Cronicas Macaenses

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Os 4 Padroeiros de Macau (4) – Santa Catarina de Sena

Santa Catarina de Sena foi também escolhida como Padroeira de Macau em 1646.  A Santa é o tema desta 4ª e última postagem sobre os Quatro Padroeiros de Macau num trabalho do Padre Teixeira em 1986 feito para a antiga Revista Nam Van:

(veja também: (1) Os 4 Padroeiros de Macau-N.Sra. da Conceição; (2) Os 4 Padroeiros de Macau-S.João Baptista e o Monumento da Vitória; (3) Os 4 Padroeiros de Macau-S.Francisco Xavier)

A imagem de Santa Catarina de Sena está no seu lado direito, no altar mor da Igreja de São Domingos em Macau. No centro: N.Sra.do Rosário e à esquerda a imagem d São Domingos.

A imagem de Santa Catarina de Sena está no seu lado direito, no altar mor da Igreja de São Domingos em Macau. No centro: N.Sra.do Rosário e à esquerda a imagem de São Domingos.

SANTA CATARINA DE SENA

por Monsenhor Manuel Teixeira – Os Quatro Padroeiros de Macau – Revista Nam Van edição de Abril de 1986

Santa Catarina de Sena (ou de Siena)

Santa Catarina de Sena (ou de Siena)

Em 1646, a Cidade de Macau escolheu S. Catarina de Sena para sua Padroeira. Esta Santa é venerada na igreja de S. Domingos e outrora era honrada com uma festa solene.

Nada menos de 47 dos mais honrados e ilustres cidadãos desta terra, entre os quais os mordomos de S. Catarina, dirigiram em 1646 ao Senado um requerimento, poucos dias antes da sua festa que ocorre no dia 29 de Abril, pedindo que ela fosse declarada Padroeira S. Catarina de Sena – desde 1646 padroeira da cidade do Santo Nome de Deus pelas seguintes razões: «Agora, que insta a solenidade e festa desta gloriosíssima Santa Virgem… Como era esta povo falto de todo humano auxílio nas extremas calamidades e misérias que padece, esperam eles, suplicantes, em Deus Nosso Senhor ser socoridos de sua misericórdia, por intercessão desta floriosíssima Santa, como também esperam no mesmo Senhor, que por meio dela se consiga a paz civil deste povo, de que a gloriosa Santa é particular advogada e Padroeira, pois ela tratou da paz da Igreja católica, quando ardia em cismas de anti-Papas em tempo de Urbano VI, ela a que trabalhou pela paz dos Florentinos, que com o Pap Gregório II estavam desavindos, ela finalmente que compôs a dissenção civil do povo Senense», i. e., de Sena.

Atendendo este pedido, o Senado de Macau, na Vereação de 2 de Maio de 1646, declarou que «visto o que a dita petição alegava e o estado miserável, em que a terra estava, que era coisa mui acertada que se tomasse, como de hoje para todo sempre se tomou por Patrona desta Cidade a gloriosa S. Catarina de Sena, para que, como tão mimosa de Deus Nosso Senhor, alcance de sua Divina Majestade se apiade desta sua cidade, pondo nela seus Divinos olhos de Misericórdia, dando-nos nela muita paz, união e concórdia».

Alega-se aqui o estado miserável da cidade. É que, com a restauração de Portugal, Macau, que já havia perdido o comércio do Japão em 1639, via agora fechado o comércio espanhol de Manila. Alega-se a falta de paz civil. De facto, eram tais as desordens que logo no ano seguinte, em 1647, os moradores assassinaram o seu próprio governador, D. Diogo Coutinho Docem.

O Senado tinha, pois, razão em pedir a Deus paz, união e concórdia.

Igreja de São Domingos em Macau

Igreja de São Domingos em Macau

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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