Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P. D. Luz,

A Rua do Campo, em Macau: origem do nome, detalhes históricos e a actualidade

RUA DO CAMPO

em Macau

Texto, fotografias da actualidade e legendas de autoria de Manuel V. Basílio (Macau)

(Macau foi um território português no Sul da China por cerca de 440 anos)

Placa toponímica da Rua do Campo, em cantonense, Sôi Háng Mei Kái. Foto MV Basílio

Durante séculos existiu em Macau um pequeno vale entre os sopés das colinas da Guia e do Monte para o qual confluía a água proveniente das encostas, tendo no decurso do tempo ali criado uma vala por onde, em certas épocas do ano, corria um riacho. Por esse motivo, os chineses deram o nome “sôi háng” para designar aquela vala de água e o local onde terminava a vala ficou conhecido por “sôi háng mei” 水 坑 尾 (“soi 水 , água; “háng” 坑 , vala; e “mei” 尾 , fim ou extremidade). Este nome em chinês acabou por ficar incorporado na toponímia de Macau, quando se formou uma nova via que se estendeu, aproximadamente, até onde terminava a Rua do Hospital (1), convergindo neste ponto à existente via que ia até à Porta do Campo. Esta Porta, aberta na chamada muralha norte que descia da Fortaleza do Monte, demarcava o limite da cidade, e a partir dali, a muralha continuava, subindo quase junto da actual Rua da Colina até ao Fortim (ou Forte) de S. João e, a seguir, até ao Forte de S. Jerónimo (2). Naqueles tempos, todo o espaço territorial para além da muralha era designado por campo, por se situar fora da cidade, onde viviam agricultores chineses que cultivavam as suas hortas e faziam criações de aves e animais domésticos.  A via pública que então terminava na Porta do Campo era, e continua a ser, a Rua do Campo, enquanto que, em chinês, se generalizou o nome “Sôi Háng Mei” (literalmente, “fim ou extremidade da vala de água”) para designar toda aquela zona, tendo-lhe então acrescentado o carácter chinês “Kái”, ou seja, “rua”, de forma que a via passou a ser designada por “Sôi Háng Mei Kái“.

A Porta do Campo, aberta na muralha norte da cidade, vendo-se, parcialmente, através da porta, a torre sineira da igreja de S. Lázaro, que então ficava fora da cidade (Desenho de George Chinnery)

S. Lázaro, originalmente designada por ermida de Nossa Senhora da Esperança, junto à qual o primeiro Bispo de Macau, D. Melchior Carneiro, fundou um hospício para leprosos e, por isso, ficava fora da muralha da cidade (Desenho de George Chinnery, em 1832).

Presentemente, a Rua do Campo começa na Avenida da Praia Grande, mesmo junto do Centro Católico, e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, entre a Rua de Ferreira do Amaral e a Calçada do Poço (3). A Rua do Campo, que constitui um dos principais eixos viários da cidade, originalmente não tinha a actual extensão. Próximo do local onde começa a referida rua, existiu em tempos idos um campo conhecido por Campo de S. Francisco e foi este Campo que deu origem ao topónimo Rua do Campo, cuja artéria se estendeu depois até à Porta do Campo.

Início da Rua do Campo, na junção com a Avenida da Praia Grande, mesmo junto ao Centro Católico. O primeiro edifício do lado direito é o Edifício Ribeiro, que presentemente ficou integrado na Rua do Campo, agora com o número 7. Foto MV Basílio

De acordo com publicações em língua chinesa, o troço que ia das proximidades da Rua da Formosa até à Rua do Hospital era outrora conhecido por “Tai Chêng T’âu” 大井頭 (Tai 大 , grande; Chêng 井, poço; e, T’âu 頭 , princípio ou começo), por ter existido um grande poço público (4) próximo do início da via. Era um poço de água fresca e potável que, tal como sucedeu com muitos outros poços públicos, foi fechado, sem deixar vestígios quanto à sua exacta localização, quando a partir de 1938 a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau tomou conta de todos os poços públicos.

No entanto, procuramos saber junto de velhos residentes acerca daquele poço e um deles, de apelido Ló, já com os seus invejáveis noventa anos de idade, mas ainda com memória bem lúcida, prestou-nos um importante esclarecimento, tendo-nos dito que se situava aproximadamente defronte do actual edifício da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau (5), onde havia um pequeno espaço ajardinado que separava as faixas da via. Com o desaparecimento daquele poço público, a designação “Tai Chêng T’âu” foi caindo em desuso e agora a nova geração já nem sabe que aquele local assim se chamava.

Um troço no início da Rua do Campo, vendo-se no lado direito a parte tardoz do Centro Católico e, ao fundo, o Hotel Lisboa. Entre o edifício do Centro Católico e o prédio antigo (com uma publicidade da CTM pintada de vermelho na parede) é onde termina a Rua Formosa. Foto MV Basílio

O troço outrora designado por “Tai Chêng T’âu” chegou a ser uma zona nobre da cidade, com mansões do estilo arquitectónico ocidental e oriental, alguns dos quais ainda tivemos a oportunidade de os ver, antes de serem demolidos para dar lugar à reconstrução dos actuais prédios, ditos modernos. Tanto de um lado como do outro da rua, as mansões que existiam eram essencialmente habitadas por chineses que fizeram as suas fortunas nas principais indústrias da época, desde o jogo até ao lícito comércio do ópio. De todas essas mansões, a única que ainda resta é a que serviu de residência do magnata Kou Ho Neng (6), e que se encontra bem preservada exteriormente. Outras mansões que, segundo consta, pertenceram a Siu Ieng Chau, Leong Hau In, Fók Chi Teng ou seu filho Fók Pou Chói, foram todas já demolidas, incluindo uma, do estilo arquitectónico tipicamente chinês, que existiu no mesmo local do actual edifício Pák Hap 百合大廈 (7), com um pátio interior, que se podia ver através de um portal, adornado de granito, quando deixavam aberta a porta da entrada principal. Consta que, antes do fim do século XIX, foi naquele edifício que se fundou e editou um dos primeiros jornais chineses em Macau – o jornal 知新報 “The Reformer China” (em cantonense: Chi San Pou), cujo objecto estava em linha com os princípios reformistas do periódico 鏡海叢報 (em cantonense: Kéng Hói Chông Pou), criado por Sun Yat-sen, cerca de quatro anos antes, em Julho de 1893. Mesmo ao lado daquele prédio de arquitectura chinesa, funcionou durante muitos anos, num edifício de dois pisos, uma clínica da Associação Geral dos Operários (8); mais adiante, havia um prédio onde estava sediada a empresa Yau Vo & Cia. Construtores Civis e Empreiteiro (又和健築公司), do construtor civil Chui Tak Kei (9), uma destacada figura da comunidade chinesa, que nos anos noventa fez o reaproveitamento do terreno resultante da demolição da sede e armazéns da dita empresa Yau Vo, bem como dos prédios adjacentes, incluindo o Pátio do Comprador, que tinha a entrada por um portal, para a construção de um novo edifício, que acabou por ser adquirido pelo governo, por intermédio dos CTT (Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações), e cujo edifício é agora designado por Edifício Administração Pública; e, por fim, entre o extinto Cinema Império e o Pátio do Comprador, existia um prédio com jardim (10), onde funcionou a Escola para Filhos e Irmãos da Associação Geral das Mulheres (婦聯子弟學校), e cujo prédio, originalmente, pertenceu ao já referido comerciante Leong Hau In, uma proeminente figura no seio da comunidade chinesa de então.

Edifício da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, onde está localizada a sede da Associação dos Macaenses

Passando para o lado oposto da rua, mesmo junto à esquina onde começa a Travessa dos Anjos, havia uma mansão (11) que pertenceu a um abastado negociante chinês e que, no período da Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), serviu para as instalações de uma escola primária, denominada Wang Hón ( 宏漢學校 ). A seguir, separado por dois prédios, sendo um de dois pisos e outro de três pisos (12), havia uma outra mansão, que por essa altura também serviu para uma escola do ensino secundário, denominada Chi Iong ( 知用中學 ) (13). Foi durante o referido período de guerra que aquelas duas escolas, bem como várias outras escolas chinesas, se transferiram de Cantão para Macau (14), continuando aqui a desenvolver as suas actividades de ensino. No mesmo lado da rua, de numeração policial ímpar, está implantada a referida mansão de Kou Ho Neng, junto à esquina da Travessa do Pe. Soares (15), e a seguir a um prédio de dois pisos ergue-se o Edifício Banco Delta Ásia, ali construído, após a demolição do antigo edifício da Repartição Provincial das Obras Públicas, Portos e Transportes (16). Este edifício serviu para várias finalidades antes de ser Repartição e, segundo consta, era nesse mesmo local que o abastado macaense Francisco Paulo Noronha (17) tinha a sua residência, o qual era também proprietário de terrenos na Horta da Mitra que foram expropriados pelo governo, em 1871, tendo, por isso, reclamado por uma indemnização.

Conforme os anteriores Cadastros das Vias Públicas e de Outros Lugares da Cidade de Macau, podemos constatar que a numeração policial ímpar dos prédios ia de 1 até 69 (actualmente, até 351), enquanto que a numeração policial par ia do número 2 até 54 (presentemente, até 358). Com a introdução da actual numeração métrica, demolições de prédios antigos e respectivos reaproveitamentos, só é possível fazer as respectivas correspondências numéricas mediante consulta a registos cadastrais. Por exemplo, a numeração policial da mansão de Kou Ho Neng era 29 e, com a referida alteração, passou a ser 165.

Rua do Campo, vendo-se do lado esquerdo a mansão de Kou Ho Neng, pintada de amarelo. Do lado direito, vê-se parcialmente, em primeiro plano, o Edifício Administração Pública

Durante muitos anos, mesmo nos anos 60-70 do século passado, o troço que ia desde o início da Rua Campo até ao edifício das Obras Públicas, não era uma zona comercial. Praticamente, as lojas estavam concentradas no troço que ia desde o antigo Cinema Império até ao início da Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, onde entronca com a Rua Ferreira do Amaral e a Calçada do Poço.

Nas referidas décadas do passado, existiam do lado de numeração ímpar, a partir do fim da Rua de Pedro Nolasco da Silva, os seguintes estabelecimentos:

Foto Salon 沙龍攝影

Alfaiataria Kam Kei 錦基洋服

Consultório do Médico Lok Keng Fai 陸鏡輝醫生

TRAVESSA DO PATO

Relojoaria Soi Si 瑞士錶行

Sapataria Lok Tou 樂都鞋店

Sapataria João 康華鞋店

Foto Maxim 美心攝影

Mercearia Cheong Heng (2 lojas) 昌興辦館(2間店舖)

Artigos Eléctricos Un Kei Hong 源光行電器

Padaria Chung Kwok (2 lojas) 中國麫飽(2間店舖)

TRAVESSA DOS SANTOS

Alfaiataria Kong Lo 廣羅洋服

Residência particular de família portuguesa 葡人住宅

Padaria Militar (2 lojas) 俄國麫飽(2間店舖)

CALÇADA DO POÇO (onde termina a rua, do lado de numeração ímpar)

E, do lado de numeração par, a partir do Cinema Império, existiam os seguintes estabelecimentos:

Loja de Sorvetes Pak Kong 白宮雪糕

Artigos Eléctricos Kam Heng 錦興電器

Farmácia Chinesa Pak Leng Tong 百齡堂中藥

Artigos Eléctricos Nam Fong 南方電器

Restaurante A Vencedora 坤記餐廳

RUA DE TOMÁS DA ROSA

Tipografia Progresso 布利素印刷

Leitaria Nam Mei 南美牛奶店

Mercearia Man Lei 萬利士多

Artigos Eléctricos Nang Kong 能光電器

Carne Assada Cheong Chán 祥棧燒味店

Sopa de Fitas Vai I 唯二麫家

Padaria Ka Lan 嘉蘭麫飽

Alfaiataria Son Heng 順興洋服

Mercearia Vo Heng 和興辦館

Barbearia Iat Lok Ia 一樂也 理髮

Carpintaria Leong Lam 梁林建築

Padaria Vo Long 和隆麫飽

Mercearia On On 安安士多

RUA DA COLINA

Relojoaria Tai Meng 大名錶行

Relojoaria Veng Cau 永久錶行

RUA DE FERREIRA DO AMARAL (onde termina a rua, do lado de numeração par)

Dos estabelecimentos acima referidos, quase todos já cessaram as suas actividades, porquanto, além do centenário restaurante A Vencedora, estabelecido em 1918, pela família Lam, ainda restam a loja de artigos eléctricos Un Kei Hong, Foto Maxim, as relojoarias Tai Meng e Veng Cau. Os prédios antigos, onde funcionavam as lojas acima referidas, praticamente todos foram já demolidos, alguns dos quais, depois de reconstruídos, adoptaram o nome do estabelecimento como designação do novo prédio, tais como o edifício Vai I (唯 二 樓), onde estava a referida loja de sopa de fitas, e o edifício Cheong Chan (祥 棧 樓), um estabelecimento de carne assada. A loja de Sopa de Fitas Vai I era muito frequentada por apreciadores de “chau min”, pois era de facto um “chau min” sem igual, que muita gente ainda recorda com saudades. Depois de um bom “chau min”, era quase inevitável passar pela Mercearia On On, para uma bebida bem fresquinha, por vezes acompanhada da deliciosa bebinca de côco ou de chocolate, ou então de outras guloseimas. Para os residentes portugueses, sobretudo polícias e militares, a loja que preferentemente frequentavam era a Mercearia Cheong Heng (昌 興 辦 館), que vendia um pouco de tudo, sobretudo produtos portugueses, mas na realidade funcionava como uma autêntica tasca, onde passavam horas a tomar bebidas alcoólicas, a petiscar, sempre em animada cavaqueira e por vezes até em grande bebedeira. Para um boa e económica refeição à portuguesa, o restaurante A Vencedora, mais conhecido por Kuan Kei (18), era a primeira opção. O Cinema Império (inicialmente designado por Broadway) movimentava muitos apreciadores de filmes ocidentais, e até crianças, pois havia, aos fins de semana, uma sessão de desenhos animados (os “cartoons“, como lhes chamavam), que lhes era especialmente dedicada. Era, sem dúvida, em toda a extensão da rua, a zona mais comercial, com uma diversidade de negócios, não se limitando a produtos alimentares, pois havia uma tipografia – a Tipografia Progresso, pertencente a uma família portuguesa (19), e até uma carpintaria (20), que na própria loja fazia caixão de modelo ocidental, à medida do defunto!

NOTAS:

(1) A Rua do Hospital foi alterada para a actual denominação Rua de Pedro Nolasco da Silva, em 1942.

(2) Já não existe, visto que a colina, onde o Forte de S. Jerónimo estava erigido, foi aplanada, estando actualmente ali construído o bloco de consultas externas do Hospital Central Conde S. Januário. O Fortim ou Forte de S. João também já não existe, o qual ficava próximo da actual Travessa de S. João, uma das transversais da Rua da Colina, no bairro da Mitra.

(3) A Rua do Campo outrora começava junto das Ruas da Santa Clara e Formosa, como consta em anteriores Cadastros de Vias Públicas. Nota-se que o antigo prédio da Associação de Educação de Macau, antes de ser demolido, situava-se na Rua de Santa Clara, números 1 a 3. Presentemente, o edificio ali reconstruído, designado “China Construction Commercial Building”, faz parte da Rua do Campo, cuja entrada principal é o número 78.

(4) O Cadastro de Vias Públicas de 1957 faz menção de 1 poço público e 29 poços particulares, na Rua do Campo.

(5) É um edifício para fins comerciais e residenciais, situado junto do início da Travessa dos Anjos, no qual a Associação dos Macaenses tem a sua sede.

(6) Kou Ho Neng era o magnata que, em 1937, se associou a Fu Tak Iam, também conhecido por Fu Lou Iong, os quais constituíram a Companhia Tai Heng, que ganhou naquele ano o concurso de concessão exclusiva dos jogos de fortuna e azar em Macau, tendo o Hotel Central sido escolhido, como estabelecimento principal, para as suas actividades.

(7) Prédio onde se encontra a Padaria Maxim, ali estabelecida desde 1974, sendo esta a mais antiga loja, ainda em funcionamento, naquele troço da via.

(8) No terreno resultante da demolição do antigo prédio, foi construído um edifício para fins comerciais e habitacionais, estando ali sediada a Federação das Associações dos Operários de Macau.

(9) Falecido em 24 de Outubro de 2007, era tio de Chui Sai On, o actual Chefe do Executivo da RAEM. Chui Tak Kei desempenhou importantes cargos na vida política, empresarial e social de Macau, designadamente como presidente da Associação de Beneficência Tung Sin Tong, vice-presidente da influente Associação Comercial de Macau e vice-presidente da Assembleia Legislativa de Macau.

(10) Presentemente é o Edifício Associação das Mulheres de Macau.

(11) No sítio do actual edifício da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau.

(12) O prédio de dois pisos, depois de demolido, ficou integrado no terreno anexo, onde se construiu o actual edifício da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau; e o prédio de 3 pisos, depois de demolido, foi ali construído o actual Edifício Mei Mei.

(13) No sítio deste prédio e dos prédios adjacentes até ao início da Travessa do Pe. Soares, depois de demolidos, construiu-se em toda a extensão um novo prédio, denominado Edifício Ngan Fai, concluído em 1983. Foi neste edificio que se inaugurou há 30 anos o primeiro estabelecimento da cadeia de “fast-food” McDonald, em Macau.

(14) Incluem, designadamente, as escolas Leng Nam (嶺南中學), Pui Cheng (培正中學), Chong Tak (中德中學), bem como outras, que entretanto foram encerrando, tais como Hip Vo (協和女子中學), Châp Son (執信中學) , Yuet Sán (越山中學), Pui Ieng (倍英中學), etc.

(15) Atrás da mansão do magnata Kou Ho Neng situa-se o Pátio do Rochedo que, em chinês, é designado por 竹 園 圍 (em cantonense: Chôk Ün Vâi) e a via transversal – a Travessa do Pe. Soares, também é conhecida por 竹 園 圍 斜 巷 (em cantonense: Chôk Ün Vâi Ché Hong), o que indica ter ali existido uma plantação de bambús, visto que 竹 園 (Chôk Ün) significa jardim de bambú.

(16) Passando mais tarde a ser designada por outros nomes, designadamente Repartição de Transportes e Obras Públicas. Actualmente, é designada por Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

(17) Existe uma via que lhe é dedicada – a Rua do Noronha, que começa ao fundo da Rua Henrique de Macedo e termina na Rua Nova à Guia.

(18) O restaurante A Vencedora, mais conhecido pelo nome Kuan Kei ( 坤記 ), em cantonense, situava-se num prédio mesmo no canto junto à Rua de Tomás da Rosa, e quando aquele antigo prédio ia ser demolido, mudou-se então para um prédio vizinho e, a partir de Junho de 1992, instalou-se no actual prédio.

(19) A Tipografia Progresso pertencia a Jaime da Silva Pinho, cujo nome completo o amigo Carlos Lemos nos ajudou a confirmar, pelo que agradecemos. Era um estabelecimento que executava diversos trabalhos tipográficos e também vendia material escolar para escolas portuguesas. Muitos devem lembrar-se dos cadernos escolares da Escola Primária Oficial “Pedro Nolasco da Silva” (usualmente designada por Escola Central), que a Tipografia fazia, com uma estampa do Monumento ao Coronel Mesquita na capa e a patriótica frase da época AQUI É PORTUGAL.

(20) Carpintaria Leong Lam, em chinês, 梁林建築 (Leong Lam Kin Chôk, ou seja, Leong Lam Construções), situava-se no prédio número 46 (anterior numeração policial).

Agradecimento: Uma nota final de agradecimento ao amigo João Baptista Manuel Leão pela sua contribuição e esclarecimentos prestados relativamente às denominações das lojas existentes nos anos 60-70 do século passado, na Rua do Campo, onde durante muitos anos ele foi residente e onde o seu pai era dono de um estabelecimento.

(Texto de MV Basílio. As fotografias da actualidade são da autoria de MV Basilio, enquanto que as fotografias antigas foram baixadas da internet, designadamente do grupo Macau Old Photos ou Antigas Fotos de Macau)

Outro aspecto da Rua do Campo, com uma passagem superior para peões. Do lado esquerdo, vê-se parcialmente o Edifício Administração Pública, com uma loja dos Correios no r/c.

Outro aspecto da Rua do Campo, com a mansão de Kou Ho Neng no lado esquerdo, a única que resta, porquanto as outras foram todas demolidas. Foto MV Basílio

Entrada principal da mansão de Kou Ho Neng, vendo-se no gradeamento da porta uma pequena placa com a letra P e o símbolo 井. Era assim que identificavam as casas com poço particular, representado pela letra P, e o símbolo 井 representa o caracter chinês “chéng”, que significa poço. Foto MV Basílio

Do lado esquerdo, é a Rua do Campo e, do lado direito, a Rua de Pedro Nolasco da Silva (anteriormente, Rua do Hospital). O edifício ao centro é o Banco Delta Ásia, construído no terreno resultante da demolição do antigo edifício das Obras Públicas. Foto MV Basílio

Igreja S. Marcos e Escola Secundária Chói Kou (em inglês: Sheng Kung Hui Choi Kou School Macau), da Associação Anglicana, cujo edifício está localizado na junção entre o fim da Rua de Pedro Nolasco da Silva e a Rua do Campo. Foto MV Basílio

Actuais lojas existentes no troço que vai até ao fim da Rua do Campo, e várias das quais são lojas de artigos de desporto. Foto MV Basílio

Maxim Photo Supplies, uma loja muito conceituada, que vende equipamento e acessórios fotográficos. Foto MV Basílio

Un Kong Hong, uma das antigas lojas de venda de artigos eléctricos, que ainda resiste ao encerramento. Foto MV Basílio

Lojas de artigos de desporto, mesmo junto à Travessa dos Santos. Foto MV Basílio

Entre a loja “bauhaus” e a placa publicitária Columbia (de azul celeste) é a Calçada do Poço e, portanto, o automóvel está mesmo a chegar ao fim da Rua do Campo. Foto MV Basílio

Do lado direito, podemos ver duas pessoas a subirem pela Calçada do Poço. Era junto a esses degraus da Calçada que descia a muralha norte da Fortaleza do Monte até à Porta do Campo, que se situava entre a actual loja “bauhaus” e a relojoaria Tai Meng, no lado oposto da rua. Foto MV Basílio

O primeiro edifício do lado direito é designado por “China Construction Commercial Building”, o qual ocupa o terreno resultante da demolição do antigo edificio da Associação de Educação de Macau (澳門中華教育會) e o terreno anexo. O edificio seguinte, agora designado por “Pák Hâp”, construído em 1974, após a demolição do anterior prédio de arquitectura tipicamente chinesa, era onde o periódico The Reformer China, editado em língua chinesa, tinha a sua sede, em finais do século XIX. Foto MV Basílio

Padaria Maxim’s, estabelecida em 1974, actualmente com a numeração policial 112, do edifício Pák Hâp r/c. O edifício anteriormente existente, demolido em princípios dos anos 70 do século passado, para a nova construção, tinha o número 4. Foto MV Basílio

Entrada do edifício denominado Centro Comercial Broadway, construído no terreno resultante da demolição do antigo cinema Império. Actualmente, funcionam nesse edifício vários estabelecimentos, designadamente o Centro Comercial Chi Fu, o Supermercado Vang Kei e a Livraria Wan Tat. Foto MV Basílio

O centenário estabelecimento de comidas ou restaurante A Vencedora, mais conhecido por Kuan Kei, na actual localização, desde 1992. Foto MV Basílio

Um estabelecimento de comidas, recentemente aberto. No antigo prédio, antes de ser demolido, era onde estava originalmente estabelecido o restaurante A Vencedora, mais conhecido por Kuan Kei. Mesmo ao lado está um terreno resultante da demolição de um antigo prédio. Foto MV Basílio

Do lado direito, era uma antiga mercearia, denominada Mán Lei Hóng, que já cessou há muito a sua actividade, mas ainda não foi retirado o dístico comercial. A loja do centro está devoluta, com um anúncio para arrendamento ou venda. Mesmo ao lado de Mán Lei Hóng, era um prédio de 3 pisos, já demolido, onde estavam a Tipografia Progresso e a Leitaria Nam Mei, no r/c (rés-do-chão/térreo). Foto MV Basílio

Do lado direito, é um prédio reconstruído, cujo nome actual é edifício Vai I, ou seja, o local onde estava a famosa loja de Sopa de Fitas Vai I. Foto MV Basílio

Duas lojas de venda de malas de viagens. Hoje em dia, há lojas novas que não duram por muito tempo, visto que cessam as suas actividades quando os rendimentos não são suficientes para suportarem o elevado valor de arrendamento. Foto MV Basílio

Neste mesmo local, onde agora está uma das dependências do Banco da China (Bank of China), existiu um prédio antigo, em que estava estabelecida a Mercearia On On. Foto MV Basílio

Duas relojoarias antigas, no termo da Rua do Campo. Do lado esquerdo, onde se vê um autocarro a circular, é a Rua de Ferreira do Amaral e, do lado direito, é a Rua da Colina. Conforme mostra uma fotografia antiga dos anos oitenta do século XIX, a muralha norte da cidade passava, aproximadamente, no sítio onde agora está a Relojoaria Tai Meng (a do lado direito), subindo então junto da Rua da Colina até ao Forte (ou Fortim) de S. João, continuando dali até ao Forte de S. Jerónimo. A Porta do Campo deveria situar-se em frente da referida Relojoaria Tai Meng. Foto MV Basílio

Rua do Campo nos anos 70. O primeiro prédio do lado esquerdo era a antiga sede da Associação dos Construtores Civis e no mesmo terreno resultante da demolição (juntamente com o do prédio adjunto) foi construído o actual prédio, denominado Edifício da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau.

Aspecto da Rua do Campo, ca. 1900. O prédio do lado direito era o local onde, anos mais tarde, a Repartição das Obras Públicas e Transportes esteve sediada. No mesmo local, após a demolição do anterior prédio, foi construído o edifício Banco Delta Ásia. O primeiro prédio ao fundo, do lado esquerdo e fora do alinhamento de outros prédios, é onde está presentemente o Edifício Administração Pública.

Edifício das Obras Públicas, na junção entre a actual Rua de Pedro Nolasco da Silva e a Rua do Campo.

Outro aspecto da Rua do Campo, na junção entre a actual Rua de Pedro Nolasco da Silva e Rua do Campo. Nesta foto, pode-se ver o prédio do cinema Império.

Vê-se na foto a Mercearia Cheong Heng (localizado no prédio com varanda no piso superior, com uma pessoa sentada à porta), um estabelecimento muito frequentado por portugueses, bem como a Sapataria João, mesmo junto do automóvel preto ali estacionado.

O troço mais comercial e movimentado da Rua do Campo, nos anos 60-70 do século passado. Do lado direito, vê-se um prédio de 3 pisos, já demolido, em que no rés-do-chão estava estabelecida a Tipografia Progresso e, mesmo ao lado, a Leitaria Nam Mei. No quarteirão anterior, mesmo junto da Rua de Tomás de Rosa, ainda se pode ver o Restaurante Kuan Kei, ou seja, A Vencedora, com o dístico comercial representado por 4 caracteres chineses, pintados de preto.

Outro aspecto da Rua do Campo, em que se vê o edifício do cinema Império antes de ser demolido. O portão de ferro do lado direito era a entrada da Escola para Filhos e Irmãos da Associação das Mulheres de Macau.

Prédio em que funcionou a Clínica da Associação Geral dos Operários (foto aquando da inauguração da Clínica).

Localização do Campo de S. Francisco, como consta do número 5
do extracto de uma planta de meados do século XIX e cujo Campo deu origem ao topónimo Rua do Campo.

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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