. mesmo assim, está-se longe do horóscopo chinês completo. De acordo com um ramo da astrologia chinesa conhecido como os oito caracteres, ou pát tsi dialecto cantonense), muito popular em Macau e Hong-Kong, aquele só fica completo com os dois caracteres correspondentes ao ano. os dois do mês, outros tantos ao dia e dois também para a hora de nascimento. Só com a totalidade desses oito caracteres se pode conhecer a personalidade e prever o futuro de uma pessoa, dizem os astrólogos. Cada caracter só faz sentido quando ibtegrado no conjunto dos oito, pois o mais importante são as interacções entre eles.

Por essa razão os astrólogos chineses não atribuem muita importância ao signo do ano, isto é, ao caracter celeste do ano. No entanto, os doze animais são muito populares e não exigem cálculos, pelo que mesmo os astrólogos mais exigentes acabam por aceitar a moda embora a considerem como uma mera crença popular. À semelhança do que se faz no Ocidente a propósito dos doze signos do zodíaco.

As interpretações para cada um dos doze signos que aqui se apresentam baseiam-se não só nos traços habitualmente descritos nos livros de divulgação em língua inglesa, mas também numa interpretação feita pelo astrólogo de Macau Sit Tin Kei e também num popular livro de divulgação em língua chinesa. Mais do que a precisão científica das descrições, que não está em causa, sobressai o à-vontade com que a imaginação chinesa transpõe para o comportamento humano as características dos animais que constituem o zodíaco.

DRAGÃO

O Dragão é o único signo do zodíaco chinês que não corresponde a um animal real, sendo um elemento mítico que sugere a interferência do sobrenatural.

Os chineses esperam que uma criança nascida no ano do Dragão traga qualquer coisa de novo e de bom, incluindo a felicidade para a família que a recebe. É sem dúvida o mais popular signo oriental, rodeado de mito e carisma.

Como o animal mítico, que, com o seu sopro, desfaz e reforma nuvens, assim os nascidos no ano do Dragão são bastante decisivos nas suas acções e deixam uma marca da sua passagem pela vida.

O entusiasmo, uma imaginação sem limites, a profunda confiança em si próprios e um idealismo que não se deixa abater perante as dificuldades são os traços fundamentais que a tradição chinesa atribui aos nascidos no ano do Dragão.

Eles não podem nem devem tentar ser iguais aos seus semelhantes. Uma carreira de funcionário exemplar seria uma violentação das suas naturezas.

Por outro lado, quanto mais difíceis e exigentes forem as tarefas a que se entregarem mais facilmente brilharão. Diz-se que são vocacionados para o êxito e protegidos pela boa sorte.

Quanto aos defeitos, o tacto e a diplomacia não são os seus pontos fortes e a sua franqueza gera frequentemente ressentimentos.

Devem disciplinar a sua impulsividade, pois de outro modo não conseguirão tirar proveito das suas invejáveis qualidades.

Depois da entrada, por vezes brilhante, na vida adulta os nascidos no ano do Dragão tendem a assistir, a partir dos 30 anos, a um abrandamento no ritmo dos seus progressos, como se a boa sorte os abandonasse. Nomeadamente, poderão deparar-se com um obstáculo quase intransponível. Essa será a grande prova das suas vidas, que condicionará o futuro.

Uma vez vencida a crise, ficam então em condições de partir para uma ascensão fulgurante e espectacular, imitando, como dizem os chineses, o vôo do dragão “subindo aos céus”.

No amor, diz-se que são mais feitos para serem amados do que para amar.

Diz-se também que as pessoas do sexo feminino, bastante capazes profissionalmente, tendem a protelar o momento do casamento, talvez por valorizarem bastante a sua realização pessoal, ou por inconscientemente aguardarem pela chegada do príncipe encantado dos seus sonhos.

O estado do tempo no momento em que nasce uma pessoa no ano do Dragão é também tido em conta. A tempestade prenuncia uma vida agitada e cheia de perigos ao passo que o bom tempo — a calma do céu e do mar — indica uma existência mais amena e protegida e um temperamento mais suave.

DRAGÃO – Nome Chinês : Long

  • 16/02/1904 a 03/02/1905
  • 03/02/1916 a 22/01/1917
  • 23/01/1928 a 09/02/1929
  • 08/02/1940 a 26/01/1941
  • 27/01/1952 a 13/02/1953
  • 13/02/1964 a 01/02/1965
  • 31/01/1976 a 17/02/1977
  • 17/02/1988 a 05/02/1989
  • 05/02/2000 a 24/01/2001
  • 23/01/2012 a 09/02/2013

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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