Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Capela São Frei Galvão com seus restos mortais, em São Paulo

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (13)

Igreja da Luz, ou, Capela de Frei Galvão

A Igreja da Luz, mais conhecida como Capela Frei Galvão, encontra-se localizada no Mosteiro da Luz onde abriga o Museu de Arte Sacra e é o lugar de recolhimento das Irmãs Concepcionistas que vivem na clausura.

Na capela, diante do altar-mor,  encontra-se o túmulo com os restos mortais do 1º Santo brasileiro de nome completo, Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, e é motivo de peregrinação dos fiéis a fazer as suas orações e pedidos ao santo milagroso, além de retirar as pílulas da fé, gratuitamente. Frei Galvão tem o seu Santuário na cidade de Guaratinguetá, a 175 km de São Paulo, que é muito procurado por devotos nas suas peregrinações.

Frei Antônio de Sant’Ana Galvão foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 25 de outubro de 1998, e canonizado pelo Papa Bento XVI, durante sua visita ao Brasil, no dia 11 de maio de 2007.

Apesar do Mosteiro da Luz estar localizado numa avenida muito movimentada, passando pelos muros que cercam o local, pode-se sentir uma paz de espírito e a singela capela um local ideal para suas orações e meditação. Asim, vamos conhecer o local que já foi motivo de postagem do Presépio Napolitano neste blog e que está em exposição por tempo indeterminado.

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (01)

(Fotografia de/photos by Rogério P.D. Luz – clicar nas fotos menores para ampliar)

A HISTÓRIA DA CAPELA DE FREI GALVÃO E O MOSTEIRO DA LUZ

Fonte: http://www.saofreigalvao.com.br/igreja-de-frei-galvao/

O Mosteiro da Luz tem suas origens na igreja em homenagem a Nossa Senhora da Luz, erguida pelo colonizador Domingos Luís, o “Carvoeiro”. A primeira vez que se registra a existência da igreja é numa carta, em 1579 , do Padre Anchieta ao capitão Jeronimo Leitão Coco, locotenente da família Martim Afonso de Souza . Nessa época a igreja localizava-se na região Piranga ( hoje bairro do Ipiranga) .

Por volta de 1600, Domingos Luís transfere a sede da igreja e a imagem de Nossa Senhora da Luz para a região norte do Anhangabaú, conhecida como Guaré (ARROYO,1954). Nessa época, acredita-se que a igreja deveria ser pequena, rica e colorida ( ARROYO, 1954:10).

Em 1729, estando a igreja em total abandono, Filipe Cardoso, herdeiro de Domingos Luiz assumiu a sua administração e realizou relevantes mudanças : elevação do frontispício da igreja, construção do muro de cercadura , casas para os romeiros , plantação de uma horta. Após a sua morte, a igreja passou novamente por um longo período de abandono.

No período de 1765 a 1774, o capitão geral da Província, Dom Luiz Antonio Botelho Mourão ( Morgado Mateus) executou pequenos reparos onde se realizava a festa de sua padroeira , Nossa Senhora dos Prazeres.

Contudo, a parte mais complexa, incluindo o convento, foi construído por Frei Galvão.

Por volta de 1772, uma religiosa chamada Helena Maria do Sacramento teria tido visões de Jesus Cristo para a construção de um convento. Após ter conhecimento de suas visões e confirmando com o clérigo a veracidade das visões, o franciscano Antonio de Sant’ana Galvão, levou a ideia adiante, e mesmo com restrições do Marques de Pombal, que na época proibiu a abertura de novos conventos, conseguiu, em 1774, licença do governo para inaugurar o recolhimento, nos arredores da capela sendo que as Recolhidas deveriam seguir a Regra da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Sta. Beatriz.

O Mosteiro da Luz em 1867

O Mosteiro da Luz em 1867

O próprio Frei Galvão projetou e trabalhou na construção do Recolhimento, incluindo a capela.

As obras foram feitas em grande parte por doações e esmolas conseguidas por Frei Galvão e Madre Helena do Espírito Santo.

Em 1788 o conjunto adquire sua feição atual. Nessa época há a inauguração de novos claustros e transferência das irmãs.

Em 1802 é inaugurada a nova igreja ( parcialmente concluída).

Após a morte de Frei Galvão, em 1822, seu sucessor – Frei Lucas da Purificação – prossegue as obras, finalizando o Dourado da Capela e sua frente com uma torre ( o projeto de Frei Galvão eram de duas torres) e constrói o cemitério.

Em 1868, há a venda de parte do terreno ao governo provincial. Historiadores afirmam que as terras ocupadas pelo Recolhimento da Luz, chegavam até o Rio Tamanduateí. Nos terrenos vendidos foram construídos quarteis policiais.

Em 1929 , o recolhimento foi incorporado canonicamente à Ordem da Imaculada Conceição, sendo assim elevado à categoria de Mosteiro.

BIOGRAFIA DE FREI GALVÃO – SANTO ANTÔNIO SANT’ANA GALVÃO

Fonte: http://www.e-biografias.net/frei_galvao/

Frei Galvão (1739-1822) foi o primeiro santo brasileiro. Foi Canonizado pelo Papa Bento XVI, durante sua visita ao Brasil, em 11 de Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (23)maio de 2007. As pílulas de Frei Galvão, pequeninos papeis, escritos com versículos da Bíblia, dobrados e ingeridos pelos fieis, realizaram vários milagres em seus seguidores.

Frei Galvão (1739-1822) nasceu em Guaratinguetá, no interior do Estado de S. Paulo. Filho de Antônio Galvão de França, Capitão-mor, pertencia a Ordem Terceira de São Francisco e a Ordem do Carmo. Se dedicava ao comércio e era conhecido pela sua particular generosidade. A mãe, Isabel Leite de Barros, teve onze filhos e morreu com apenas 38 anos de idade com fama de grande caridosa.

Frei Galvão viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, seus pais gozavam de prestígio social e influência política. Viviam num ambiente profundamente religioso. Com a idade de 13 anos, foi para Belém, na Bahia a fim de estudar no Seminário dos Padres Jesuítas, onde já se encontrava seu irmão José. Permaneceu de 1752 a 1756, com notáveis progressos no estudo e na prática da vida cristã. Seu pai, preocupado com as ações do Marques do Pombal, contra os jesuítas, aconselhou o Frei a viver com os Frades Menores Descalços de São Pedro de Alcântara, do Convento em Taubaté, próximo a Guaratinguetá.

Aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, ingressou no noviciado do Convento de São Boaventura, na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. Durante o noviciado distinguiu-se pela piedade e pela prática das virtudes, conforme consta no livro “Religiosos Brasileiros”.

No dia 16 de abril de 1761, fez o juramento dos Franciscanos, de se empenhar na defesa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, doutrina ainda controvertida, mas aceita e defendida pela Ordem Franciscana. Um ano depois foi admitido à ordenação sacerdotal, em 11 de julho de 1762. Depois de ordenado foi mandado para o Convento de S. Francisco em São Paulo, com o fim de aperfeiçoar os estudos de filosofia e teologia como também de exercitar-se no apostolado.

Sua maturidade espiritual teve sua expressão máxima na “entrega a Maria” como o seu “filho e escravo perpétuo”. Terminado os estudos, em 1768, foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado importante porque pela comunicação com as pessoas permitia fazer um grande apostolado, ouvindo e aconselhando a todos.

Foi confessor estimado e muitas vezes, quando era chamado, ia a pé mesmo aos lugares distantes. Em 1769-70 foi designado Confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as “Recolhidas de Santa Teresa” em São Paulo. Neste Recolhimento, encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, observante da vida comum, que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, como confessor, ouviu e estudou tais mensagens e solicitou o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, que reconheceram tais visões como válidas.

A data oficial da fundação do novo Recolhimento é 2 de fevereiro de 1774. Irmã Helena queria modelar o Recolhimento segundo a Ordem Carmelitana, mas o Bispo de São Paulo, franciscano e defensor da Imaculada, quis que fosse segundo a das Concepcionistas aprovadas pelo Papa Júlio II, em 1511. A fundação passou a se chamar “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência” e Frei Galvão, seu fundador.

No dia 23 de fevereiro de 1775 morre a Irmã Helena. Durante quatorze anos (1774-1788) Frei Galvão cuidou da construção do Recolhimento. Outros quatorze (1788-1802) dedicou-se à construção da Igreja, inaugurada em 15 de agosto de 1802. A obra tornou-se por decisão da UNESCO “Patrimônio Cultural da Humanidade”.

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (08)

Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu muita atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Para elas escreveu um regulamento ou Estatuto, excelente guia de vida interior e de disciplina religiosa. O Estatuto é o principal escrito, o que melhor manifesta a personalidade do Servo de Deus. Então o Bispo de São Paulo acrescentou ao Estatuto a permissão para as Recolhidas emitirem os votos enquanto permanecessem na casa religiosa.

Em 1781, foi nomeado Mestre do noviciado de Macacu, Rio de Janeiro. O Bispo, porém, que o queria em São Paulo, não fez chegar a ele a carta do Superior Provincial. Frei Galvão foi nomeado Guardião do Convento de S. Francisco em São Paulo, em 1798 e reeleito em 1801. Tornou-se Guardião sem deixar a direção espiritual das Recolhidas. Em 1811, a pedido do Bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, no Estado de S. Paulo. Ai permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos iniciais da construção da Casa.

Voltou para São Paulo, onde permaneceu 10 anos, no Recolhimento da Luz. Durante sua doença, Frei Antônio passou a morar num “quartinho” atrás do Tabernáculo, no fundo da Igreja, graças a insistências das religiosas, que desejavam prestar-lhe algum alívio e conforto.

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (07)

Antônio de Sant’Ana Galvão morreu no dia 23 de dezembro de 1822. A pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na Igreja do Recolhimento que ele mesmo construíra. O seu túmulo é lugar de peregrinação dos fiéis, que pedem e agradecem graças por intercessão do “homem da paz e da caridade”, e fundador do Recolhimento de Nossa Senhora da Luz.

Frei Antônio de Sant’Ana Galvão foi Beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 25 de outubro de 1998. Foi Canonizado pelo Papa Bento XVI, durante sua visita ao Brasil, no dia 11 de maio de 2007.

Pílulas de Fé

Pílulas de Fé

AS PÍLULAS DE FÉ OU DE FREI GALVÃO

As pílulas de fé ou de Frei Galvão não são vendidas. São fornecidas gratuitamente aos fiéis, sendo confeccionadas exclusivamente pela Irmãs Concepcionistas. Para melhor esclarecimento e informação, veja estas ligações:

http://www.mosteirodaluz.org.br/pilulas-de-frei-galvao-2

http://www.mosteirodaluz.org.br/pedido-de-pilulas

http://www.portalvale.com.br/cidades/guaratingueta/pilulasdefreigalvao.php

OS MILAGRES DAS PÍLULAS: Certo dia, Frei Galvão foi procurado por um senhor muito aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de perder a vida.

Frei Galvão escreveu em três papelinhos o versículo do Ofício da Santíssima Virgem: Pos partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis” (Depois do par “to, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós).

Deu-os ao homem, que por sua vez levou-os à esposa. A mulher ingeriu os papelinhos, que Frei Galvão enrolara como uma pílula, e a criança nasceu normalmente. Caso idêntico deu-se com um jovem que se estorcia com dores provocadas por cálculos visicais.

Frei Galvão fez outras pílulas semelhantes e deu-as ao moço. Após ingerir os papelinhos, o jovem expeliu os cálculos e ficou curado.

Esta foi à origem dos milagrosos papelinhos, que, desde então, foram muito procurados pelos devotos de Frei Galvão, e até hoje o Mosteiro fornece para pessoas que têm fé na intercessão de Servo de Deus.

* Fonte: http://www.saofreigalvao.org.br/milagres.html

* Decreto da Arquidioce de Aparecida de 08/12/2010 regulamentou a fabricação e distribuição das Pílulas de Fé. Veja neste link: http://www.saofreigalvao.org.br/decreto-sobre-as-pilulas.html

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (02)

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (16)

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (27)

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (26)

Capela Sao Frei Galvao Museu Arte Sacra S;Paulo (28)

Mosteiro da Luz.1875

1875

A estátua de Frei Galvão que foi abençoada por Papa Francisco em 2013

A estátua de Frei Galvão que foi abençoada por Papa Francisco em 2013 no Seminário (Pousada) Bom Jesus em Aparecida

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Um comentário em “Capela São Frei Galvão com seus restos mortais, em São Paulo

  1. maria bruno
    25/08/2014

    Meu tio três vezes, pertencente a sua linhagem, tanto materno como paterno, por essa razão , montei a árvore genealógica das famílias:Galvão de frança, Lescura França, Gonçalves França, Dias dos Reis e Brisolla , da qual pertenço. Nome do livro : `Passado – Existência `.Foi gratificante , trabalho de vinte anos pesquisando, valeu o esforço, fiz para a minha par´quia a entronização da Imagem de Sao Frei Galvão.Adquiri fotos do meu bisavô materno de 150 anos, irmão do meu tataravô paterno, meus pais eram primos terceiro, meus tataravós paterno também consegui fotos.Meus bisavô materno e tataravô, eram sobrinhos terceiro de Frei Galvão, bisnetos da sexta irmã do santo, Ana Joaquina Galvão de França , e minha tataravó, Maria Teresa Lescura França , era sobrinha quarta do santo, bisneta de Izabel Leite de Barros, nome de sua mãe, irmã terceira de Frei Galvão.Só tenho agradecer essa existência.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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