Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Dia de Macau de 24 de Junho

  • Republicação anual da postagem

Para que a comunidade macaense não esqueça o Dia de Macau de 24 de Junho,  todos os anos, este blog republica esta postagem para lembrá-la da data, pois se o tema favorito entre a malta é a Identidade Macaense, tem que necessariamente incluí-la na pauta.

Que adianta bater no peito e dizer que é Macaense, ou querer discutir a Identidade se esquece a história que conta a formação da raça? Pode até uns dizer que não convém, ou têm medo diante das atuais circunstâncias do território, ou que tem que olhar para frente e esquecer o passado pois o que interessa são os casinos e prédios altos, ou por ignorância pura ou por conveniência, ou por teorias catedráticas bobas que até os japoneses são macaenses, ou que acham que ser macaense é gostar de minchi, ou tantas e tantas histórias por aí.

Acho que temos tomar uma postura e agir conforme o que acreditamos e queremos preservar, e não ficar pensando o que os outros pensam e que lhes convém. Não temos que ter vergonha em assumir o que somos, e não ficar usar outros caminhos ou disfarces. É bonito e humano pois não magoa ninguém, nem os chineses, pois nos respeitam pelo que somos e nos diferenciam deles. (Rogério P. D. Luz – 24/06/2017)

Jardim da Vitória

 

24 DE JUNHO – UMA DATA HISTÓRICA

Todos os povos têm as suas datas históricas.  Para os Macaenses não poderia ser diferente.  O dia 24 DE JUNHO – DIA DE MACAU, DIA DE SÃO JOÃO BAPTISTA – PADROEIRO DE MACAU  é uma data histórica, que não pode ser esquecida.

Nos tempos de Macau administrada pelos portugueses (por cerca de 440 anos), 24 de Junho era comemorado como o Dia da cidade de Macau e do seu Padroeiro.  Deixou de ser comemorado oficialmente após a transição de soberania de Macau para a China em 20 de Dezembro de 1999, e esta última data passou a ser celebrada como tal. No entanto, de uma forma ou outra, a data ainda é comemorada pelas comunidades macaenses da diáspora.  Em Macau é festejada com arraial digno de festas juninas para celebrar o Dia de São João Baptista.

ISTO FOI EM 1964: O CLARIM do dia 25 de Junho de 1964, em sua edição especial, comemorativa da data, falava da nossa terra, noticiava acontecimentos com a nossa gente, trazia farta propaganda.

Uma perspectiva do que poderia ter sido o ataque das forças holandesas a Macau que resultou na sua derrota

O MOTIVO DE COMEMORAÇÃO DA DATA

Quando o padre jesuíta Rho disparou um tiro de canhão e acertou com precisão, um vagão carregado de pólvora pertencente às forças invasoras holandesas, no dia 24 de Junho de 1622, Dia de São João Baptista, iniciava-se a história que originou o DIA DE MACAU.

Oitocentos soldados holandeses desembarcaram na praia de Cacilhas, hoje região do reservatório, para tentar tomar Macau.  Sessenta europeus e noventa macaenses tiveram que retroceder das areias de Cacilhas diante da sua inferioridade numérica.  Os sinos tocavam insistentemente, as senhoras refugiavam-se em São Paulo e os tesouros foram guardados no Seminário.  A cidade do Santo Nome de Deus estava desprotegida.  A maior parte dos portugueses viajara para o estrangeiro, comum naquela época do ano. Os holandeses, felizmente, não sabiam disso.

Avançando com cautela, sofreram pesado bombardeio de canhões da cidadela do Monte e um tiro disparado pelo padre jesuíta Rho acertou, em cheio, aquele vagão de pólvora.  Isto desconcertou as forças invasoras. Dirigiram-se então ao cume a Ermida da Guia onde foram detidos pelas forças lideradas por Rodrigo Ferreira. O golpe final aos holandeses deu-se com a junção de dois grupos de combate de Macau que os atacaram quando se dirigiam a outra elevação.  Em debandada, os holandeses ainda foram atacados pela população local.  No combate final em Cacilhas, os holandeses, derrotados, jogaram-se ao mar na tentativa de alcançar os barcos.  Muitos se afogaram e um dos barcos, superlotado, afundou-se. Dizem os registros portugueses que cerca de 350 holandeses morreram em combate ou afogados. Do nosso lado, os mortos foram 4 portugueses, 2 espanhóis e vários negros, para uma batalha que durou cerca de duas horas.

Para Macau, desprevenida, a vitória foi considerada um milagre.  Após os combates, foram todos à Catedral para uma solene ação de graças, tendo o Senado e os moradores feito votos de comemorar este dia daí em diante, cuja salvação da cidade foi atribuída a São João Baptista. Conta a lenda que pelo seu manto, foram desviados os tiros dos inimigos.

24 DE JUNHO – DIA DE MACAU  foi assim instituída para comemorar esta gloriosa vitória.  É o dia em que se comemora a Macau, que hoje somos nós, os macaenses, pois se tivesse ocorrido a vitória e a ocupação holandesa, a formação do nosso povo teria sido diferente, não teríamos existido.  É o dia em que ser Macaense é motivo de orgulho.  É o dia em que, sem o qual,  Macau não teria assistido ao dia 20 de Dezembro de 1999.  Já pensaram uma Macau holandesa? Poderia ter acabado muito antes daquela data e não haveria histórias para contar, como temos hoje.

Preserve o DIA 24 DE JUNHO, DIA DE MACAU como uma data histórica, DIA DE SÃO JOÃO BAPTISTA, padroeiro da Cidade de Santo Nome de Deus, Não Houve Outra Mais Leal. É o dia em que se comemora a existência do povo Macaense. Não ofende o grande povo chinês, com quem temos que manter um convívio harmonioso.

*Fonte de consulta: “Macau Histórico” de C.A Montalto de Jesus – Livros do Oriente.

Reproduzido do site Projecto Memória Macaense

A missa celebrada na Sé Catedral, em Macau, por ocasião do Dia de Macau e do seu Padroeiro, São João Baptista. Noticiado na edição do Clarim acima.

MACAU NOS TEMPOS ANTIGOS

*Gravuras publicadas no grupo Macau Histórico no Facebook postadas por Luís Dias

JARDIM DA VITÓRIA – MACAU

O Jardim da Vitória situado na Av. Sidónio Pais abriga o monumento comemorativo da vitória portuguesa sobre os holandeses em 24 de Junho de 1622. Veja as fotos que fiz em 2006:

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2 comentários em “Dia de Macau de 24 de Junho

  1. Henrique Manhao
    28/06/2017

    Caro Rogerio, Viva Macau

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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