Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Macau: Histórias do Senado – os Vice-Reis da Índia, o Senado e a Cidade

Na quarta postagem da série “Histórias do Senado”, mais um texto de Padre Teixeira, grande historiador e pesquisador de Macau:

Origem: livro Fortificações de Macau

Origem: livro Fortificações de Macau

OS VICE-REIS DA ÍNDIA, O SENADO E A CIDADE

Texto de Padre Manuel Teixeira, do livro “Primórdios de Macau”. Edição do Instituto Cultural de Macau (1990)

No treslado de 1592 diz-se que “a eleição da cidade e vereação foi aprovada pelos Vice-Reis e o V. Rei D. Duarte de Menezes lhe passou patente em nome de S. Magestade”.

Ljungstedt, citando a Representação de 1821, diz que este arranjo foi feito em 1583, sendo aprovado por D. Francisco Mascarenhas (1581-1584) e ratificado pelo seu sucessor, D. Duarte de Menezes (1584-1588).

Que é que fez um e que é que fez o outro? O primeiro aprovou o Senado; o segundo ratificou-o e elevou a povoação de Macau à categoria de cidade. É o que afirmava em 1623 o escrivão da Câmara, Diogo Caldeira do Rego:

Depois que os primeiros portugueses que a estas partes da China passaram no ano de 1524 (aliás 1513), estiveram e contrataram com os chinas 18 anos na ilha de Sanchuão e 12 em Lampacao, descobriram este porto de Amacao, aonde por acharem mais comodidades e melhores para seu trato e mercancia se foram deixando ficar esquecer nele ora uns, ora outros, fazendo suas casas ao princípio de palha, e depois de taipa, cresceram de maneira em espaço de trinta annos que quase sem se sentir no cabo deles estava já uma povoação tal que tratou de ser cidade, como de efeito no anno de 1584 o Visorrei da índia, Dom Francisco Mascarenhas, Conde de Santa Cruz, mandou fazer a primeira eleição de juíses e vereadores nella, e no seguinte de 85 (aliás 86) o Visorrei Dom Duarte Menezes a fez cidade a que se chamasse do Nome de Deos, dando-lhe por armas a crus do habito de christo com os privilégios da cidade de Évora o que tudo confirmou a magestade dei Rey Felipe primeiro nosso Senhor.”

O escrivão da Câmara chama “nosso Senhor” a D. Filipe, o que confirma que Macau reconhecia os Filipes.

* Veja outras publicações de Histórias do Senado:

https://cronicasmacaenses.com/2015/03/15/macau-historias-do-senado-quem-foi-o-fundador/

https://cronicasmacaenses.com/2015/03/11/macau-historias-do-senado-o-nascimento/

https://cronicasmacaenses.com/2015/04/08/macau-historias-do-senado-d-leonardo-do-sa-o-fundador/

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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