Cronicas Macaenses

Blog-foto-magazine de Rogério P. D. Luz,

O bairro de São Lázaro de Macau e antecedentes históricos

O BAIRRO DE SÃO LÁZARO DE MACAU E ANTECEDENTES HISTÓRICOS

Artigo, fotografias e legendas de Manuel V. Basílio (Macau), salvo as antigas que foram baixadas da internet, designadamente do grupo Macau Histórico e do grupo Antigas Fotos de Macau do Facebook

  • Macau foi um território português na China por cerca de 440 anos. Foi devolvido em Dezembro de 1999

Desde o estabelecimento dos portugueses em Macau, oficialmente em 1557, até ao governo de João Maria Ferreira do Amaral (1846-1849), o território de Macau ocupava praticamente apenas metade da área da então península. Após o estabelecimento e durante mais de meio século, as autoridades chinesas não consentiram aos portugueses a edificação de fortificações com receio de serem utilizadas contra a própria China. Só depois das várias tentativas dos holandeses para conquistar a próspera cidade de Macau aos portugueses, os chineses consentiram então, em 1622, a construção de fortes e muralhas, na condição de os canhões não ficarem voltados para o território chinês.

Foi por este motivo que o Forte de Patane ou da Palanchica teve uma existência efémere, cuja fortificação teve que ser demolida, ficando reduzido a uma simples muralha (1), com entrada por uma das portas da cidade – a Porta de Santo António. Além desta Porta, havia uma outra porta que demarcava os limites da cidade, que era a Porta do Campo, também conhecida por Porta de S. Lázaro. O território de Macau, que desde os tempos do estabelecimento dos portugueses não tinha fronteiras definidas, ficou a partir de então administrativamente delimitado pelas muralhas que construíram, porquanto a parte restante do território entre os limites da cidade e a Porta do Limite (2), edificada pelas autoridades chinesas em 1573, era tida como território sujeito à jurisdição dos Mandarins, e a Porta do Limite, tal como afirmavam, não servia de fronteira, mas apenas um posto destinado a controlar da circulação de pessoas e bens (3). Por essa razão, durante séculos, aquela parte da península foi disputada pela administração portuguesa, por considerar que a Porta do Limite é que demarcava o limite territorial, embora aquela zona rural estivesse ocupada sobretudo por pequenos agricultores chineses, onde se fixaram e criaram várias aldeias, tais como Lông T’in Chün (龍田村), T’áp Sék Chün (塔 石 村), Fán Tei Chün (汎 地 村), Sék Lou T’âu Chün (石 盧 兜 村), sem contar com a Móng Há Chün (望 廈 村), ou a aldeia de Mong-há, que já existia antes do estabelecimento dos portugueses em Macau.

Monumento a Ferreira do Amaral, nos anos 60 do século passado (foto baixada da internet, do grupo Antigas Fotos de Macau)

Aquela divisão territorial perdurou até ao governo de José Maria Ferreira do Amaral. Naquela altura, além de a cidade carecer de mais espaço para acomodar o crescimento da população, o principal empenho do governador Ferreira Amaral, após assumir as suas funções governativas, era afirmar o domínio português em toda a península de Macau e acabar de vez com as interferências dos Mandarins na administração portuguesa. Por isso, no intuito de quebrar a divisão territorial, que até então vigorava, e extender o domínio territorial até à Porta do Limite, uma das primeiras medidas que o governador Ferreira do Amaral tomou, a partir de 1846, foi a abertura de uma estrada em direcção a norte da península, a partir da Porta do Campo, cuja obra teve de enfrentar uma forte oposição da população chinesa, por ter atravessado a aldeia chinesa Lông Tin Chün (龍 田 村) e forçado a remoção de sepulturas de chineses. Por esta e outras medidas que corajosamente tomou, designadamente o encerramento da Alfândega Chinesa, a expulsão do Mandarim que exercia poderes judiciais e administrativos em Macau, o não pagamento do foro do chão, e a cobrança de impostos aos chineses, o governador Ferreira do Amaral pagou com a sua própria vida, tendo sido assassinado por Sâm Chi Leong (沈 志 亮), também conhecido por Sâm Á Mâi (沈 阿 米), juntamente com alguns chineses da aldeia de Mong-há, que lhe cortaram a cabeça e a mão esquerda, e cujo crime ocorreu nas imediações do Templo de “Lin Fông” (蓮 峰 廟 , em cantonense, “Lin Fông Miu”).

Gravura alusiva ao assassinato do governador Ferreira do Amaral (baixada da internet, do grupo Macau Histórico)

Alguns anos depois, o governador José Rodrigues Coelho do Amaral deu seguimento à politica iniciada por Ferreira do Amaral e, deste modo, em 1864, ordenou a demolição da Porta do Campo e praticamente toda a muralha que subia até ao forte de S. Jerónimo, restando o troço, desde a Fortaleza do Monte até à Rua do Pato, que só viria a ser demolido em 1913.

Igreja de S. Lázaro, vista da Rua Nova de S. Lázaro. O espaço compreendido entre esta via e o muro de granito, com os degraus que dão acesso ao portão de ferro, é designado, na toponímia de Macau, por Adro de S. Lázaro. Nas duas moradias do lado direito, ainda se podem ver nas janelas do 1º andar, as adufas feitas de lâminas de conchas semi-transparentes, com caixilhos de madeira, usadas antigamente em Macau, em lugar de vidros. Foto: M.V. Basílio

URBANIZAÇÃO DA ZONA EXTRA MUROS

A expansão territorial fora dos limites das muralhas foi motivada por várias circunstâncias, designadamente a “questão dos limites”, uma divisão assumida que urgia de ser quebrada, tendo este acto, conforme já referido, sido executado por Ferreira do Amaral. Anos mais tarde, o governador Coelho do Amaral, dando continuidade à política de expansão territorial, também mandou abrir uma longa e nova via (4), desde a Porta de Santo António até às imediações do istmo da península. Além da referida questão, havia outro motivo que urgentemente necessitava de intervenção por parte da administração portuguesa – a de saneamento das zonas rurais, bem como dos bairros da Horta do Volong e de São Lázaro, que eram autênticos focos de epidemias.

No entanto, antes da construção da muralha que dividiu a península praticamente em duas partes, já existia desde os primórdios do estabelecimento dos portugueses, num local não muito distante da então Porta do Campo, a Ermida de Nossa Senhora de Esperança (5), mandada erigir pelo primeiro bispo de Macau, D. Belchior Carneiro Leitão, que criou também junto dela um hospício para leprosos (6), derivando daí o nome de São Lázaro, o santo protector dos lázaros ou leprosos.

Letras gravadas na base da cruz: CRVX DA ESPERANCA ANO 1637. Foto: M.V. Basílio

Em virtude do aumento populacional, cresceu mesmo junto à zona extra muros uma zona habitacional, conhecida por Bairro de São Lázaro, onde noutros tempos viviam essencialmente chineses católicos. Devido ao desordenado crescimento, as vias que existiam eram estreitas e mal arejadas, sem saneamento básico, por isso as condições sanitárias eram degradantes, favorecendo periodicamente ao surto de doenças endémicas, que ameaçavam a saúde pública. Nestas circunstâncias, por ocasião da grande epidemia de peste bubónica em 1894, aquele Bairro de S. Lázaro foi a zona mais afectada. Como todos os anos eram centenas as vítimas da peste, o então governador Eduardo Galhardo, no Boletim Oficial de 30 de Junho de 1900, mandou demolir e sanear o Bairro de S. Lázaro, para dar início à elaboração de um plano de urbanização para aquela zona. Com a demolição do antigo Bairro de S. Lázaro, os nomes das vias que ali existiam, tais como Beco do Barro, Travessa do Padeiro, Beco do Coco, Beco da Pá, Travessa do Pivete, Beco do Lenço, Beco da Amêndoa, Beco da Jarra, Calçada do Marfim, Beco e Travessa da Capella, Rua do Asylo, etc., todas elas se extinguiram da toponímia de Macau, incluindo a via principal, a então Rua de S. Lázaro, que depois da urbanização, criou-se uma nova artéria que passou a ser designada por Rua Nova de S. Lázaro.

Uma das sinalizações para a demarcação do Bairro de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

O PRIMEIRO BAIRRO PLANEADO

O novo BAIRRO DE SÃO LÁZARO foi o primeiro bairro devidamente planeado em 1903, em território fora dos antigos muros da cidade, de acordo com o projecto do arquitecto espanhol J.M. Casuso.

Concluída a urbanização, o novo Bairro de S. Lázaro passou a abranger toda área situada nas proximidades da Igreja de S. Lázaro (7), mais ou menos limitada pela Calçada do Poço, parte do Caminho dos Artilheiros, Rua de Sanches de Miranda, Estrada do Cemitério e parte da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, com moradias de dois pisos, ordenadas perpendicularmente e edificadas dentro das seguintes novas vias:

Rua do Volong, Rua Nova de S. Lázaro, Rua de S. Roque, Rua de S. Miguel, Calçada Central de S. Lázaro, Calçada da Igreja de S. Lázaro, Rua de Eduardo Marques, Adro de S. Lázaro e Pátio de S. Lázaro.

Cinco das vias acima referidas foram atribuídas por referência à Igreja de São Lázaro; uma, dedicada a S. Roque, o santo protector de pestes perniciosas e de epidemias; uma, a S. Miguel, devido ao cemitério de S. Miguel Arcanjo, ali próximo; outra, a Eduardo Marques, cuja via ocupa uma parte da antiga Rua do Asilo (8), a qual foi alterada em 1933 para Rua de Eduardo Marques, em homenagem a Eduardo Augusto Marques, governador de Macau entre 1909-1910, que, na sequência da implantação da República, entregou o governo, em 29 de Novembro desse ano, a João Marques Vidal, nomeado governador interino; e, por fim, a Volong, um abastado chinês que viveu e faleceu em Macau.

Quem era Volong?

Pouco se sabe deste chinês, cujo nome completo é Lôi Vó Lông (呂 和 隆 , em pinyin, Lü Helong). Tal como muitos outros chineses que aqui fizeram fortuna nos seus negócios, poucas referências existem sobre esta personalidade em Macau. Consta que veio de Sôn Tâk (順 德 , em pinyin, Shunde), tendo sido Conselheiro para a Administração da Dinastia Qing. Foi católico, sendo Francisco Volong o seu nome de baptismo. Era proprietário de terrenos situados junto do antigo Bairro de S. Lázaro, conhecidos por Horta do Volong (和 隆 菜 園, em cantonense: Vó Lông Ch’ói Yün). Diz-se que, numa altura em que a situação económica esteve em crise, as autoridades portuguesas pediram-lhe o fornecimento de arroz e outros géneros alimentícios, a crédito, para socorrer os necessitados, tendo em conta as boas relações que mantinha com o governo de Macau. Não sendo uma figura conhecida na história da China, teve no entanto a honra de figurar o seu nome numa artéria de Macau, situada dentro da sua antiga propriedade. Faleceu novo, aos 49 anos de idade, em 1864, e porque era católico, teve também a honra de ter sido o primeiro chinês a ser sepultado no Cemitério de S. Miguel, numa enorme campa, talvez a maior que lá existe, estando também ali sepultada a sua esposa, Leong Si ( 梁氏).

Um conjunto de moradias da Rua do Volong, muitas das quais se encontram desabitadas, por falta de manutenção, interiormente. Foto: M.V. Basílio

FAMÍLIAS MACAENSES QUE RESIDIRAM NO BAIRRO DE S. LÁZARO

Após a urbanização do Bairro de S. Lázaro, que passou a ser uma zona bem arejada e com boas condições de salubridade, dispondo de moradias totalmente novas, para lá se mudaram e viveram durante décadas, diversas famílias macaenses, designadamente:

Entre a Rua de São Miguel e a Rua Nova de São Lázaro:

Maximiano da Rocha e filhos, Deolinda, Flávia, Mário, Adelina, Cíntia e Palmira; Augusto Madeira de Carvalho; Manuel Gomes Eusébio; Henrique, Carlos, Sebastião da Rosa, bem como Telma e Helena Rosa; Fernanda do Rosário; Jorge Lagariça, sua mulher Natália, e filhos Ângela e António Lagariça; Dália Jorge; Natércia, José, António e Coleta Amorim; João Conceição; Horácio Conceição; Luísa Viana; João Mendes; Joaquim Luz; Francisco Poupinho; Henrique, Carlos e José Avelino da Silva, bem como suas irmãs Elóia, Fátima, Alice e Celeste; António Fernandes; Rosita Xavier e marido Fernando Nascimento; Venâncio Xavier; António Crestejo; Cândido e Anita Bañares; Remigio Bañares; André Bañares, sua mulher Maria, e filhos, André, Feliciana, Ângela, Felisberto, Rita, Vitória e Cristina; Cornélio Bañares, sua mulher Maria Francisca, e filho Cornélio, casado com Lúcia, tendo este casal os seguintes filhos: Maria, Francisco, João, Fátima, Carlos, Diana, Josefina e Irene; Cipriano Bernardo, sua mulher Sabina, e filhos Cipriano, Moisés, Marcelino e Sabina; Francisco Xavier Placé, pai de Margarida, Artur, Josefina, Irene, Jane, Natércia e Mário; Leonardo Pinto Marques e Aida Maria do Espírito Santo, e filhos, Aida, Virgínia, Maria Teresa e Leonardo; Eugénio Cordeiro, sua mulher Edwiges da Luz Placé, e filhos, Eduardo, Elsa, Augusto, Américo, Maria, Amadeu e Frederico; Alberto, Isabel, Daniel Mendonça e seus pais, Luis Gonzaga Machado de Mendonça e Maria da Conceição dos Santos Ferreira; Miguel Clemente Cordeiro e mulher, Elvira Rosalina Barreira, pais de Carlos, Natércia, Laura e Manuel; os Viana: Euclides (Clyde), e Celeste, Humberto, Telma, Euclides (Kiddy), Maria, além da família do Eurico Viana casado com Ermelinda, bem como Miro Viana (irmão do Clyde) e esposa Maria; Stella Luz; Família Luz: Álvaro Augusto e Marcelina, e filhos Cíntia, José Carlos, Natércia, Yolanda, Álvaro António e Rogério.

Na Calçada da Igreja de S. Lázaro (do lado direito)

Estanislau Barros e seu filho Gastão Barros; Mário Lemos

No Adro de S. Lázaro:

Júlio Boyol; Ambrósio Tang.

Na Rua do Volong:

Vicente Gracias e filhos, António e Eduardo Gracias; Amadeu Rodrigues; Francisco Xavier Antunes, sua mulher, Evelina Conceição da Silva, e filhos, Dâmaso e Flávio Antunes; Alfredo Augusto de Almeida e mulher Rosalina Boyol; Capitão Cortês, um militar português (9), casado com Astéria Mendonça; João Baptista Lam; José Sá e Silva, sua mulher, Angelina Nunes da Silva, e filhos, Felisberto, Victor, José, Arminda, Florentina, Henriqueta, Maria Luísa e Maria Amélia; Estanislau Alberto Carlos, pai de Fausto Carlos; Carlos, Humberto, João, Natália e Raul Nantes; Boaventura do Rosário; José Maria de Siqueira e Isabel de Sousa Siqueira, pais de Mário, Ludgero e Zoé Siqueira; João de Deus Campos.

Na Rua de Eduardo Marques:

José dos Santos Ferreira (mais conhecido por Adé) e sua mulher Alba Bárbara Viana; Belmiro José Pedro; Luiz Gonzaga Collaço; José da Silva Maneiras e mulher, Florinda da Silva, pais de José Celestino Maneiras; Inácio, Camilo, Justino e Catarina Lei; Cassiano Pinto.

Além das pessoas acima referenciadas, houve mais pessoas ou famílias macaenses, ora não mencionadas, que viveram no Bairro de S. Lázaro e, no caso em apreço, a referência feita a uma só pessoa ou a uma família é tida como incluir outros membros da mesma pessoa ou família que eventualmente residiram naquele Bairro. Apesar das pesquisas feitas junto a várias pessoas, as informações obtidas nem sempre são completas, pois houve famílias que viveram lá durante muitos anos e outras por períodos mais curtos, bem como pessoas que apenas são conhecidas por alcunhas e, por isso, não estão referenciadas. Por conseguinte, uma actualização (veja nota do blogue no final), em devido tempo, torna-se indispensável, face a novas informações.

Em frente à igreja, está o prédio No. 7 da Calçada da Igreja de S. Lázaro, mandado construir em 1918 por Ch’ôi Nók Chi (崔諾枝), cujo nome de baptismo é Joel José Choi Anok. Em 1923, ele e alguns amigos criaram a Associação Educadora de Crianças Chinesas de Macau, passando então aquele prédio a ser utilizado para fins educativos. Mais tarde, o prédio serviu também para outras finalidades. Foto: M.V. Basílio

Depois de décadas vividas naquele Bairro tão peculiar, famílias macaenses começaram a mudar-se para outras localidades, sobretudo a partir dos anos 70 e 80 do século passado. Foi por essa altura que muitas das casas do Bairro foram alienadas e demolidas, para dar lugar à construção de novos prédios de 5 ou 6 pisos, que passaram a ser habitados principalmente pela população chinesa. Com as novas construções, o Bairro ficou parcialmente descaracterizado, mantendo-se, no entanto, como bens imóveis classificados, os prédios situados nas imediações da Igreja de S. Lázaro, dos quais se destacam o edifício pertencente à Associação Educadora de Crianças Chinesas de Macau (em chinês: 中華請少年教育輔助會, que literalmente quer dizer Associação para o Apoio Educativo de Jovens Chineses) (10) e do Albergue da Santa Casa da Misericórdia (11) e, ainda, os prédios restaurados para as instalações do Fundo de Segurança Social, da Incubadora de Indústrias Criativas FANTASIA 10, da Escola de Música do Conservatório de Macau, etc. A reabilitação ou requalificação de vários prédios do Bairro de S. Lázaro deve-se ao facto de aquela zona ter sido escolhida, pouco após a transferência de soberania, em 1999, para ser uma zona destinada à promoção de actividades artísticas e culturais e, por isso, pavimentaram-se algumas vias com calçada à portuguesa e colocaram candeeiros de rua ao estilo europeu, com vista a dar àquele Bairro uma nova vida e criatividade. Pena é que os resultados deste projecto ainda estão aquém do desejado, pois restam muitos prédios, já devolutos, sem calor humano, a carecer de obras de conservação, e a aguardar um condigno aproveitamento.

Neste prédio nº 10 da Calçada da Igreja de S. Lázaro, junto à escadaria, funciona a Incubadora de Indústrias Criativas FANTASIA 10. Foto: M.V. Basílio

NOTAS:

(1) Era a muralha que descia da Fortaleza do Monte, corria depois ao longo da actual Rua de Tomás Vieira até à Porta de Santo António, indo dali até à Rua do Patane e cuja muralha contornava o morro da Gruta de Camões. Dado que aquele troço da muralha era de pedra, a Rua do Patane é ainda designada, em chinês, por “Sék Ch’eong Kái” (Sek, pedra; Ch’eong, parede, muro ou muralha; e, Kai, rua).

(2) A primitiva Porta era de estilo chinês, designada “Kuán Cháp Mun” (關 閘 門), em português, Porta do Limite. Em 1849, as forças portuguesas avançaram mais para norte e, depois, demoliram a primitiva Porta, para se construir, num local mais acima, a actual Porta do Cerco, inaugurada em 1871, durante o governo de António Sérgio de Sousa (1868-1872).

(3) Contrariamente ao que muitos escreveram ou aprenderam nas escolas, que Macau foi oferecido ou doado aos portugueses, as autoridades chinesas, porém, nunca assim consideraram. A fixação dos portugueses em Macau era encarada como uma ocupação consentida pelas autoridades chinesas, mediante o pagamento anual do foro do chão, com vista a benefícios mútuos. Devido aos receios que tinham em relação aos estrangeiros, adoptavam então uma astuta estratégia – a do isolamento, restringindo-os num determinado espaço territorial, de forma a estarem sob o seu controlo. Como nunca se chegou a acordo quanto à fixação de fronteiras, por isso, no preâmbulo da Lei Básica da RAEM, está expressamente mencionado que “A partir de meados do século XVI, foi gradualmente ocupado por Portugal”. Na realidade, assim foi, visto que, aquando da fundação de Macau, Taipa e Coloane não faziam parte integrante do território ocupado pelos portugueses.

(4) Presentemente, a nova via é-lhe dedicada e está repartida pela Rua do Coelho do Amaral, que termina na Estrada do Repouso, começando dalí a Estrada do Coelho do Amaral, que vai terminar na Avenida do Coronel Mesquita. Primitivamente, esta Estrada terminava na Estrada do Arco, junto do templo de “Lin Fông” (蓮 峰 廟 , em cantonense: “Lin Fông Miu”).

(5) A igreja de S. Lázaro continua a ser designada, em chinês, por “Móng Tâk T’óng” (望 德 Móng Tâk, significa esperança, e 堂 T’óng, igreja), nome derivado da antiga ermida de Nossa Senhora de Esperança.

(6) Em 1882, a maior parte dos leprosos foi transferida para Pac Sá Lan ( 白 沙 欄 ), na ilha de D. João (então sob a administração portuguesa, situada em frente à ilha da Taipa) e, depois, para Ka-hó, em Coloane, cuja leprosaria já foi encerrada, restando ainda as antigas instalações (recentemente restauradas) e a moderna capela de N. Srª. das Dores.

(7) Em 1885, o Governador Tomás Rosa mandou demolir a igreja de São Lázaro, que estava arruinada, a fim de edificar uma nova, que ficou concluída no ano seguinte. Em 1967, a igreja de S. Lázaro foi ampliada, passando a ter a actual configuração.

(8) O prédio No. 7 da Calçada da Igreja de S. Lázaro, foi mandado construir em 1918 por Ch’ôi Nók Chi (崔 諾 枝), cujo nome de baptismo é Joel José Choi Anok. O prédio, no entanto, só foi inaugurado a 27 de Maio de 1923, depois de ele e mais alguns amigos terem criado a Associação Educadora de Crianças Chinesas de Macau, passando então aquele prédio a ser utilizado para fins educativos, designadamente para a instalação da Escola Kông Káu. Após encerramento desta escola, o prédio foi utilizado para fins assistenciais e até como salão paroquial. Presentemente, o prédio alberga a Casa de Arte Tai Fông T’óng (大 瘋 堂 藝 舍), que faz parte da Zona de Indústrias Culturais e Criativas da Freguesia de São Lázaro. Merece fazer aqui uma breve referência a Ch’ôi Nók Chi, aliás, Joel José Choi Anok, porquanto foi uma destacada figura na comunidade local, tendo desempenhado diversos cargos, tais como o de director do Hospital Kiang Wu e da Associação Comercial de Macau, bem como o de presidente da Associação de Beneficência Tung Sin Tong, além de ter sido escolhido pelo Governo de Macau, como representante da comunidade chinesa, para vogal do Conselho do Governo. Pelos dedicados e relevantes serviços que prestou, recebeu várias medalhas, destacando-se a condecoração, que lhe foi atribuída, com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Por ter sido um grande benemérito, sobretudo pelas inúmeras acções que praticou no auxílio a carenciados e refugiados em Macau, no período da Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), existe no interior da Associação de Beneficência Tung Sin Tong um busto em sua homenagem. Faleceu a 22 de Agosto de 1945, com a idade de 78 anos.

(9) Além de famílias macaenses que viveram no Bairro de S. Lázaro, ali viveram também, na Rua do Volong, alguns oficiais do exército, que vieram para Macau em serviço militar, tais como capitão Cortês, capitão Teixeira e, ainda, capitão David da Conceição Oliveira.  Conforme mencionou o historiador Pe. Manuel Teixeira, num dos seus livros, o capitão Oliveira “veio para Macau no posto de capitão de infantaria, e fora morar com a sua mulher e seus quatro filhos na Rua do Volong, perto da igreja de S. Lázaro”.  Um dos seus filhos era Albano de Oliveira, que aqui fez a instrução primária e frequentou o Liceu de Macau, e depois de regressar a Lisboa tirou o curso da Escola Naval.  O então capitão-tenente Albano de Oliveira, depois de cumprir várias missões de serviço, exerceu o cargo de Governador de Macau, de 1 de Setembro de 1947 a Junho de 1951, e antes de cessar as suas funções governativas, foi proclamado, em sessão do Leal Senado de 28 de Março de 1951, Cidadão Benemérito de Macau, porque a cidade lhe deveu muitos melhoramentos.

(10) A extinta Rua do Asylo (Asilo) ocupava parte da actual Calçada da Igreja de S. Lázaro, continuando depois pela Rua de Eduardo Marques.

(11) Actualmente, já não tem a finalidade de Albergue, porquanto o prédio foi requalificado e aproveitado para várias finalidades, designadamente, para as instalações de um restaurante de gastronomia portuguesa, uma loja que comercializa produtos portugueses, denominada Mercearia Portuguesa e, também, uma galeria de exposições.

Uma nota final de agradecimento a todos aqueles que deram o seu contributo na identificação de pessoas ou famílias que viveram no Bairro de S. Lázaro, em particular, Ismael Sá e Silva, Eduardo Gracias, Ângela Lagariça e Fernando Nascimento, bem como Carlos Lemos, que apesar de não ter residido naquele Bairro, lá viveram parentes dele. (Artigo de M.V. Basílio)

  • Nota do editor do blogue (Rogério P D Luz): Também residi na Rua Nova São Lázaro com a minha família na infância, e a descrição de nomes de familiares e parentes (Viana) contou com a colaboração da minha irmã Yolanda Luz Ramos.
  • Seu nome não consta das Famílias citadas que moraram no bairro? Envie um e-mail (clicar aqui) para o editor para a providência, e/ou fale com o autor do artigo.

Os tempos antigos do bairro de São Lázaro

Vista geral do antigo Bairro de S. Lázaro, com a antiga igreja, demolida em 1885 e, em sua substituição, foi construída uma nova igreja no ano seguinte. Do lado esquerdo, vê-se o Cemitério de S. Miguel Arcanjo.

Aspecto da Igreja de S. Lázaro, ca. 1900

Aspecto da Calçada Central de S. Lázaro, ca. 1960. Os prédios do lado direito foram todos demolidos, para dar lugar a novas construções.

Rua de Sanches de Miranda, que demarca um dos limites do Bairro de S. Lázaro. Todos os prédios do lado direito foram já demolidos.

Aspecto da Calçada da Igreja de S. Lázaro, ca. 1970.

A actualidade

A actual configuração da igreja de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

A Cruz da Esperança datada de 1637, implantada no lado direito, depois de subir pelos degraus do Adro de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Um troço da Rua Nova de S. Lázaro, vendo-se ao fundo a Igreja de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Abaixo: esq.-outro aspecto da Rua Nova de S. Lázaro, visto do Adro da Igreja de S. Lázaro / dir.-do lado direito, está um prédio com duas moradias, dentro do espaço designado por Adro de S. Lázaro. Fotos: M.V. Basílio

Abaixo: esq.-fachada do prédio No. 7 da Calçada da Igreja de S. Lázaro. Presentemente, o prédio alberga a Casa de Arte Tai Fông T’óng (大瘋堂藝舍), que faz parte da Zona de Indústrias Culturais e Criativas da Freguesia de São Lázaro / dir.-um troço da Calçada da Igreja de S. Lázaro. No primeiro prédio do lado esquerdo, funciona presentemente a Escola de Música do Conservatório de Macau. Fotos: M.V. Basílio

Calçada da Igreja de S. Lázaro, vendo-se do lado direito a placa toponímica do Adro de S. Lázaro e, do lado esquerdo, a entrada principal do referido prédio No. 7. Na parede do prédio do lado direito estão afixadas as letras FSS, isto é, Fundo de Segurança Social, em cujo prédio estão instalados os seus serviços. Foto: M.V. Basílio

Um troço da Calçada da Igreja de S. Lázaro junto ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia, com a escadaria ao fundo que dá acesso à Rua de Sanches de Miranda. Foto: M.V. Basílio

A entrada para o Albergue da Santa Casa da Misericórdia. Foto: M.V. Basílio

Um prédio construído em 1925, que já serviu para várias finalidades. Foto: M.V. Basílio

Placa toponímica da Calçada da Igreja de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Outro aspecto da Calçada da Igreja de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Calçada Central de S. Lázaro, vista da Rua do Volong. Do lado esquerdo, todas as casas antigas foram já demolidas, para dar lugar à construção de prédios de 5 ou mais pisos. No canto do lado direito, existiu uma casa, onde viveu um militar português, conhecido por Capitão Cortês. Foto: M.V. Basílio

Calçada Central de S. Lázaro, em direcção à Rua do Volong, vendo-se do lado esquerdo duas antigas casas que ainda restam e, do lado direito, vários prédios de 5 ou mais pisos, que foram construídos após a demolição de antigas casas do Bairro de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Um troço da Rua de S. Miguel, que entronca com a Calçada da Igreja de S. Lázaro. Na rampa que se segue, começa a Rua de Eduardo Marques, que vai terminar na Estrada do Cemitério. Foto: M.V. Basílio

Rua de Eduardo Marques, vendo-se ao fundo a torre da capela do Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Foto: M.V. Basílio

Outro aspecto da Rua de Eduardo Marques. Foto: M.V. Basílio

Rua de S. Miguel, vista a partir da Rua de Eduardo Marques. Os prédios de 5 ou mais pisos, que se vêem, fazem parte do Bairro de S. Lázaro, construídos nos terrenos resultantes da demolição de antigas casas. Foto: M.V. Basílio

Outro aspecto da Rua de S. Miguel, vendo-se do lado direito um conjunto de 5 moradias, todas desabitadas e em mau estado de conservação. Foto: M.V. Basílio

Rua de S. Roque, no estado actual. Foto: M.V. Basílio

Abaixo: esq.-placa toponímica da Rua do Volong / dir.-Rua do Volong em direcção à Estrada do Cemitério. Fotos: M.V. Basílio

Moradias devolutas na Rua do Volong. No canto da rua, existiu uma casa onde viveu Eduardo Gracias, até 1978. Após ter sido demolida em princípios dos anos 80, o terreno foi mais tarde aproveitado para servir de jardim à Escola de Música. Foto: M.V. Basílio

Outro aspecto da Rua do Volong, em direcção à Calçada da Igreja de S. Lázaro. Foto: M.V. Basílio

Sepultura de Volong, no Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Foto: M.V. Basílio

Uma cruz com a seguinte inscrição: ANTIGO CEMITERIO DE S. LASARO TRANSLADADO EM MAIO DE 1910. Durante muitos anos existiu um cemitério para cristãos chineses no Bairro de S. Lázaro, e quando foi encerrado, as campas foram transladadas para o Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Aquela cruz serve apenas para assinalar a transladação que se efectuou em 1910. Foto: M.V. Basílio

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9 comentários em “O bairro de São Lázaro de Macau e antecedentes históricos

  1. Henrique Manhao
    17/08/2018

    Manuel Basilio, alem de ser um excelente fotografo e’ também um historiador e escritor de grande categoria

    • Manuel Basilio
      18/08/2018

      Caro Henrique Manhão, agradeço o elogio. Não sou historiador e o que faço é apenas umas pesquisas para escrever algo sobre esta nossa terra, para que a memória macaense não se perca.

  2. Apesar de já ter lido algumas versões da História de Macau (a da autoria de Montalto de Jesus foi a que + me marcou), li este texto resumido só na área do Bairro de São Lázaro e achei-o muito bem estruturado resultante, decerto, de um trabalho aturado e exaustivo. Está muito bom Manuel Basílio…este como os outros textos teus já publicados, deverão, na minha opinião, serem coligidos num só volume e creio que ainda haverá “sobreviventes” como eu interessados em ler e cultivar as histórias da nossa Macau de outrora. Conheci práticamente todas as famílias citadas e que viveram naquele Bairro, mas, houve (penso eu) pequenas falhas, como é naturalíssimo…eu acho que a família Nantes, Natália, Humberto, Carlos, João e Raúl viveu na Travessa do Santos, (já que sendo eu da idade do Cálin e do João, fui à casa deles muitas vezes)…e a família Rosário, Reginaldo, Daniel, Aquiles, viviam numa casa mesmo no topo de uma curta escadaria que dava para a Rua de São Miguel (eu tb. amigo do Aquiles e do Daniel). Um outro “falhanço” foi no comentário sobre sobre a “Calçada Central de São Lázaro, em direção à Rua do Volong”… em que se diz “à esquerda…” e à “esquerda”” etc…esta é a prova de que eu li o historial todo…eh.eh.eh…continuo apaixonado pela minha terra. Parabéns. J. Robarts

    • Manuel Basilio
      18/08/2018

      Caro J. Robarts, agradeço o seu apreço por este meu artigo, bem como outros já publicados. Vou responder-lhe sucintamente as questões abordadas.De acordo com a informação que me foi prestada por Ismael Silva, o vizinho dele na Rua do Volong era um capitão Teixeira e quando este deixou a casa onde vivia, mudou-se para lá a família Nantes; quanto à família Rosário, pelo que me informaram, vivia num grande prédio sito no Beco da Boa Vista, que começa na Rua do Pato e termina em frente da Rua de S. Roque, portanto, já fora da zona demarcada do Bairro de S. Lázaro; e quanto ao “falhanço” sobre a legenda da Calçada Central de São Lázaro, agradeço o seu reparo, pois a idade também me obriga a cometer lapsos de escrita. Reitero os meus agradecimento e espero que, futuramente, continue a fazer os seus comentários a respeito dos meus artigos.

      • É curioso Manuel, conversa puxa conversa…Referi à família Nantes no período que medeia entre 1947 e 1950 quando eu subia a tal Travessa do Santos que terminava numa rua estreita que dava para o Hospital de S. Rafael e doutro lado para a Calçada do Poço (?)…se a mesma família viveu antes ou depois deste período na Rua do Volong, bem, isto não sei: Quanto à família de Angelo do Rosário, de facto no topo da pequena escadaria havia uma rua e nunca tive a curiosidade de saber o nome da mesma…coisas de jovem e basta. E já agora na R. do Volong viveu mesmo à frente da casa dos Antunes, o Manuel Guerreiro = Ló Pak (nabo) e o Daniel Guerreiro, + acima = Mou Si Fât (bunda lisa)… coisas passadas há tantos anos, mas sempre muito agradável de recordar. Abraços.

      • Manuel Basilio
        22/08/2018

        Exacto, ao cimo da Travessa dos Santos é a Rua do Pato, que fica mesmo atrás do edificio do antigo hospital de S. Rafael (actualmente a ser utilizado pelo Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong). Chegando ao cimo da Travessa dos Santos e caminhando em seguida pelo lado esquerdo, chega-se à Travessa do Pato, onde há uma escadaria, e uns metros mais adiante, do lado direito, é a entrada de uma via designada por Beco da Boa Vista e foi num prédio (já demolido) deste Beco que viveu a família de Ângelo Rosário. Actualmente, este Beco tem saída pela Calçada do Poço.
        Quando estava a fazer as minhas pesquisas sobre familias macaenses que viveram no Bairro de S. Lázaro, várias pessoas me confirmaram que a familia Nantes viveu mesmo em frente à casa do Antigonço (Eduardo Gracias). Era natural que tivesse vivido na Travessa dos Santos, antes de se mudar para a Rua do Volong.
        Revendo os meus apontamentos, consta, de facto, o nome de Manuel Guerreiro, que por lapso não ficou mencionado no meu artigo. Agradeço-lhe, portanto, esta referência e confirmação.

  3. Jorge Basto
    18/08/2018

    Da minha leitura apressada destaco tópicos que me chamaram a atenção: Volong, alcunhas e Adé
    Volong – ligado aos alimentícios, padarias
    Alcunhas – nisto saliento, não há macaense sem alcunha. Um tema interessante a explorar.
    Adé (José Santos Ferreira) – mais Tap Seac que S. Lazáro. Conheci-o pessoalmente e ao filho, meu colega de Liceu.

    • Manuel Basilio
      18/08/2018

      Também lhe vou responder sucintamente as questões suscitadas: a) Existiu, de facto, uma Padaria Volong, na Rua dos Mercadores, mas nada tem a ver com o abastado chinês Lôi Vo Long, aliás Francisco Volong; b) Sim, os macaenses são mais conhecidos por alcunhas; e, c) Conforme informação prestada por Carlos Santos Ferreira (Charlie), Adé chegou a viver na Rua de Eduardo Marques, do Bairro de S. Lázaro. Agradeço o comentário feito ao meu artigo.

  4. Pingback: Em Macau, o Bairro Tap Siac, um bairro de gratas recordações | Cronicas Macaenses

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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