Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Procissão do Nosso Senhor dos Passos em Macau, tradição mantida em 2013

Imagem do vídeo Tribuna de Macau (JTM) e de Pedro André Santos

Imagem do vídeo Tribuna de Macau (JTM) e de Pedro André Santos

Macau, antigo território português que foi devolvido para a República Popular da China em 1999, manteve uma tradição religiosa, católica, que existe há mais de 400 anos. A procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos que se realizou no dia 17 de Fevereiro,  o 1º Domingo da Quaresma.

Para um filho da terra na diáspora, no Brasil, que tem Passos no seu nome (Rogério dos Passos …) vê-la acontecer a cada ano após a transição, traz certa emoção e muita satisfação, pois se muitos macaenses deixaram a sua terra natal antes da devolução foi pela incerteza do futuro.  Não saberia dizer se quem está longe da terra consegue melhor sentir isso que o residente, para quem tudo faz parte do seu dia-a-dia e vê naturalmente essas tradições  acontecerem e outras acabarem.

Um detalhe que passa despercebido, pois também era normal nos tempos dos portugueses, é ver a banda da Polícia de Macau, hoje um braço armado da China que é governado pelo Partido Comunista, a acompanhar a procissão, julgo, entoando músicas sacras. Poderia dizer que o Governo chinês de Macau ou RAEM, se quisesse, poderia não autorizá-la a participar da procissão, mas, a sabedoria chinesa prevalece e tenho que aplaudir os governantes, inclusive o Governo Central da China por essa tolerância e respeito aos acordos e certa autonomia do território retornado.

Vejamos o que aconteceu em Macau, no artigo de Pedro André Santos, do Jornal Tribuna de Macau (JTM), e o vídeo da Tribuna de Macau do mesmo jornal.  As imagens são do jornalista que também fez as filmagens e a edição publicadas no artigo, complementadas por umas que copiei do vídeo:

Imagens de Pedro André Santos e Jornal Tribuna de Mca

Imagens de Pedro André Santos e Jornal Tribuna de Macau.  Na última foto, o fim da procissão e a imagem de Nosso Senhor dos Passos retorna à Igreja de Santo Agostinho

COMUNIDADE CATÓLICA ADERIU UMA VEZ MAIS EM GRANDE ESCALA

Jornal Tribuna de Macau – Pedro André Santos

Fé levou centenas à procissão do Senhor dos Passos

A procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos voltou a atrair centenas de católicos, e também diversos curiosos, que seguiram por algumas das artérias da zona central na cidade. Fé, devoção e até mesmo sacrifício para alguns estiveram bem patentes ao longo de cerca de duas horas, tempo que durou o percurso que partiu da Igreja da Sé e terminou na Igreja de Santo Agostinho.

É uma das maiores manifestações religiosas do território e voltou a contar com uma grande moldura humana este ano. A procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos começou ontem por volta das 16h30, partindo da Igreja da Sé e culminando na Igreja de Santo Agostinho, perto das 18h30. O percurso, reza a lenda, justifica o passeio do Senhor dos Passos. A sua imagem era colocada na Sé mas regressava sempre, de forma miraculosa, a Santo Agostinho.

Entre cânticos e orações em português, chinês e latim, a manifestação de fé juntou várias centenas de pessoas no território. Uns locais, outros que vieram de fora, certo é que a comunidade católica uniu-se uma vez mais em grande escala.

“Hong Kong, China… vêm muitas pessoas. É muito concorrida esta procissão, e uma tradição que vem de há longos anos. Uma das grandes celebrações da igreja”, disse ao JTM Fernanda, uma macaense que integrou a procissão.

Este ano deu conta da participação de mais pessoas vindas do Continente Chinês, mas salientou também a presença de portugueses a brasileiros.

Movida pela devoção, Orietta, outra residente do território que tem acompanhado a procissão ao longo dos anos, disse ao JTM não ter notado grande diferença este ano, considerando que poderá ter havido um ligeiro aumento do número de participantes “por causa do Ano Novo Chinês”. “Os macaenses marcam sempre presença, mas acho que no 13 de Maio virão mais pessoas de fora para assistir à procissão de Nossa Senhora de Fátima”, acrescentou.

Uma devota mais emocionada, de seu nome Maria, destacou “o sofrimento de Jesus por nós, os pecadores”, num percurso que tem feito vindo a fazer frequentemente. “Todos os anos faço este percurso e este ano estão mais pessoas. Vem muita gente de Hong Kong, por vezes até de Portugal. Há pessoas que fazem promessas e vêm cá”, concluiu.

A via-sacra marcou também o primeiro domingo da Quaresma, um período dedicado à oração, penitência, jejum.

Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

Na Sé Catedral. Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

Na Sé Catedral. Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

Saída da procissão da Sé Catedral. Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

Saída da procissão da Sé Catedral. Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

A banda da Polícia de Macau e grande público. Imagens de Pedro André Santos e do Jornal Tribuna de Macau

A banda da Polícia de Macau e grande público. Imagens de Pedro André Santos e do vídeo do Jornal Tribuna de Macau

Uma das estações da procissão. Imagens de Pedro André Santos e do vídeo do Jornal Tribuna de Macau

Uma das estações da procissão. Imagens de Pedro André Santos e do vídeo do Jornal Tribuna de Macau

Detalhes e História da Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, em Macau

(Wikipedia – publicação sobre a Igreja de Santo Agostinho, de Macau) … O altar-mor de mármore, decorado magnificamente e grandiosamente, encontra-se uma estátua, de tamanho natural, de Jesus carregando a cruz, representando muito bem o sofrimento experimentado por Jesus. Conta-se que quando esta estátua foi levada para a Sé Catedral pelas autoridades religiosas, ela, milagrosamente, retornou sozinha ao altar desta igreja, pelo que ainda hoje se realiza, anualmente, a Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos no primeiro domingo da Quaresma. Organizado pela Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, a estátua é levada para a Sé Catedral por uma noite e no dia seguinte é levada em procissão pelas ruas da cidade em via-sacra e, com largo acompanhamento de clero e centenas de católicos, é devolvida à Igreja de Santo Agostinho.

Após a expulsão dos agostinianos em 1712, a procissão de N. S. dos Passos foi cancelada. Foi uma época em que houve escassez de alimentos e os chineses locais associaram os dois acontecimentos. Pediram que “o homem com a cruz” viesse de novo às ruas e quando os administradores da igreja concordou, terminou a falta de alimentos.

Actualmente, um dos principais objectivos da procissão é relembrar o sacrifício, o sofrimento, a crucifixão e a morte de Jesus Cristo (resumidamente, relembrando a Paixão de Cristo).

Verónica na procissão de 2013. Imagens de Pedro André Santos e do vídeo do Jornal Tribuna de Macau

Verónica na procissão de 2013. Imagens de Pedro André Santos e do vídeo do Jornal Tribuna de Macau

A figura de Verónica ou Verônica tem um papel muito importante na procissão, e sobre ela, publico parte do artigo de Fernando Sales Lopes no jornal O Ponto Final, de Macau:

A menina Verónica

Fernando Sales Lopes – jornal O Ponto Final

O papel de Verónica, a mulher que limpou com uma toalha o rosto de Cristo, e que nela ficou estampado, era bastante disputado na sociedade macaense, sendo a escolhida motivo de orgulho para a família.

Há variadíssimas referências na imprensa, ao logo dos tempos, com destaque para o Boletim Eclesiástico, a essas “encantadoras” meninas, que se queriam virgens, boas cristãs e com voz maviosa:

“Foi a esbelta e esperançosa menina Celeste Cabral, filha do Ex.mo. Sr. Carlos Cabral que tão amavelmente quis ir personificar aquela santa mulher que na dolorosa via do Calvário saiu ao encontro de Jesus a enxugar-lhe o divino rosto”

“Bem haja a menina Celeste Cabral pois é um acto que muito honra a sua Ex.ma. Família”, rematava o redactor do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau de Março de 1919, elogiando a Verónica desse ano..

50 anos depois, em 1969, com menos retórica mas igual destaque, e com direito a foto, na mesma publicação, era a vez da menina Luísa Gageiro, que “muito bem se desempenhou do seu papel”.

Verónica na procissão dos anos 60

Verónica na procissão dos anos 60

A Verónica numa procissão dos anos 60 em Macau em seis fotos que andaram circulando em e-mails repassados por conterrâneos (Jorge Rangel e Jorge Robarts) a quem agradeço e que o Giga Robarts (Portugal) aproveita para comentar: “… eu quase que tenho a certeza de que a Verónica é a Fernanda Prata da Cruz (hoje esposa de Humberto Barros), residente nos EUA … reconheci facilmente o Padre Moreira, António Batalha, Angiolina Borges, a Geraldina, minha irmã, o Anok, pai, o Eduardo de Jesus, o Canhota com uma das filhas.  Acho que a foto é dos anos 60, Será?”

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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