Cronicas Macaenses

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Os 4 Padroeiros de Macau (3) – S. Francisco Xavier

Nesta 3ª postagem sobre “Os Quatro Padroeiros de Macau”, Padre Teixeira em 1986 nos conta sobre outro padroeiro de Macau, São Francisco Xavier e detalhes de como se comemorava a sua data:

(veja outras postagens relacionadas: (1) Os QuatroPadroeiros de Macau-N.Sra. da Conceição; (2) Os Quatro Padroeiros de Macau-S.João Baptista e o Monumento da Vitória; (3) Os Quatro Padroeiros de Macau-St.Catarina de Sena )

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A imagem de São Francisco Xavier na Igreja de São Lourenço em Macau

SÃO FRANCISCO XAVIER

por Monsenhor Manuel Teixeira – Os 4 Padroeiros de Macau – Revista Nam Van  edição de Abril de 1986

Ignoramos a data em que foi proclamado protector de Macau. A mais antiga referência encontra-se no documento de 1647, atrás citado, em que se mencionam os nomes dos quatro padroeiros de Macau.

Celebrava-se a festa de S. Francisco Xavier na igreja da Madre de Deus ou S. Paulo e era muito solene. O P. Luís da Gama fala da Novena que se lhe fez antes da festa de 3 de Dezembro de 1666: «Aqui se deve fazer menção da Novena Soleníssima que a Nobre Cidade fez, com sua assistência os 9 dias antes da sua festa, com voto particular que lhe fixeram: o intento foi alentar a cidade, que estava toda desanimada com a queima dos barcos, com as esperanças que tinham no patrocínio do Santo seu padroeiro, para, no meio de tantos apertos, a livrar e conservar».

De facto, por intercessão de S. Francisco, foi de novo concedida pelos chineses autorização aos portugueses de continuarem a comerciar com os seus barcos, segundo informa o P. Bartolomeu de Espinosa, S.J., em carta de 9 de Dezembro de 1670: «Este benefício do comércio restituído atribuímos em primeiro lugar a S. Francisco Xavier, a quem esta cidade tomou por seu padroeiro».

Frei José de Jesus Mana escreve: «Bem reconheço ter sido acção católica e pia o valer-se da intercessão dos santos, como já o nobre Senado tinha feito, elegendo não só ao glorioso Baptista, mas também no ano de 1666 ao S. Xavier para Patrono».

Este historiador, talvez levado pela carta do P. Espinosa enganou-se ao afirmar que foi em 1666 que Xavier foi declarado patrono de Macau. Espinosa diz que a cidade tomara Xavier por patrono, mas não declarar a data.

Qual foi o voto da Cidade ao seu santo patrono, de que nos fala o P. Luís da Gama?

Cremos ser a celebração da sua festa anual com novena. Desde esse ano de 1666, a festa de Xavier ficou sendo das mais solenes de Macau. O Senado, que era o seu promotor, assistia a ela com 3 vereadores, 2 juizes, 1 procurador, e 1 escrivão, ou seja, em corpo gesto.

Imagem de São Francisco Xavier na Igreja de São Lourenço, em Macau

Imagem de São Francisco Xavier na Igreja de São Lourenço, em Macau

Havia em S. Paulo a Congregação de S. Francisco Xavier que em 1692 construiu nessa igreja uma capela em honra do Santo, a qual ficava da parte do Evangelho, ou seja na ala esquerda.

Eis a ordem dessa soleníssima procissão:

Atrás do palio, o governador com uma vela na mão; o presidente da Congregação ia atrás do andor de prata, transportado por 4 jesuítas, no qual ia a relíquia do osso do húmero do santo. À frente, seguia a cruz levada por um confrade da Congregação. Depois iam os seguintes: o guião de Xavier; o andor de S. Francisco de Regis; o guião e andor de S. Luís Gonzaga; o guião e andor de S.Estanislau Kostha; o guião e andor dos mártires do Japão; o guião e andor de S. Francisco de Borja; o guião e andor de S. Inácio, fundador da Companhia de Jesus; o guião e andor das Onze Mil Virgens; o guião e andor de S. Miguel; o guião e andor de Jesus; os irmãos e presidente da Confraria de Jesus de capas brancas e tochas na mão; o  guião  e  andor de N.  Sra.  da Assunção  com  a  sua  cruz  e  os, escolásticos   jesuítas; o guião e andor de Xavier com a relíquia do santo; toda a comunidade dos jesuítas com a cruz e, por último, o pálio. Atrás deste, o governador e uma companhia de soldados com os oficiais e finalmente o povo.

Note-se que um antepassado do dr. Jorge Rangel, Secretário-Adjunto para a Educação, Cultura e Turismo, chamado Francisco Rangel, deixou um legado de 300 taéis para se celebrar esta festa; o Senado dava 20 taéis para a cera. Após o incêndio de S. Paulo em 1835, a relíquia de Xavier passou para a Sé com a festa do mesmo; em 1893, a relíquia passou para o Seminário, onde se celebrou a festa do santo com novena e sermão até 1966.

Desde então não mais se celebrou.

E assim acabou essa tradição de três séculos (1666-1966).

Imagem de São Francisco Xavier na Sé Catedral em Macau

Imagem de São Francisco Xavier na Sé Catedral em Macau

A Igreja de São Francisco Xavier na Ilha da Taipa, em Macau (imagem do livreto da Catholic Lay Association of Macao)

A Igreja de São Francisco Xavier na Ilha da Taipa, em Macau (imagem do livreto da Catholic Lay Association of Macao)

A Igreja de São Francisco Xavier na Ilha da Taipa, em Macau (imagem do livreto da Catholic Lay Association of Macao)

A Igreja de São Francisco Xavier na Ilha da Taipa, em Macau (imagem do livreto da Catholic Lay Association of Macao)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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