Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

A estátua de Ferreira do Amaral em Lisboa, na visão de Jorge Basto

A estátua de Ferreira do Amaral em Lisboa

Texto e fotografias de Jorge Basto (Portugal)

A estátua em Macau. Origem: postal dos anos 70.

A estátua em Macau. Origem: postal dos anos 70.

A estátua, outrora imponente pela sua grandiosidade e localização no ponto mais nobre de Macau, foi em 1992 demolida e enviada para Portugal. Assim se perdeu um pedaço de História que importa recordar.

Muito sumariamente, Ferreira do Amaral foi um ilustre militar e Governador de Macau entre 1846-1849. Dada a sua governação enérgica em defesa do domínio português foi alvo da confrontação dos mandarins. Assim foi que numa tarde de Agosto de 1849 saiu para um passeio a cavalo, acompanhado pelo seu ajudante, passou as Portas do Cerco e foi atacado por um grupo de chineses que o mataram à cutilada.

Em sua memória foi inaugurada a estátua no dia 24 de Junho de 1940, dia de Macau, e por lá ficou para ser admirada da forma que melhor se entendesse – pelo seu significado, pelo enquadramento e estética, pela imponência, etc –.

Até que em 1992 foi demolida e no seu local construído um estacionamento semi-subterrâneo de «mau gosto» – porque se eleva quase 2m acima do solo tapando completamente a visão de condutores e peões, e porque com apenas um nível de estacionamento não «estaciona» mesmo nada de jeito.

Chegando a Portugal, a estátua ficou encaixotada por cerca de 10 anos até que foi parar à Alameda da Encarnação, perto do aeroporto de Lisboa. Desse local junto as minhas fotos actuais de Março de 2015.

Localização em Lisboa

Localização em Lisboa

A Alameda da Encarnação

A Alameda da Encarnação. Foto: Jorge Basto

A estátua sobre um minúsculo pedestal

A estátua sobre um minúsculo pedestal. Foto: Jorge Basto

Ferreira do Amaral, considerado um herói pelos seus feitos desde o Brasil, onde perdeu o braço direito em luta, passando por Angola e terminando em Macau, que tornou num verdadeiro território português, morreu assassinado.

Não merece morrer assim despercebido algures, como que outra vez assassinado.

Pormenor evidenciando o seu único braço, o esquerdo

Pormenor evidenciando o seu único braço, o esquerdo. Foto: Jorge Basto

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2 comentários em “A estátua de Ferreira do Amaral em Lisboa, na visão de Jorge Basto

  1. Ricardo Nunes
    09/02/2017

    Realmente é triste que se deixe cair em esquecimento não só a imponência e significado de tal monumento da nossa história na Ásia, Macau, como da mesma forma o significado histórico dos feitos deste homem que lutou em prol de uma nação!!!!….Jorge, tenho para sempre guardado na minha memória esse monumento da forma como está na tua primeira fotografia……..trás—me também boas recordações de tempos e amigos dessa minha terra do coração MACAU. Abraço forte, Ricardo Nunes

    • Agradeço o comentário Ricardo Nunes. De pleno acordo com o teu comentário, talvez não fosse conveniente manter a estátua em Macau nesses novos tempos de Macau pela transição de soberania, mas pelo menos que ganhasse uma posição de mais destaque em Portugal. Ficamos aqui com as memórias fotográficas dos bons tempos. Abraço, Rogério Luz

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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