Cronicas Macaenses

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Em Macau, a procissão de Santo António ainda preservada

O andor com a imagem de Sto. António, na capela lateral da igreja, já preparado para a procissão. Foto M.V. Basílio

Em artigo de Manuel V. Basílio, temos o relato de mais uma tradição preservada, graças a Deus, a procissão de Santo António voltou a acontecer em Macau, antigo território português na China. Mesmo mais limitada e sem os festejos de antigamete que aconteciam no dia do Santo, que “agora só nos restam memórias” como diz o autor, a celebração foi realizada e lembrada. Isto é o que importa, mesmo com aquela pontinha de saudade! Vejamos então o que o Basílio tem a nos contar:

Foto M.V. Basílio

PROCISSÃO DE SANTO ANTÓNIO

Texto, fotos e legendas de Manuel V. Basílio

Santo António é um Santo popular e milagroso. O culto a este Santo remonta à chegada dos portugueses a Macau, pois é tido como protector da comunidade, dos navegantes e dos mais necessitados. Por isso, até hoje, continua a haver muitos devotos.

Antigamente, a procissão de Santo António era sempre realizada no dia 13 de Junho. No dia anterior, havia a tradição de vereadores do Leal Senado, incluindo o tesoureiro, irem até à igreja de Santo António fazer a entrega ao Pároco o soldo a Santo António, na qualidade de Capitão de Macau. Este acto durou séculos e a última vez que o Leal Senado pagou o soldo a Santo António foi em 1999[1].

Este ano, a festa de Santo António foi antecipada para o dia 11 (domingo). Na tarde desse dia, depois da missa, com início pelas 17H30, presidida pelo Pároco, padre Pedro Lei, sem a participação do Bispo da Diocese, devido a compromissos, realizou-se então a tradicional procissão, a mais curta de todas em Macau. A imagem do Santo, levada num andor pela Irmandade de Santo António, depois de sair do adro, percorreu uma parte da Praça de Luís de Camões, indo mais à frente do andor várias crianças, vestidas de branco e com cestinhos na mão, a lançar ao chão pétalas de flores. A procissão foi acompanhada por devotos, incluindo antigos residentes do bairro. Depois de contornar o limite da Praça, a procissão foi regressando à igreja.

Naqueles tempos …

Naqueles tempos, a procissão era muito mais longa, pois percorria a Rua de Tomás Vieira, indo depois pela Rua da Horta da Companhia (actualmente, Rua D. Belchior Carneiro), descendo pela Calçada de S. Paulo, junto às Ruínas de S. Paulo e, por fim, passando pela Rua de S. Paulo e Rua de Santo António para regressar à igreja. Quando existia uma grande comunidade macaense na paróquia, organizavam arraiais muito concorridos, no adro da igreja, com tendas ou barracas enfeitadas, para jogos e venda de petiscos e doçarias. Agora só nos restam memórias.

[1] Em 1999, no dia 20 de Dezembro, aconteceu a transição de soberania de Macau, de Portugal para a R.P. da China, encerrando os cerca de 450 anos da administração portuguesa do território.

Igreja de Santo António em Macau

Um aspecto da missa cantada, que antecedeu à procissão. Foto M.V. Basílio

Foto M.V. Basílio

Este padre, de nacionalidade coreana, actualmente pároco de Sto. António, fala várias línguas, incluindo a língua portuguesa. Foto M.V. Basílio

clicar nas fotos para ampliar

Foto M.V. Basílio

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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