Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P. D. Luz,

‘A Gruta de Camões’ de Macau em postais ilustrados

"Camões na Gruta de Macau" gravura, Lisboa, D.F.Lopes, 1886

“Camões na Gruta de Macau” gravura, Lisboa, D.F.Lopes, 1886

Em Junho de 1999, foi lançada uma coletânea de 10 postais ilustrados por vários artistas denominada “A Gruta de Camões”, de Macau,, por ocasião do Colóquio Homenagem ao Luís de Camões da Organização Mundial de Poetas.  A edição era da Fundação Macau e do Instituto Internacional de Macau.

Reproduzo nesta postagem cinco desses postais com um histórico, extraído da enciclopédia livre Wikipedia, referente à passagem do poeta Camões pelo Oriente, inclusive Macau onde existe um jardim com o seu nome e onde está a gruta em pauta.

"A Gruta de Camoes, Macau" gravura de S.Bradshaw, segundo desenho de Thomas Allom, C. 1943 - Colecção do Museu de Arte de Macau

“A Gruta de Camoes, Macau” gravura de S.Bradshaw, segundo desenho de Thomas Allom, C. 1943 – Colecção do Museu de Arte de Macau

A PASSAGEM DE LUÍS DE CAMÕES PELO ORIENTE (Wikipedia)

Viajou na nau São Bento, da frota de Fernão Álvares Cabral, que largou do Tejo em 24 de março de 1553. Durante a viagem passou pelas regiões onde Vasco da Gama navegara, enfrentou uma tempestade no Cabo da Boa Esperança onde se perderam as três outras naus da frota, e aportou em Goa em 1554. Logo se alistou no serviço do vice-rei Dom Afonso de Noronha e combateu na expedição contra o rei de Chembé (ou “da Pimenta”). Em 1555, sucedendo a Noronha Dom Pedro Mascarenhas, este ordenou a Manuel de Vasconcelos que fosse combater os mouros no Mar Vermelho. Camões acompanhou-o, mas a esquadra não encontrou o inimigo e foi invernar a Ormuz, no Golfo Pérsico.

Provavelmente nesta época já iniciara a escrita de Os Lusíadas. Ao retornar a Goa em 1556, encontrou no governo Dom Francisco Barreto, para quem compôs o Auto de Filodemo, o que sugere que Barreto lhe fosse favorável. Os primeiros biógrafos, contudo, divergem sobre as relações de Camões com o governante. Na mesma época teria surgido a público uma sátira anónima criticando a imoralidade e a corrupção reinantes, que foi atribuída a Camões. Sendo as sátiras condenadas pelas Ordenações Manuelinas, terá sido preso por isso. Mas colocou-se a hipótese de a prisão ter ocorrido graças a dívidas contraídas. É possível que permanecesse na prisão até 1561, ou antes disso tenha sido novamente condenado, pois, assumindo o governo Dom Francisco Coutinho, foi por ele liberto, empregado e protegido. Deve ter sido nomeado para a função de Provedor-mor dos Defuntos e Ausentes para Macau em 1562, desempenhando-a de facto de 1563 até 1564 ou 1565. Nesta época, Macau era um entreposto comercial ainda em formação, sendo um lugar quase deserto. Diz a tradição que ali teria escrito parte d’Os Lusíadas numa gruta, que mais tarde recebeu o seu nome.

Macau Gruta de Camões postais gravuras (01)

“Gruta de Camões” lápis sobre papel de Chan Kai Chon (Macau)

Na viagem de volta a Goa, naufragou, conforme diz a tradição, junto à foz do rio Mekong, salvando-se apenas ele e o manuscrito d’Os Lusíadas, evento que lhe inspirou as célebres redondilhas Sobre os rios que vão, consideradas por António Sérgio a coluna vertebral da lírica camoniana, sendo reiteradamente citadas na literatura crítica. O trauma do naufrágio, conforme disse Leal de Matos, repercutiu mais profundamente numa redefinição do projeto d’Os Lusíadas, sendo perceptível a partir do Canto VII, sendo acusada já por Diogo do Couto, seu amigo, que em parte acompanhou a escrita. Provavelmente o seu resgate demorou meses a ocorrer, e não há registo de como isso ocorreu, mas foi levado a Malaca, onde recebeu nova ordem de prisão por apropriação indébita dos bens dos defuntos a ele confiados. Não se sabe a data exata de seu retorno a Goa, onde pode ter continuado preso ainda algum tempo. Couto refere que no naufrágio morreu Dinamene, uma donzela chinesa pela qual Camões se terá apaixonado, mas Ribeiro e outros afirmam que a história deve ser rejeitada. O vice-rei seguinte, Dom Antão de Noronha, era um amigo de longa data de Camões, tendo-o encontrado em Marrocos. Certos biógrafos afirmam que lhe foi prometido um posto oficial na feitoria de Chaul, mas não chegou a tomar posse. Severim de Faria disse que os anos finais passados em Goa foram entretidos com a poesia e com as atividades militares, onde sempre demonstrou bravura, prontidão e lealdade à Coroa.

Macau Gruta de Camões postais gravuras (05)

“Gruta de Camões” óleo sobre tela de Chio Sio Chi (Macau, 1993)

É difícil determinar como terá sido o seu quotidiano no Oriente, além do que se pode extrapolar a partir de sua condição de militar. Parece certo que viveu sempre modestamente e pode ter compartilhado casa com amigos, “numa dessas repúblicas em que era costume associarem-se os reinóis”, como citou Ramalho. Alguns desses amigos devem ter possuído cultura e assim a companhia ilustrada não devia estar ausente naquelas paragens. Ribeiro, Saraiva e Moura admitem que ele pode ter encontrado, entre outras figuras, com Fernão Mendes Pinto, Fernão Vaz Dourado, Fernão Álvares do Oriente, Garcia de Orta e o já citado Diogo do Couto, criando-se oportunidades de debates literários e assuntos afins. Pode ter frequentado também preleções em algum dos colégios ou estabelecimentos religiosos de Goa. Ribeiro acrescenta que:

“Esta rapaziada que vivia em Goa, longe da Pátria e da família, no intervalo das campanhas contra o Turco (que ocorriam no verão) e muitos com pouco que fazer (no inverno), para além das preleções acima mencionadas e das leituras compulsivas (das quais muito dos clássicos: Ovídio, Horácio, Virgílio), das mulheres e guitarradas, convivendo entre si independentemente das diferenças sociais, devia reinar, divertir-se quanto baste, mesmo quando fazia poesia, sobretudo sátiras, com forte e negativo impacto social na época, susceptível de pena de prisão (Ordenações Manuelinas, Título LXXIX), e por isso com o pique da aventura e do risco. Exemplo disso é a Sátira do Torneio, uma zombaria a que se refere Faria e Sousa e que, ao contrário da Os Disbarates da Índia, não temos notícia de uma contestação erudita da autoria camoniana e que pode estar na origem de uma das prisões do nosso vate.”

É possível ainda que em tais reuniões, onde compareciam homens ao mesmo tempo de armas e de letras, e que buscavam, além do sucesso militar e a fortuna material, também a fama e a glória nascidas da cultura, como era uma das grandes aspirações do Humanismo do seu tempo, estivesse presente a ideia de uma academia, reproduzindo no Oriente, dentro das limitações do contexto local, o modelo das academias renascentistas como a fundada em Florença por Marsilio Ficino e seu círculo, onde eram cultivados os ideais neoplatónicos.

Macau Gruta de Camões postais gravuras (04)

“Gruta de Camões” gravura (188…) do Arquivo Histórico Ultramarino

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

Pesquise por tema e localidade (ordem alfabética)

Últimas 150 postagens

Estatísticas do blog

  • 722,909 hits

Monitoramento de visitas – contagem desde 01/Nov/2011

free counters

Postagens recentes: Fotoblog do Projecto Memória Macaense

Memórias de S.Paulo 2006 – festa de aniversário da Casa de Macau

Memórias de S.Paulo 2006 – festa de aniversário da Casa de Macau

Passaram-se 11 anos, não parece muito, mas vários conterrâneos e amigos nas fotos que publico da festa do 17º aniversário da Casa de Macau de São Paulo em 2006, promovida em 29 de julho, não estão mais conosco. Ficaram os bons momentos registrados da boa confraternização. Vale um momento de reflexão para sempre procurarmos um […]

Vídeo “O silêncio de um bandolim” à memória de Adalberto Remédios

Vídeo “O silêncio de um bandolim” à memória de Adalberto Remédios

O que o Adalberto Remédios mais gostava era tocar o seu bandolim. Uma paixão desde jovem nos bons tempos antigos de Macau (ex-território português na China). Costumava tocar nas festas e atividades externas da Casa de Macau de São Paulo, formando um trio com o Clemente Badaraco (viola/violão/bandolim) e Manuel Ramos (baixo/percussão), até se mudar com […]

O Dia de Portugal na Macau portuguesa de 1973, em vídeo da RTP

O Dia de Portugal na Macau portuguesa de 1973, em vídeo da RTP

Outro vídeo da saudosa Macau sob administração portuguesa nas comemorações do Dia de Portugal em 1973, na época em que o governador era  o general Nobre de Carvalho . Faz parte dos arquivos da RTP Rádio e Televisão Portuguesa que foram disponibilizados ao público no seu aniversário de 70 anos. “Macau, Campo Desportivo 28 de […]

%d blogueiros gostam disto: