Cronicas Macaenses

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Jorge Basto conta dos perigos do antigo aeroporto de Kai Tak, em Hong Kong

ATERRAGENS * DRAMÁTIAS NO AEROPORTO DE KAI TAK, EM HONG KONG

texto de autoria de JORGE BASTO

 (*aterrisagens-Br)

Kai Tak! Foi o local de partida para 1º baptismo de vôo da maioria dos macaenses. Partiram… mas a maioria algum dia voltou, por dias, meses ou anos, não importa.

Por este aeroporto passaram muitos macaenses e portugueses, para além centenas de milhões de gente de todas as nacionalidades imagináveis, até 1998, ano do seu fecho, sendo então substituído pelo de Chek Lap Kok em Lantau Island.

Para nos orientarmos no tempo, recordo que o “handover” de H.K. foi em 1997, e que o aeroporto de Macau ficou concluído em 1995, mas sem qualquer escala comparativa ou competitiva com o de H.K..

1. Aeroporto de Kai Tak, a nordeste de Kowloon (Ref. 1)

1. Aeroporto de Kai Tak, a nordeste de Kowloon (Ref. 1)

Também foi o local do meu 1º baptismo de vôo em 1966. Houve no ano anterior um acidente num levantamento com a morte de 59 fuzileiros americanos. Em 1967 houve um acidente numa aterragem durante um tufão com a morte de 24 passageiros.

Ora este Kai Tak que aqui refiro tinha uma “particularidade” muito especial – as “aterragens dramáticas”, devido ao relevo geográfico circundante, com montanhas de 600m por quase todo o lado a menos de 10km de distância, e aos ventos transversais nos últimos 3km.

Construído em 1925 apenas para avionetas e hidroaviões, e ampliado durante a guerra para aviões militares, apenas em 1958 passou a ser um aeroporto comercial, com a extensão da pista “Runway 13” de 1.664m para 2.542m.

Apenas em 1975 a pista foi alongada para 3.390m. No total ocorreram 13 acidentes de 1948 a 1994, resultando na morte de 270 pessoas!

Estatisticamente insignificante… mas eu e o meu leitor poderíamos ter por lá ficado!

Considerado o 6º aeroporto mais perigoso do mundo, projectado para um movimento de 24 milhões de passageiros por ano, tinha nos anos 90s 29,5 milhões, mais 1,5 milhões de toneladas de mercadorias, tornando-o o 3º aeroporto mundial em termos de passageiros e o 1º em mercadorias. A proximidade da rota aérea aos edifícios habitacionais obrigava ao encerramento nocturno das 24h00 às 06h30.

Recordemos então, e confesso não ser entendido no assunto, o que foram essas aterragens, pelo que junto fotos minhas que encontrei de 1988, nada espectaculares para grande “sorte” minha, bem como, essas sim dramáticas, outras fotos e “links” de vídeos que estão devidamente referenciadas com “Ref”.

Comecemos pela aproximação que se pode ver no mapa abaixo, depois da curva de 180º à esquerda sobre Lantau, segue-se baixando pela rota vermelha por pilotagem automática até chegar ao “Checkerboard”.

2. Rota de aterragem, com ponto crítico no final do traço vermelho (Ref. 1)

2. Rota de aterragem, com ponto crítico no final do traço vermelho (Ref. 1)

Nessa descida vamos sobrevoando de início muito “tranquilamente” a altitude considerável o mar e as numerosas ilhas todas muito verdinhas e bonitinhas que rodeiam H.K.

A meio dessa rota vermelha entramos no “ligeiramente complicado” quando continuamos a descer por Kowloon adentro a baixa altitude.

E é aqui que começam as emoções, quando nos aproximamos do famoso “Checkerboard Turn” (tabuleiro de xadrez), a 3,7km da aterragem!

7. O “Checkerboard Turn”, à direita na foto, com os 2 quadrados axadrezados a “vermelho e branco” pintados no monte. Hoje, cobertos de vegetação e dificilmente visíveis.

7. O “Checkerboard Turn”, à direita na foto, com os 2 quadrados axadrezados a “vermelho e branco” pintados no monte. Hoje, cobertos de vegetação e dificilmente visíveis.

Quando o piloto se aproximava desta marca, passava de automático (IGS desde 1974) para manual, fazendo uma curva “dramática” de 47º a uma altitude de cerca de 150m, virando e baixando em direcção e no alinhamento de Kai Tak! A razão desta viragem deve-se ao facto da existência duma montanha de 600m próxima no alinhamento da pista, que se vê ao fundo das fotos 7 e 9.

Continuando a descer sobrevoava a cerca de 100m de altitude zonas densamente populosas.

Finalmente sobrevoava a chegada ao aeroporto a uma baixíssima altitude de cerca de 40m, aterrando às vezes acrobaticamente devido aos fortes ventos laterais.

Até o espectacular “Concorde” chegou a usar esse aeroporto, nas suas viagens esporádicas de volta ao mundo.

Para terminar fica esta pergunta, que apenas me interessa por mera saudade desse local.

-O que é feito do aeroporto de Kai Tak desde 1998?

O seu terminal foi demolido em 2003 e todos os planos ficaram no papel até 2011, para um terreno avaliado em 40.000 milhões de USD.

Nesse ano, na ponta do aeroporto iniciou-se a construção dum terminal de cruzeiros (Kai Tak Cruise Terminal), totalmente financiado pelo governo em 1.100 milhões de USD, e recentemente inaugurado em Junho de 2013. Tem sido objecto de muita controvérsia, desde o financiamento, retorno de capitais, poluição ambiental, etc.

Existe também um plano para a construção dum estádio gigantesco com tecto recolhível, orçamentado em 2.440 milhões de USD, para 50.000 espectadores.

14. Kai Tak Cruise Terminal (Ref.4)

14. Kai Tak Cruise Terminal (Ref.4)

Lembro-me, talvez baralhado, parafrasear com “Gente coisa, é outra rica!”

Referências e “links”

Ref.1- http://www.youtube.com/watch?v=5gYENf3Zyho (video 7m43s, muito informativo)

Ref.2- http://www.youtube.com/watch?v=OtnL4KYVtDE (video 1m23s, o mais visitado)

Ref.3- http://www.youtube.com/watch?v=1s7Q-Z2PGQw (video 2m31s, uma elegância!)

Ref.4- http://www.youtube.com/watch?v=n-hpkCpNCJ4 (video 2m49s, controvérsia na inauguração)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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