Cronicas Macaenses

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A história da ‘Casa da Gruta de Camões’ de Macau

Conheça a história do palacete do Jardim de Camões atualmente ocupada pela Fundação Oriente

CASA DA GRUTA DE CAMÕES

Texto e imagens antigas do livro “Cem Anos que Mudaram Macau” de autoria de Sérgio Infante, Rogério Beltrão Coelho, Paula Alves e Cecília Jorge – edição do Governo de Macau-1995

A designação mais lógica e natural do palacete será o de Casa da Gruta de Camões. No entanto,foi conhecido, ao longo da história, por Casa da Quinta da Gruta de Camões, Casa do Horto, Casa das Rolas ou Casa dos Pombos (Pak-Kap-Chao, em chinês).

É frequente referir o ano de 1770 como o da construção do palacete que viria a ser utilizado, durante largos anos, como residência do presidente do Select Committee da Companhia Inglesa das Índias Orientais.

O mais antigo proprietário conhecido — o Conselheiro Manoel Pereira — tê-la-á comprado ao seu primitivo proprietário, sendo frequente afirmar-se que em 1815 o edifício já lhe pertencia, embora tudo leve a crer que Manoel Pereira nunca viveu no seu palacete do Jardim Camões.

Manoel Pereira morreu em 1826, quando a futura herdeira da Casa, sua filha Maria Ana Josefa Cortela Pereira (que viria a casar com um primo, Lourenço Caetano Marques), tinha apenas onze meses.

Enquanto o palacete pertenceu ao casal Lourenço Marques, ali se hospedaram, entre outros, o presidente Grant, dos EUA, o duque de Alançon (herdeiro do rei de França), o príncipe do Sião e vários governadores de Hong-Kong.

No passado, o mais ilustre dos hóspedes terá sido Lord George Macartney, durante a sua embaixada à China (1792-94).

Em 1885 o Governador Thomaz Rosa comprou por 35.000 patacas a Lourenço Marques e sua esposa, D. Maria Pereira Marques, a propriedade urbana e rústica denominada «Gruta de Camões».

Após a compra pelo Estado o palacete conheceu várias utilizações, tendo funcionado, a partir de 1960 e durante cerca de 20 anos, como Museu Luís de Camões.

Em Maio de 1989 foi adquirido pela Fundação Oriente para instalar a sua delegação em Macau.

Macau Casa Gruta de Camões (01)

AS ALTERAÇÕES NO EDIFÍCIO

As primeiras imagens conhecidas (finais do século XIX) apresentam um piso superior que não devia fazer parte da composição original, designadamente porque o remate em balaustrada sobre a porta principal deveria ser o prolongamento das balaustradas laterais que circundam o telhado.

Já na posse da Fazenda Pública, o edifício sofre, cerca de 1900, obras de remodelação. O piso superior é demolido e é reposta a balaustrada dos dois lados do avançado.

Macau Casa Gruta de Camões (2)

As imagens dos anos 30 apresentam já algumas persianas basculantes em vez das persianas de duas folhas de batente que aparecem desde as primeiras imagens (e que são retomadas na actualidade).

A partir dos anos 30 são também eliminadas as balaustradas de remate do telhado (que passa a terraço).

Após a compra do edifício pela Fundação Oriente procede-se, novamente, a obras de restauro. Retomam-se alguns pormenores da traça original (designadamente as persianas) e são introduzidas alterações no desenho dos jardins.

Macau Casa Gruta de Camões (3)

Macau Casa Gruta de Camões (4)

Macau Casa Gruta de Camões (5)

O palacete ocupado pela Fundação Oriente em 2007

O palacete ocupado pela Fundação Oriente em 2007 (foto: Rogério P.D. Luz)

2007

2007 (foto: Rogério P.D. Luz)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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