Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

200 anos da morte de Aleijadinho o escultor do Brasil colonial

As esculturas dos Doze Profetas dispostas no átrio da igreja em Congonhas do Campo. Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO

Aleijadinho: as esculturas dos Doze Profetas dispostas no átrio da igreja em Congonhas do Campo. Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO

Duzentos anos se passaram da morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, em 18 de novembro de 1814, considerado o maior escultor do período barroco e que teve uma das suas grandes obras, os 12 profetas de Congonhas, reconhecidas como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. As suas obras estão concentradas principalmente em Ouro Preto, Congonhas, Sabará, São João Del-Rey, Mariana, todas do estado de Minas Gerais.

Para lembrar a data, publico várias fotos que fiz na viagem a Ouro Preto e as cidades históricas de Congonhas e São João Del-Rey e a sua biografia coletadas nos sites da Wikipedia e e-Biografias:

Aleijadinho wikipedia

(fonte: Wikimedia Commons)

ALEIJADINHO

( reprodução parcial da Wikipedia)

(do Wikimedia Commons)

(imagem de Wikimedia Commons)

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, (Ouro Preto, ca. 29 de agosto de 1730 ou, mais provavelmente, 1738 — Ouro Preto, 18 de novembro de 1814) foi um importante escultor, entalhador e arquiteto do Brasil colonial.

Pouco se sabe com certeza sobre sua biografia, que permanece até hoje envolta em cerrado véu de lenda e controvérsia, tornando muito árduo o trabalho de pesquisa sobre ele e ao mesmo tempo transformando-o em uma espécie de herói nacional. A principal fonte documental sobre o Aleijadinho é uma nota biográfica escrita somente cerca de quarenta anos depois de sua morte. Sua trajetória é reconstituída principalmente através das obras que deixou, embora mesmo neste âmbito sua contribuição seja controversa, já que a atribuição da autoria da maior parte das mais de quatrocentas criações que hoje existem associadas ao seu nome foi feita sem qualquer comprovação documental, baseando-se apenas em critérios de semelhança estilística com peças documentadas.

Toda sua obra, entre talha, projetos arquitetônicos, relevos e estatuária, foi realizada em Minas Gerais, especialmente nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas. Os principais monumentos que contém suas obras são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Com um estilo relacionado ao Barroco e ao Rococó, é considerado pela crítica brasileira quase em consenso como o maior expoente da arte colonial no Brasil e, ultrapassando as fronteiras brasileiras, para alguns estudiosos estrangeiros é o maior nome do Barroco americano, merecendo um lugar destacado na história da arte do ocidente.

 

(fotografias de/photos by Rogério P.D. Luz – clicar nas fotos menores para ampliar)

Cena da Paixão de Cristo, no Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas

Cena da Paixão de Cristo, no Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo (foto Rogério P.D. Luz)

Lista de obras documentadas

Informações obtidas em artigo de Felicidade Patrocínio na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.26

1752 – Ouro Preto: Chafariz do Palácio dos Governadores. Risco do pai, execução de Aleijadinho.

1757 – Ouro Preto: Chafariz do Alto da Cruz. Risco do pai, execução de Aleijadinho.

1761 – Ouro Preto: Busto no Chafariz do Alto da Cruz.

1761 – Ouro Preto: Mesa e 4 bancos para o Palácio dos Governadores.

1764 – Barão de Cocais : Esculpiu a imagem de São João Batista em Pedra Sabão e projetou a tarja do arco cruzeiro no interior do Santuário de São João Batista

1770 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1771 – Rio Pomba: Medição do risco do altar-mor da Matriz.

1771-2 – Ouro Preto: Risco do altar-mor da Igreja de São José.

1771 – Ouro Preto: Medição do risco da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1771 – Ouro Preto: Risco para um açougue.

1771-2 – Ouro Preto: Púlpitos para a Igreja de São Francisco.

1773-4 – Ouro Preto: Barrete da capela-mor da Igreja de São Francisco.

1774 – São João del-Rei: Aprovação do risco da Igreja de São Francisco.

1774 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1774 – Ouro Preto: Novo risco da portada da Igreja de São Francisco.

1775 – Ouro Preto: Risco da capela-mor e altar da Igreja de Nossa Senhora das Mercês.

1777-8 – Ouro Preto: Inspeção de obras na Igreja de Nossa Senhora das Mercês.

1778 – Sabará: Inspeção de obras na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1778-9 – Ouro Preto: Risco do altar-mor da Igreja de São Francisco.

1779 – Sabará: Risco do cancelo e uma estátua para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1781 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1781 – São João del-Rei: Encomenda do risco do altar-mor da Igreja de São Francisco.

1781-2 – Sabará: Cancelo, púlpitos, coro e portas principais da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1785 – Morro Grande: Inspeção de obras na Matriz.

1789 – Ouro Preto: Pedras de ara para a Igreja de São Francisco.

1790 – Mariana: Registro do segundo vereador na Casa de Câmara e Cadeia

1790-4 – Ouro Preto: Altar-mor da Igreja de São Francisco.

1794 – Ouro Preto: Inspeção de obras na Igreja de São Francisco.

1796-9 – Congonhas: Figuras dos Passos da Paixão para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

1799 – Ouro Preto: Quatro anjos de andor para a Igreja de Nossa Senhora do Pilar.

1800-5 – Congonhas: Doze Profetas para o adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

1801-6 – Congonhas: Lâmpadas para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

1804 – Congonhas: Caixa do órgão do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

1806 – Sabará: Risco do altar-mor (não aceito) para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1807 – Ouro Preto: Retábulos de São João e Nossa Senhora da Piedade para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1808 – Congonhas: Castiçais para o santuário de Bom Jesus de Matosinhos.

1808-9 – Ouro Preto: Retábulos de Santa Quitéria e Santa Luzia para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

1810 – São João del-Rei: Risco da portada e cancelo para a Matriz.

1829 – Ouro Preto: Retábulos laterais para a Igreja de São Francisco, executados postumamente

Os 12 Profetas em Congonhas do Campo

BIOGRAFIA DE ALEIJADINHO

(reprodução integral do site e-Biografias no http://www.e-biografias.net/aleijadinho/)

Aleijadinho (1738-1814) foi escultor, entalhador e arquiteto colonial. “Os Doze Profetas”, entalhados em pedra-sabão, para o terraço do “Santuário de Bom Jesus de Matozinhos”, em Congonhas do Campo; os “Sete Cristos”, para as seis “Capelas dos Passos”; a “Capela de São Francisco de Assis em Vila Rica”, são testemunho do desenvolvimento artístico de Minas Gerais, no século do ouro. Suas obras estão espalhadas pelas cidades de Ouro Preto (antiga Vila Rica), Tiradentes, São João del-Rei, Mariana, Sabará, Morro Grande e Congonhas do Campo.

Aleijadinho (1738-1814) nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, Minas Gerais, em 1738, segundo a maioria dos biógrafos. Filho do português Manuel Francisco Lisboa, mestre de carpintaria, que chegou a Minas Gerais em 1723, e de sua escrava Isabel. Estudou as primeira letras, latim e música, com os padres de Vila Rica. Teve como mestre nas artes, os portugueses João Gomes Batista e Francisco Xavier de Brito. Aprendeu a esculpir e entalhar ainda criança, observando o trabalho de seu pai que esculpiu em madeira uma grande variedade de imagens religiosas, e de seu tio Antônio Francisco Pombal, importante entalhador de Vila Rica.

Em Minas Gerais, na primeira metade do século XVIII, as construções religiosas eram só de igrejas paroquianas. Para evitar o contrabando de ouro o governo impôs que só permanecessem na capitania, os padres que realmente prestavam assistência aos paroquianos. Muitos padres que não justificaram sua permanência na região da mineração, se juntaram e criaram as confrarias e irmandades, contribuindo para grande número de construções religiosas.

A medida que a situação econômica melhorava, graças ao ouro, na segunda metade do século XVIII, surgiram as ricas construções em pedra e alvenaria. Foi nessa época que Aleijadinho desenvolveu suas atividades de escultor e projetista. Com seu estilo barroco e rococó, suas talhas, sua obra em relevo e suas estátuas, que estão presentes em construções religiosas de várias cidades mineiras, foi chamado de “Michelangelo tropical”, pelo biógrafo francês, Germain Bazin.

Uma de suas obras mais famosas é o “Santuário de Bom Jesus de Matosinhos”, em Congonhas do Campo, iniciado em 1758. A planta imita o Santuário de Bom Jesus de Braga, em Portugal. Na frente existe um terraço ornado por doze estátuas de profetas. O terraço conduz a uma rampa ladeada de sete “Capelas dos Passos” onde estão representadas por 66 imagens, em cedro e em tamanho natural, as cenas da Paixão de Cristo. A “Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência”, em Ouro Preto, é outra obra-prima. Iniciada em 1776 e concluída em 1794.

Aleijadinho com seu estilo inconfundível, traçava a planta a ser construída e supervisionava a construção. Terminada a obra, fazia os trabalhos de acabamento, dava seu toque aos frontispícios, às portas, imagens e púlpitos.

Mesmo sofrendo vários preconceitos pela sua condição de mestiço, sua genialidade acabou por consagrá-lo como escultor e projetista admirável. O maior gênio na arte colonial no Brasil. Em 1777, no auge de sua fama, surgiram os primeiros sinais da lepra ou da sífilis, não se sabe ao certo, doença que o debilitou mas não interrompeu suas atividades. Um ajudante o levava para toda parte e atava-lhe às mãos o cinzel e o martelo e a régua.

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, morreu no dia 18 de novembro de 1814, e seu corpo foi sepultado na Matriz de Antônio Dias, junto ao altar da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte.

Informações biográficas de Aleijadinho: Data do Nascimento: 29/08/1730 / Data da Morte: 18/11/1814 / Nasceu há 284 anos / Morreu aos 84 anos / Morreu há 200 anos

Igreja de São Francisco em Ouro Preto

A portada do Aleijadinho na Igreja de São Francisco em Ouro Preto

Igreja.S.Francisco.Assis.05

Relevo no pórtico da Igreja de São Francisco em São João del-Rei

Ouro Preto: Chafariz do Alto da Cruz. Risco do pai, execução de Aleijadinho

Chafarriz do Alto da Cruz

Chafarriz do Alto da Cruz

A Santa Ceia da Via Sacra em Congonhas do Campo

Congonhas Via Sacra Santuario Bom Jesus Matosinhos (217)

Igreja Nossa Senhora do Carmo em Ouro Preto: projeto em parte de Aleijadinho

Ouro.Preto.2.116.panorama

Nossa Senhora das Dores, tradicionalmente atribuída a Aleijadinho. Museu de Arte Sacra de São Paulo

Museu de Arte Sacra Sao Paulo 2014 (30)

(foto: Rogério P.D. Luz)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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