Cronicas Macaenses

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Semana Portuguesa na Casa de Macau de São Paulo

Era preciso criar atividades na Casa de Macau de São Paulo, não necessariamente para comemorar algo, assim, a Direção e seus colaboradores idealizaram a Semana Portuguesa que foi registrada com um almoço especial no domingo de 29 de Julho de 2012.

o “português” Armando Ritchie

Um bigode “português”, daqueles do tipo “Manuel e Joaquim” dos tempos antigos, foi o atrativo que surpreendeu e divertiu os associados e amigos ao entrar no salão da Sede, devidamente “trajado” pelo presidente Gilberto Silva, o colaborador e coordenador Armando Ritchie e o Frederico António, diretor financeiro. Aos brados, como no mercado, o português Armando convidava as pessoas para a sua mesa montada logo na entrada para saborear suas especialidades, como chouriço português, favas, azeitona preta, pão português etc. De vez em quando, aparecia uma fogueira para aquecer os chouriços que eram servidos fatiados. Era o foco de máquinas fotográficas que registrava a encenação deste autêntico português do mercado: “venham saborear o meu chouriço” gritava o Armando insistentemente !!!

O presidente “português” Gilberto Silva com bigode português, ao lado de Mia da Luz e Mariazinha Carvalho

A ementa informava que para o almoço seriam servidos: Carne de Porco à Alentejana com Vongole (À Moda do Nano Branco); Arroz de Frango à Moda de Lafões (AJ – Alberto Josué da Luz);  Chouriço Assado (Armando Sales Ritchie); Caldo Verde (Armando Sales Ritchie). E assim, o povo constituído por cerca de 90 pessoas, superando as expectativas da Organização, foram se enfileirando para se servirem das novidades gastronómicas, nada habituais nos almoços dominicais, cujo foco em geral, é a comida macaense e a chinesa.

Nano Branco e sua esposa assistente de cozinhação Yvonne preparou um dos pratos: Carne de Porco à Alentejana com Vongole

Mas, uma festa portuguesa precisava ser recheada de música portuguesa, principalmente ao vivo!!! E aí, o Charlie “Canicha” Santos improvisou um karaokê para cantar Vinho Verde, nada usual ao seu repertório de rock e música dos anos 50 e 60.  “Vamos cantar sem ensaio” anunciava o Canicha e convidou os membros do coral Vozes de Macau (antigo coral Casa de Macau de São Paulo) que já haviam cantado a música. No entanto, sem maestro, não se conseguia acertar o compasso.  Aí veio a grande sorte, o eficiente antigo maestro do coral, Vainer Dias Gomes, que o dirigiu no Encontro de 2007 com muito sucesso, estava lá como convidado de um dos associados. Dizia ele “sinto saudades da Casa e da gente daqui” e após insistentes apelos da torcida, lá foi dar uma mãozinha, e não é que funcionou!!!??? O Canicha cantou solo e o coral encorpava no côro, tudo na hora certa seguindo os comandos do Vainer.  Profissional dos bons é outra coisa! Foi muito bom revê-lo neste alegre convívio!

O Charlie “Canicha” Santos bem que esforçou, mas ele é um músico e não um maestro de coral, e daí veio o “salva vidas” …

O antigo maestro do coral da Casa, Vainer Dias Gomes, foi dar uma mão e dirigiu o cantor e o côro … e tudo deu certo !!!

Mas, de novo, sem fado, uma festa portuguesa não é completa! E aí improvisaram a Hercília “Cilla” Inácio e a Yolanda Luz Ramos, cada uma cantando o seu fado com o agravante: sem acompanhamento instrumental.  A platéia ouviu as duas cantoras no maior silêncio e respeito pela audácia, entendendo que o clima da festa era a descontração e alegria.  Nada precisava ser perfeito pois era gostoso assim, mais achonchegante. No entanto, por outro lado, o fato denunciava um sintoma que reina na nossa comunidade: o silêncio do bandolim e da viola.  Estamos carentes desta representatividade da nossa cultura macaense portuguesa.  Ainda poucos dias atrás, lia-se no Jornal Tribuna Macaense que a Tuna Macaense, de Macau, estava ameaçada de encerrar as suas atividades por falta de apoio e convite para as festas.  Um sinal de alerta: estamos a deixar a música macaense morrer.  Matamos uma parte da nossa cultura: a música!

Hercília “Cilla” Inácio ousou, e cantou seu fado sem acompanhamento musical …

E, Yolanda Luz Ramos, também cantou seu fado sem acompanhamento musical, outra ousadia. No entanto, uma constatação triste: o som do bandolim e da viola está a morrer na comunidade macaense.

Antes de encerrar a parte musical, o Armando Ritchie convidou a mãe do patuá, Mariazinha Carvalho, para cantarem juntos “Unga Casa Macaísta” que depois foi cantada na versão portuguesa “Uma Casa Portuguesa”, com certeza, sim senhora, e a platéia cantou junto entusiasticamente!  Enquanto isso, o presidente Gilberto Silva já anunciava as semanas chinesa e a macaense, satisfeito com o sucesso do convívio à moda portuguesa.

Em dupla, fica menos mal, e Mariazinha Carvalho e Armando Ritchie cantaram Unga Casa Macaísta e Uma Casa Portuguesa, sem acompanhamento musical. No entanto, não tinha lá muita importância, o povo gostou pois, afinal de contas, era um convívio e o improviso fazia a festa.

A mesa de boas-vindas logo à entrada do salão da Sede, onde foi realizado o convívio, eram servidos delícias portuguesas

Carne de Porco à Alentejana com Vongole (À Moda do Nano Branco)

Arroz de Frango à Moda de Lafões (AJ – Alberto Josué da Luz)

Rever amigos e o antigo maestro do coral da Casa, Vainer Dias Gomes, ao centro, lá estava ladeado de amigos, Rosa Cruz, Nanette Placé, Mariazinha Carvalho e Pedro Assis

Parte dos associados e amigos lotou o salão

o presidente Gilberto Silva, de bigode português, saudava satisfeito o público: “vamos ter outras semanas típicas”

E o Frederico António, seu diretor financeiro, webmaster, videomaker, fotógrafo etc etc também estava com o seu bigode português e registrava tudo para o site da Casa de Macau

A mesa posta tinha toalhas nas cores da bandeira portuguesa, e alguém colocou uma faixa do F.C. Porto ???!!!

da direita, Dulce Fernandes, Mia Luz, Humberto “Sonny” Fernandes e Mariazinha Carvalho

O Francisco “Chico” Inácio com o bolso cheio de balas/rebuçados para distribuir às pessoas, uma característica divertida sua que até merece ser chamado por mim de Chico Bala, não resiste a qualquer música que se toca e lá está ele a dançar, ao som do Vinho Verde.

*Mais notícias, fotos e informações sobre a Casa de Macau de São Paulo visite o seu site no http://www.casademacausaopaulo.com.br/

*Fotografias de Rogério P.D. Luz

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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