Cronicas Macaenses

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Gravuras de Macau antigo e poema em patuá de Graciete Batalha

Vista de Praia Grande e o fortim de São Pedro. Artista desconhecido. Aquarela (aguarela) em papel de meados  do Século 19. Da coleção particular de Carlos Estorninho.

Vista de Praia Grande e o fortim de São Pedro(1). Artista desconhecido. Aquarela (aguarela) em papel de meados do Século 19. Da coleção particular de Carlos Estorninho.

Quatro gravuras daquela Macau de antigamente, dos tempos de possessão portuguesa, em que nem se sonhava com a transição, fazem companhia ao poema em patuá, misto com o português, de autoria da Graciete Batalha, numa perspectiva preocupante quanto ao futuro dos macaenses, filhos da terra. O material foi recolhido da Revista de Cultura (Review of Culture) editada pelo Instituto Cultura de Macau em 1994 (pré-transição de administração de Portugal para a China). Em versão inglesa “The Macanese, Anthropology – History – Ethnology”, o Editorial resume o poema da Graciete, revestida de autêntico estado de espírito macaense, como uma colocação que se resume: “amanhã estrangeiros em outra terra, amanhã estrangeiros na própria terra”. Isto para explicar a situação dos naturais macaenses de nacionalidade portuguesa, após Macau ser devolvida para a China.

Vista de Macau da Gruta de Camões - de Clark Walton. Aquarela (aguarela) colorida em 1814 (do Museu de Luís de Camões/Leal Senado/Macau)

Vista de Macau da Gruta de Camões – de Clark Walton. Pintura a cores em 1814 (do Museu de Luís de Camões/Leal Senado/Macau)

ONDE QUE TU VAI, MACAU?

– Onde que tu vai, Macau? Qui de amanhã ocê té? Já não é de Portugau Nà é de China tombé… – Ou-Mun, sim, é de China Macau foi de português. Mas agora, terá minha, Onde vou pôr meus pés? – Filho di Macau làrgado, Órfão de mãe viva, assim… Meu povo chora càlado Que nã sabe ele-as flm… – Filho de Macau làrgado… Qui de amanhã para mim?

A Ermida da Penha vista do Porto Interior - de George V. Smirnoff . Aquarela (aguarela) em papel, c.1942/1943 (do Museu de Luís de Camões/Leal Senado/Macau)

A Ermida da Penha vista do Porto Interior – de George V. Smirnoff . Aquarela (aguarela) em papel, c.1942/1943 (do Museu de Luís de Camões/Leal Senado/Macau)

WHERE ARE YOU HEADING TO, MACAO?

“Where are you heading to, Macao? To whom will you belong tomorrow? No longer you belong to Portugal But neither do you belong to China…   Ou-Mun, yes, is Chinese And Macao has been Portuguese. But nowadays, my dear land Where am I supposed to thread?   Sons of Macao, abandoned Orphans of a surviving mother; so… My people cry in silence. Wondering about the days to come…   Sons of Macao, abandoned… What will be your tomorrow?”

Vista da Praia Grande, Macau. Autoria atribuída ao Barão de Cercal . Pintura a óleo sobre tela. Da Sociedade de Geografia de Lisboa (sem data)

Vista da Praia Grande, Macau. Autoria atribuída ao Barão de Cercal . Pintura a óleo sobre tela. Da Sociedade de Geografia de Lisboa (sem data)

Nota: (1) Leia sobre o Fortim de São Pedro na postagem deste blog no: https://cronicasmacaenses.com/tag/fortim-sao-pedro/. Estava localizado no ponto onde se encontra a estátua de Jorge Álvares. Quem sabe, se fizessem escavações no local encontrariam os restos do fortim e várias peças históricas, porém preservando e respeitando a estátua.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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