Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Festival da Lua ou Festival do Meio-Outono, uma festa móvel

Chang’e ascende ao céu como uma deusa depois de beber o elixir da imortalidade. (Tao Yin/The Epoch Times)

Chang’e ascende ao céu como uma deusa depois de beber o elixir da imortalidade. (Tao Yin/The Epoch Times)

O Festival da Lua, também chamado de Festival do Meio-Outono além de diversas outras denominações, é uma festa móvel: a data muda todos os anos no calendário ocidental. Explica-se que é comemorado no 15º dia do oitavo mês do calendário chinês, que é em setembro ou início de outubro, no calendário gregoriano. Como é comemorado principalmente pelos chineses, na China e no Oriente enquanto que lá é Outono, no Brasil é Primavera. Em 2014, o festival aconteceu no dia 8 de setembro e foi comemorado desde o dia 6, por três dias. No ano que vem, em 2015, ocorrerá no dia 27 de setembro.

No site de Epoch Times em português, no artigo assinado por Gao Lin, pode-se saber da lenda de origem do festival, que reproduzo:

O festival foi introduzido pela primeira vez como um feriado oficial no início da Dinastia Tang e se tornou amplamente celebrado na Dinastia Song. Na Dinastia Qing, ele se tornou tão importante quanto o Ano Novo (Yuan Dan).

Como toda festa tradicional chinesa, a origem do Festival da Lua vêm de uma história passada de geração em geração e é sempre relacionado com a senhora da Lua, Chang’e.

De acordo com uma versão desta lenda chinesa, houve um momento em que 10 sóis surgiram no céu, escaldando a Terra e privando o povo de água e vida. Um herói chamado Hou Yi subiu ao topo da Montanha Kunlun e abateu 9 dos 10 sóis com seu arco e flechas, poupando assim as pessoas da Terra.

Um dia, Hou Yi encontrou a Senhora Rainha Mãe e recebeu o elixir da imortalidade dela. O elixir, quando tomado, permitiria que alguém se tornasse um imortal e vivesse no céu. Hou Yi deu o elixir a sua esposa Chang’e para cuidar dele.

Um vizinho soube do elixir da imortalidade e tentou tomá-lo à força de Chang’e enquanto Hou Yi estava fora. Num momento de desespero, Chang’e engoliu a poção e se tornou imediatamente uma deusa e voou para o céu. Porque ela ainda se importava tanto com seu marido, ela pousou no local mais próximo da Terra, a Lua.

Quando Hou Yi voltou e descobriu que sua esposa tinha desaparecido, ele ficou arrasado. Quando ele olhou para o céu para chamar o nome dela, ele viu que a Lua naquela noite estava especialmente brilhante e cheia e teve um vislumbre de Chang’e.

Ele imediatamente trouxe os bolos favoritos de Chang’e para orar pelas bênçãos do céu. Desde então, tornou-se uma tradição para as pessoas adorarem o Céu e comemorarem com bolos da Lua aquele dia. Assim, o Festival da Lua se tornou conhecido entre os chineses.

Em 2006, o Governo chinês declarou o Festival como patrimônio cultural intangível e passou a ser uma festa nacional em 2008 comemorada com feriado. É uma época de reunião familiar, a exemplo do Natal no Ocidente. Tal como descreve o site Minhachina.com: “as pessoas da família voltam para jantar, e depois do jantar, curtem a lua, comem frutas e um doce chamado de Yue Bing – a torta da lua. Há famílias que mantêm costumes tradicionais e fazem ofertas para a lua. Este festival é bem antigo, mas ainda é muito popular na China. Áreas e etnias diferentes têm costumes diferentes neste festival. Há muitos anos, o dia 15 de agosto é um dia especial para a lua: na Dinastia Zhou (século 11 a.C – 221 a.C) tinha nesta noite celebrações para receber o tempo frio e fazer ofertas para a lua; na Dinastia Tang (618 – 907) festas para curtir a lua e compor poemas eram populares; na Dinastia Song do Sul (1127 – 1279) as pessoas se davam presentes de Yue Bing*, com o sentido de que as famílias ficassem juntas; e à noite havia sempre atividades para apreciar a lua, e passeios de barcos eram populares; e nas Dinastias Ming (1368 – 1644) e Qing (1644 – 1911), o Festival da Lua ficou mais popular, diversos costumes foram formados, como Fang Tian Deng – lanternas do céu, Wu Hou Long – a dança do dragão de fogo, etc. As duas comidas que não podem faltar nesta noite são Yue Bing e a melancia. 

* Yue Bing, a torta da lua, é um doce de forma redonda, feito com farinha de trigo e diversos recheios. A forma redonda desta comida tem o sentido de que as famílias fiquem juntas.”

Em Macau, tal como em outras cidades da China e do Oriente, as principais ruas e praças recebem decorações nunca faltando as tradicionais lanternas. Veja as imagens do antigo território português decorado com motivos chineses de autoria do tradicional fotógrafo macaense – Manuel Cardoso:

Macau 2014 – Festival da Lua

Fotografias de/photos by Manuel Cardoso

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Largo do Senado, centro de Macau. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

As tradicionais lanternas chinesas. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

As tradicionais lanternas chinesas. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Festival da Lua Meio Outono Macau 2014 Manuel Cardoso (08)

Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Comércio de itens do Festival da Luz. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

Comércio de itens do Festival da Luz. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

É costume sair pelas ruas carregando lanternas acesas. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

É costume sair pelas ruas carregando lanternas acesas. Fotografia de/photo by Manuel Cardoso

As datas do Festival da Lua nos próximos anos:

2015: 27 de setembro

2016: 15 de setembro

2017: 04 de outubro

2018: 24 de setembro

2019: 13 de setembro

2020: 01 de outubro

* Agradecimentos ao Manuel Cardoso pela cessão das fotos.

Veja outras publicações deste blog a respeito do tema nestes links:

em 2013 – https://cronicasmacaenses.com/2013/09/18/festival-da-lua-ou-festival-de-meio-do-outono-uma-festa-chinesa/

em 2012 – https://cronicasmacaenses.com/2012/09/30/china-festa-do-bolo-lunar-2012-e-as-recordacoes-da-alda-de-carvalho-angelo/

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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