Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

A Via-Sacra do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (201)

Noutra postagem de 06 de Abril o assunto foi o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas do Campo, cidade histórica de Minas Gerais, BrasilNesta, o tema é sobre a Via-Sacra e suas capelas que compõem o complexo religioso do Santuário, verdadeiras obras-prima do artista Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, que hoje é classificado Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Vamos conhecer melhor as capelas e suas esculturas com os textos extraídos da enciclopédia livre Wikipedia (histórico) e do Guia Bravo! de Cultura das Cidades Históricas de Minas Gerais (texto das fotos):

 Via-Sacra ou Via-Crucis do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos

Congonhas do Campo – Minas Gerais – Brasil

(fotografias de/photos by Rogério P.D. Luz)

A primeira igreja do novo Matosinhos de Minas Gerais foi construída em 1773, com a construção, anos após, entre 1780 e 1793 da Via Crúcis do sopé do morro até o santuário. Em 26 de julho de 1957, o Papa Pio XII, reconhecendo a importância histórica, artística e religiosa do conjunto, elevou a igreja principal à dignidade de Basílica Menor. A via-sacra é composta por uma série de capelas de planta quadrada, paredes caiadas e teto de quatro águas que abrigam cenas da Paixão de Cristo representadas mediante conjuntos esculturais esculpidos em cedro brasileiro e policromias, seguindo a estética sentimental e rebuscada do rococó.

O sacro caminho desenrola-se em ziguezague, subindo por uma ladeira simbólica na qual organizavam-se procissões de penitência para expiar as culpas da sociedade opulenta do final do século XVIII neste importante centro minerário do Novo Mundo

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (207)

A capela da esquerda é a mais antiga e bem acabada, e abriga a cena da Última Ceia. Na capela da direita, está a cena do Passo do Horto.

A Via Crucis, nas capelas

Desde 1796 o Aleijadinho encarregara-se de fazer 66 estátuas de tamanho natural, em cedro, para a Via Crucis das seis capelinhas votivas, trabalho findo em 1799. Mas a construção das capelas demorou: a primeira ficou pronta apenas em 1808. As figuras se inspiram no conjunto do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal. A pintura das estátuas foi encarregada a Francisco Xavier Carneiro e Manuel da Costa Ataíde, o grande pintor mineiro do século XVIII.

As cenas da Via Crucis são feitas em cedro: no sopé da rampa, a A última ceia tem imagens inteiramente esculpidas pelo Aleijadinho, pintadas por Ataíde. O Cristo, de beleza serena, é semelhante aos profetas, com rosto estreito, ossos salientes, cabelo abundante, barba em sulcos apertados, mas a roupa adere mais ao corpo.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (210)

Jesus no Horto ou no Jardim das Oliveiras mostra uma figura formosa, o belo Cristo ajoelhado, de olhos orientais e persuasivos, o Anjo da Paixão (como seu companheiro da abside da igreja de São Francisco) pertence à tradição portuguesa, de olhos muito abertos, modo de estar cravado no solo, para criar o efeito que flutua no ar, cobre o fundo da cena com imensas asas abertas; o panejamento é característico do Aleijadinho, anguloso como lata amassada; há três apóstolos adormecidos, Tiago, Pedro e João. Trata-se de uma autêntica obra prima – apenas estes dois passos foram inteiramente feitos pelo Aleijadinho.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (209)

Passo da Prisão: Aleijadinho esculpiu apenas Jesus e o apóstolo Pedro. Seus auxiliares esculpiram as demais esculturas.

A prisão do Cristo tem oito figuras, Cristo, Pedro, Malco, servo do Sumo Pontifice de Jerusalém, Judas e quatro soldados. É um notável estudo da expressão dos personagens: violência encarnada por Pedro que se opõe: a ira do pescador de homens contra a mansidão do Cristo, que cura a ferida do soldado, voltando a prender no lugar a orelha cortada por Pedro.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (203)

Passos da Flagelação e da Coroação dos Espinhos: Aleijadinho apenas esculpiu as imagens de Cristo nesta capela que abriga as duas cenas de açoitamento de Cristo e recebendo a coroa de espinhos. Seus auxiliares esculpiram as demais imagens.

A flagelação e coroação de espinhos mostra dois grupos numa capelinhas, os centuriões caricaturais, guardando lembrança da Idade Média, contraste com o Cristo apolíneo. Raro exemplo de nu na escultura do século XVIII. Os dois Cristos são do mestre Aleijadinho. Notáveis os braços, veias salientes e marcadas, no rosto o abandono, vigor especial ao sofrimento na estrutura fisico de atleta. Rostos sempre delgados, deixando adivinhar os ossos sob a pele.

Na coroação de Espinhos as pernas de Jesus novamente expostas, pateticamente, coroado de espinhos, de nobreza assombrosa, o irrisório cetro oferecido pelos soldados.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (214)

Passo da Subida ao Calvário: uma obra-prima do Aleijadinho, o “Cristo da Cruz-às-Costas. Observem a dramaticidade do rosto de Cristo com expressão de dor.

Jesus carregando a Cruz às costas – tropeça, observado pelas Santas Mulheres ou filhas de Jerusalém, uma com rosto que parece o Anjo da Paixão. Trajes recordando as figuras de presépios de barro dos fins do século XVIII. Maravilhosa figura do Cristo, expressão horrorizada do rosto, dedos tensos, pernas sangrentas, rosto do soldado ao fundo é a caricatura do rosto do Cristo, sempre na tradição portuguesa. Feitos pelo Aleijadinho o Cristo e a mulher que enxuga as lágrimas com o lenço.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (216)

Passo da Crucificação: Apenas as imagens de Cristo e do mau ladrão são atribuídas a Aleijadinho. Pode ser que tenha contribuído nas esculturas de Maria de Madalena e do centurião.

A crucifixão mostra a grande vítima em holocausto. Faltaria o brio das outras? As figuras separadamente sim, o conjunto não. Nas cabeças do Cristo, o Aleijadinho é sempre um escultor do século XVIII: cabelos simplesmente divididos, lábios delicados, entreabertos, superfície terna da carne, são todos de sua mão – embora discípulos devam ter esculpido outras figuras.

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Nesta capela está a obra-prima de Aleijadinho da cena de “Cristo da Cruz-às-Costas”, o Passo da Subida ao Calvário.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (204)

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (206)

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (217)

Passo da Ceia: As imagens da Última Ceia encontram-se na capela mais antiga e bem acabada do Santuário. O crédito das 14 esculturas é do Aleijadinho.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (208)

A capela da cena de Passos da Flagelação e da Coroação de Espinhos

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (212)

Passo do Horto: Retrata Jesus no Jardim de Oliveiras, com o anjo (vide foto seguinte) oferecendo uma taça de fel. Acredita-se que as esculturas sejam do Aleijadinho.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (213)

Passo do Horto: (vide o texto na foto anterior) Nesta foto pode-se ver o anjo oferecendo uma taça de fel a Jesus.

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (215)

Passo da Subida ao Calvário noutro ângulo (veja o texto noutra foto)

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (211)

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (205)

Na capela da esquerda, a cena do Passo da Crucifiação e da direita, o Passo da Subida ao Calvário

* Veja também os Doze Profetas do Santuário.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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