Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

10 Anos da reapresentação dos The Thunders no Encontro Macau 2004

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (02)

The Thunders, versão 2004

No próximo dia 5 de dezembro de 2014, vai completar 10 anos em que o mais famoso conjunto macaense dos anos 60 – The Thunders (Os Trovões) – reapresentou-se em grande estilo “revival”, após mais de 30 anos ausente dos palcos de Macau. Isso aconteceu no Encontro das Comunidades Macaenses – Macau 2004 que foi a 5ª edição da série e o 2º sob os auspícios da RAEM, ou seja, após a transição de soberania do território para a China em 1999.

O show aconteceu no jantar de encerramento do Encontro, que também foi motivo para o lançamento do seu CD – The Thunders de Macau – um caso de sucesso nos anos 60.  Com tiragem de 2.000 cópias, o disco vinha dentro de um livreto a contar a história do grupo musical e recheado de fotografias da época, além de letras das canções que foram sucesso e regravadas. A sua autora foi a Cecília Jorge, e o CD contou com o patrocínio da APIM-Associação Promotora da Instrução dos Macaenses também seu editor.

A expectativa do público era grande. Todos ansiavam relembrar os velhos tempos de festivais de música e dos “parties”, e quando no primeiro acorde se percebia que a canção seria nada mais nada menos que o hino dos macaenses “Macau (terra minha)“, a emoção tomou conta do ambiente. Lágrimas escorreram pelos olhos dos saudosistas. Reinava o silêncio e o coração batia forte. Muitos cliques de máquinas fotográficas e outros a filmar, todos querendo registrar este histórico momento que acabou se transformando a atração principal do Encontro, e um dos mais significativos da série.

Após o emocionante show, seguiu-se a uma concorrida sessão de autógrafos dos CDs que se esgotaram. Não sobrou nenhum dos 2.000 exemplares. Muitos levaram vários discos para dar de presente aos familiares e amigos ausentes.

Em 2006, os The Thunders voltaram se apresentar nos eventos dos “1ºs. Jogos da Lusofonia” em Macau. Após, não mais se reuniram na sua formação completa. Três dos seus componentes, Alex Airosa, Rigoberto Rosário Jr. e Armando Ritchie voltaram para o Brasil, onde ainda tocaram umas vezes nas festas da Casa de Macau de São Paulo, antes da sua dissolução definitiva. Manuel Costa, seu baterista, voltou para o Canadá e Domingos Rosa Duque permaneceu em Macau onde reside. O Armando Ritchie, depois, fez a imigração inversa, voltando a residir em Macau.

Cecília Jorge

Cecília Jorge

Cecília Jorge, autora do livreto do CD, antes do show, apresentou o conjunto com as seguintes palavras:
“Uma das melhores “colas”, das mais fortes e sólidas, para manter unidos estilhaços de uma comunidade é a partilha de um passado comum. São coisas aparentemente sem importância, os nossos pontos de referência, o bairro de cada um, que inclui os vizinhos, mas também os amigos (de outros bairros) que os frequentavam: São Lourenço, Sé, São Lázaro, Baixo Monte, Toi San …ou Tap Seac.
Partilham-se as alegrias, as tristezas, os carnavais e as festas memoráveis. Contam-se, e recontam-se aos filhos, ‘estórias’ ou menos divertidas e engraçadas. De figuras que toda a gente conhece, às vezes pelos nominhos e alcunhas. Personalidades que a maioria só fixou pelo apelido … ou pelas manias. As guerrilhas e o bairrismo, o orgulho e a solidariedade – tudo passa a ser tão comezinho, quando se olha a uma distância de quase meia vida.
Tudo é visto e repassado, quando se junta um grupo de amigos, com uma abertura imensa, que ao macaense, numa das suas melhores características, serve para divertir. E aí aparece, naturalmente, nem que seja um sorriso divertido, ou então a gargalhada sonora … a acabar com pequenas hostilidades.
Gostava que olhassem para este “resumo” da história dos Thunders como um relato que se conta numa roda de amigos. Com amizade, com o gosto de quem quer transmitir aos outros – ainda que não completamente – o que terá sido ter uma banda pop em Macau dos anos 60-70 … e tentar ser famoso.
Sonhos de juventude aliados a muita força de vontade, e muito engenho, aliados a muito talento. Jovens que fizeram por dar o melhor, com as poucas armas que tinham.
Não havia educação musical (ou melhor…já tinha deixado de haver há muito tempo) e todos os músicos “tocavam de ouvido”, e iam ensinando uns aos outros. O dinheiro escasseava … e partilhavam-se os instrumentos que havia. Era normal nas festas as bandas passarem os instrumentos aos que iam actuar a seguir, para poupar recursos.
Talvez isso ajude a situar o verdadeiro significado da popularidade dos Thunders, nos anos 1968 a 1972. Era música ‘pop’, e chamaram-lhe os musicólogos entre outras designações, ‘bubble-gum music’ … Os mais jovens aderiram quase a 100 por cento a uma vaga musical nesta região que, salvaguardadas as diferenças … de desenvolvimento e de marketing em países mais avançados, veio a produzir por exemplo, os Beatles.
Outros grupos marcaram-nos as memórias em Macau. E deles falam-nos mais as conversas em rodas de amigos do que os jornais, que na altura tratavam de outras questões. Os Thunders, bem vistas as coisas, deixaram-nos ficar composições originais … em Português e em Inglês, que ainda hoje a maioria consegue trautear. Ofereceram-nos a alegria de termos conseguido – “termos”, no sentido colectivo – triunfar em Hong Kong.
Pequenas vitórias,talvez, mas ainda assim… difíceis ! Mas deixaram-nos sobretudo a certeza de que o nosso passado têm referências: em imagem, em letra de jornal, em música, em emoções que nos unem.
A nova versão das suas mais conhecidas composições, gravadas em 2004, são por isso mesmo, uma renovação das recordações … num formato mais acessível, para melhor partilha: em cd.
Mas quem tiver os temas originais em discos de vinil… guarde-os religiosamente, como herança … já são raridade.
Lanço a cada um dos Thunders o desafio de escreverem eles próprios um romance a contar o que foi ser músico, e ser jovem naquela altura.
Teria imenso interesse.
Deixo-vos com os Thunders.”
Cecília Jorge
Macau, 5 de Dezembro, 2004

(fotografia de/photos by Rogério P.D. Luz – clicar nas fotos para aumentar)

The Thunders a interpretar "Macau (terra minha)". Sentado, Adalberto Remédios, no bandolim, foi o convidado especial para tocar na canção-hino dos macaenses.

The Thunders a interpretar “Macau (terra minha)”. Sentado, Adalberto Remédios, no bandolim, foi o convidado especial para tocar na canção-hino dos macaenses.

O público em silêncio ouvia a canção Macau. Na foto, em destaque, a menina no meio da 1ª fila.

O público em silêncio ouvia a canção Macau. Na foto, em destaque, a menina no meio da 1ª fila.

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (05)

 

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (09)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (08)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (11)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (13)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (12)A sessão de autógrafosMacau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (25)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (21)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (22)

Macau Encontro Comunidades Macaenses 2004 Thunders (14)

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Publicado às 25/11/2014 por em The Thunders em 2004 e marcado , , , , .

Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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