Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Os 4 Padroeiros de Macau (2) – São João Baptista e o Monumento da Vitória

São João Baptista foi o primeiro padroeiro de Macau, no dia em que as tropas holandesas foram rechaçadas na sua tentativa de tomar a Cidade do Nome de Deus em 24 de Junho de 1622.

Esta 2ª postagem sobre os 4 Padroeiros de Macau, fala do Santo e do Monumento da Vitória erguido para comemorar esta vitória sobre os invasores, no relato do Monsenhor Manuel Teixeira, ou simplesmente, como o conhecíamos, Padre Teixeira.

(veja também postagem – (1) Os 4 Padroeiros de Macau: N.Sra. da Conceição; (3) Os 4 Padroeiros de Macau: São Francisco Xavier; (4) Os 4 Padroeiros de Macau-Sta.Catarina de Sena )

SÃO JOÃO BAPTISTA E O MONUMENTO DA VITÓRIA

por Monsenhor Manuel Teixeira – Os Quatro Padroeiros de Macau – Revista Nam Van edição Abril de 1986

são joão batista

S. JOÃO BAPTISTA

Imagem de São João Baptista na Sé Catedral, em Macau

Imagem de São João Baptista na Sé Catedral, em Macau

Foi o primeiro Padroeiro da cidade, proclamado solenemente por todo o povo no dia da memorável vitória sobre os holandeses, em 24 de Junho de 1622, festa de S. João Baptista.

Após a vitória de 1622, atribuída à protecção de S. João Baptista, o Senado fez o voto de mandar celebrar a festa do santo e assistir a ela em corpo gesto.

No «Boletim do Governo de Macau, Timor e Solor» de 28 de Junho de 1851, p. 102, escreve Carlos José Caldeira acerca deste voto:

«Procuramos em vão achar no archivo do Senado o termo original que se lavrou daquelle voto, e que ainda existia em 1782, segundo o testemunho do author da relação a que nos referimos; nem delle encontramos copia: mas no mesmo Senado existe uma antiga taboleta, onde se lê o seguinte:

A 23 e 24 de Junho Véspera e Dia de S. João Baptista – tem obrigação o Leal Senado ir na Véspera, e Dia do Ditto Santo com a capa e volta a Missa Solemne na Sé Cathedral, como também às Vésperas.

Foi instituída esta Festa por um votto que o Leal Senado fez por Termo na Gaza da Câmara, junta em Conselho no ano de 1622. Isto em reconhecimento da distincta mercê, que Deos Nosso Senhor foi servido fazer a esta Cidade, nestes dois dias, em aliviar das Tropas Hollandezas, que na Praia de Cassilhas desembarcaram de bordo de treze (13) Nãos, de que os Moradores alcançaram Victoria no Campo de Mona, que pertenderam senhoriar com 800 soldados».

No plano junto da Guia, levantou-se uma cruz para comemorar a vitória e ali se dizia uma missa anual, chamada a Missa da Vitória. O Senado dava 5 patacas de esmolas e a ela assistiam muitos moradores e famílias, indo as crianças com flores e bandeiras; passavam lá o dia em músicas e folguedos e uma espécie de arraial.

Esse sítio era outrora conhecido por «Campo dos Arrependidos», passando depois a chamar-se Campo da Vitória e a seguir Praça da Vitória.

Em 1758, a Missa passou a dizer-se na Guia, caindo no esquecimento parece que desde 1844. Mais tarde, passou para a Sé.

A 24 de Junho de 1685, os oficiais do Senado fizeram os voto solene de, por si e pelos seus sucessores, celebrarem a novena de S. João Baptista com a mesma pompa da que se celebrou nesse ano de 1685, com o intuito de confiar esta cidade ao seu protector e de obter por sua intercessão bom êxito da ida ao Japão da fragata S. Paulo, cuja missão era tratar de reabrir o Japão ao comércio com Macau.

Macau.Jd.Vitoria.02

MONUMENTO DA VITÓRIA

No Campo dos Arrependidos (hoje Praça da Vitória) levantou-se um monumento, devido à iniciativa de Lourenço Marques, procurador da cidade, segundo se lê na acta do Senado de 25 de Junho de 1862:

«O procurador apresentou o plano, ou desenho do monumento, que se pretende erigir no campo, no mesmo lugar, onde antigamente havia uma cruz, em memória da felicíssima victoria ganhada por esta cidade contra os hollandezes, em 23 de Junho de 1622, cujo plano foi aprovado n’esta sessão; e quanto as suas despezas, depois de ver o orçamento, se tratou de promover dinheiro, ou por meio de uma loteria, que o mesmo procurador ficou encarregado de obter a permissão do Exmo. Conselho do Governo, ou por meio de subs-crições voluntárias».

Lourenço Marques incumbiu Carlos José Caldeira de mandar vir o monumento de Portugal; este confiou a obra ao escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro. O monumento veio de Lisboa para Macau no vapor Saída que em Junho de 1870 transportou tropas para cá.

A primeira pedra foi lançada a 23 de Junho de 1870 no sítio onde havia já uma pilastra de pedra comemorativa da vitória de 24 de Junho de 1622.

Assim o monumento, que devia ser levantado em 1864, só foi erecto sete anos mais tarde.

De facto, em 26 de Março de 1871 foi inaugurado na Praça da Vitória, o monumento da Vitória pelo governador Antônio  Sérgio de Sousa. Na carteia que ostenta as armas de Portugal, lê-se;

<PARA PERPETUAR NA MEMÓRIA DOS VINDOUROS A VITÓRIA  QUE  OS  PORTUGUESES DE MACAU POR INTERCESSÃO DO BEM–AVENTURADO S. JOÃO BAPTISTA A QUEM TOMARAM POR PADROEIRO ALCANÇARAM SOBRE OITOCENTOS HOLANDESES ARMADOS QUE DE TREZE NAUS DE GUERRA CAPITANEADAS PELO ALMIRANTE ROGGERS DESEMBARCARAM NA PRAIA DE CACILHAS PARA TOMAREM ESTA CIDADE DO SANTO NOME DE DEUS DE MACAU EM 24 DE JUNHO DE 1622».

A inscrição do texto acima

A inscrição do texto acima

Na carteia das armas de Macau lê-se:

«NO MESMO LOCAL ONDE UMA PEQUENA CRUZ DE PEDRA COMEMORAVA A ACÇÃO GLORIOSA DOS PORTUGUESES MANDOU O LEAL SENADO LEVANTAR ESTE MONUMENTO

No ano de 1864»

Macau.Jd.Vitoria.05

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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