No auge da Revolução Cultural de Mao Tse Tung na década de 60, em Macau, o Padre Lancelote Rodrigues foi confundido como um agente secreto da CIA. Já pensou? Os guardas vermelhos bem quiseram assim pensar, só que, ainda bem nada fizeram contra o nosso valoroso sacerdote que dedicou a sua vida às ações sociais. Veja:
O AGENTE “O-O-CROSS”
Texto de Ribeiro Cardoso extraído do seu artigo “Lancelote Rodrigues, um Padre das Arábias” publicado na Revista Macau de Junho 1993
Ao longo da sua agitada vida, Lancelote Rodrigues já passou por várias peripécias. Uma delas foi na década de 60, durante a Revolução Cultural chinesa, que aqui em Macau esteve brava, assumiu contornos especiais e ficou conhecida como o “Um, Dois Três”.
Pois bem, nesse período em que os portugueses não podiam sair à rua e a coisa esteve feia, o padre Lancelote foi acusado pelos “guardas vermelhos” de ser… um agente da CIA.
Passados estes anos todos, o padre, sempre que recorda esses momentos, dá uma gargalhada e explica:
“Isso começou com os jornais chineses, que diziam que a CIA funcionava no Centro Católico…Sabe, eu desde 1949, com a chegada dos refugiados de Xangai, lá fui conseguindo apoios financeiros substanciais, sobretudo americanos. Aliás, devo mesmo dizer que entre 1952 e 1967 arranjei apoios no valor de 90 milhões de dólares dos EUA. Claro, no calor da Revolução Cultural alguns revolucionários mais fervorosos lembraram-se de que eu era amigo dos americanos — o que, de resto, era verdade e eu nunca neguei — e desataram a chamar-me agente da CIA. Fácil, portanto. A coisa esteve feia, mas passou — e eu cá estou”.
Hoje os tempos são outros, mas como a figura de Lancelote Rodrigues está sempre na berra — este homem nunca pára! — e tem numerosos contactos internacionais há quem sussurre que ele é um quadro qualificado dos Serviços de Informações do Vaticano, que o mantém destacado às portas da China.
Posto perante esta hipótese, o bom padre Lancelote não se conteve e mais uma vez gargalhou como só ele sabe. Bebeu mais um gole do Johnny Walker Cinta Preta, reclinou-se na cadeira e sorrindo com alguma malandrice adiantou:
“Nunca tinha pensado, mas é bem capaz de ser isso. E agora percebo porque é que algumas pessoas me chamam, não o agente 007, que já não tenho idade para fazer as coisas que ele faz, mas antes o 00 Cross. Justo, justo. É isso: eu sou o 00 Cross… Mas falando a sério: eu faço relatórios para o Vaticano, que entrego ao representante da Santa Sé em Hong-Kong”.
Rogério P D Luz, amante de fotografia, residente em São Paulo, Brasil. Natural de Macau (ex-território português na China) e autor do site Projecto Memória Macaense e o site Imagens DaLuz/Velocidade.


Memória - Bandeira do Leal Senado - para nunca ser esquecida -CIDADE DO SANTO NOME DE DEUS DE MACAU, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL- Esta é a antiga bandeira da cidade de Macau do tempo dos portugueses, e que foi substituída após a devolução para a China em Dezembro de 1999
O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau (ex-território português na China por cerca de 440 anos e devolvida em 20/12/1999) sua história e sua gente.
Macaense – genericamente, a gente de Macau, nativa ou oriunda dos falantes da língua portuguesa, ou de outras origens, vivências e formação que assim se consideram e classificados como tal.
*Autoria de Rogério P.D. Luz,, macaense natural de Macau e residente no Brasil há mais de 40 anos.
Escrita: língua portuguesa mista do Brasil e de Portugal conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.


cartaz de Ung Vai Meng

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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No Anuário de Macau do ano de 1962, nas páginas finais, vários anúncios publicitários encontravam-se publicados, os quais, reproduzimos abaixo para matar as saudades de quem viveu aquela época de ouro, ou então, para curiosidade daqueles que possam se interessar em conhecer, um pouco mais, aquela Macau de vida simples, sem modernidade, mas, mais humana.

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