Cronicas Macaenses

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Macau: Forte e Estrada de D. Maria II

Macau Forte D.Maria II (1)

Na edição de Janeiro de 1999 da Revista Macau, Beatriz Basto da Silva no seu artigo – Fortalezas Extramuros, Baluartes e Fortins – faz uma descrição do Forte de D.Maria II e publica duas fotos cuja época data de cerca de 1900.

Mais abaixo, temos um texto do Padre Manuel Teixeira extraído do seu livro – Toponímia de Macau (vol.1) – publicado em 1979 pela Imprensa Nacional, que ao relatar sobre a Estrada de D.Maria II, faz também um relato sobre o Forte que hoje já não existe mais.

Forte D. Maria II (extraído de Fortalezas, Extramuros, Baluartes e Fortins)

de Beatriz Basto da Silva – Revista Macau Janeiro de 1999 (texto e imagens)

Como vimos a propósito de Mong-Há, havia convergência de operações entre esse posto e o de D. Maria II, que se erguia numa colina menos elevada, pouco distante e quase à mesma latitude.

O Forte de D. Maria II começou a ser levantado no tempo desta rainha (1852), com a idéia de substituir o de Mong-Há, entretanto, e como vimos, incompleto; mas acabaram por coexistir e colaborar ambos na defesa da Cidade. A entrada principal fazia-se através de uma ponte levadiça como nos castelos medievais e a planta estava bem adaptada ao cabeço da elevação.

O Forte de D. Maria II alongava a sua acção também para a Baía de Cacilhas, por onde outrora penetraram os holandeses, e que só agora recebia a adequada protecção. Embora dotado de uma só peça, e daí a sua categoria de simples auxiliar, estava ela montada numa plataforma rotativa, cobrindo a zona numa amplitude de 360°, o que lhe conferia suficiente autoridade e competência!

Possivelmente por engano — ou não — os bombardeiros americanos que sobrevoaram Macau em 16 de Janeiro de 1943* atingiram mortalmente este posto defensivo.

Macau Forte D.Maria II (2)

Estrada de D. Maria II

de Padre Manuel Teixeira – livro Toponímia de Macau – Imprensa Nacional 1979

Começa na Estrada de Ferreira do Amaral, à entrada da Bela Vista, contorna a Colina de D. Maria II e vem terminar na mesma Estrada da Bela Vista, em frente do Jardim da Montanha Russa e ao lado da Central Geradora da Melco.

A Rampa de D. Maria II começa na Estrada de D. Maria II, quase em frente do Ramal dos Mouros, e termina no vértice da Colina de D. Maria II; à entrada da Estação Radiotelegráfica.

D. Maria da Glória nasceu no Rio de Janeiro a 4-IV-1819, morreu em Lisboa a 15-XI-1853, sendo filha de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal e da arquiduquesa D. Leopoldina de Áustria; foi proclamada rainha de Portugal em 1834, com o nome de D. Maria II. O seu reinado foi assinalado pela extinção das Ordens Religiosas, lutas partidárias entre cartistas, miguelistas, setembristas, cabralistas, a patuleia e sublevações, entre as quais a de Maria da Fonte, juntas revolucionárias a alastrar como cogumelos por todo o país, enfim, derramamento de sangue e escoamento do erário.

D. Maria, no entanto, foi um modelo de esposa e mãe.

No seu reinado construiu-se o teatro de D. Maria II.

Em chinês a Estrada chama-se Má Káu Seak Pau T’oi Ma Lou — «Estrada do Forte de Macau Seak»; e a Rampa Má Káu Seak P’au T’oi Ch’é Pó – – «Rampa do Forte de Macau Seak». Deu origem a estes nomes o Forte de D. Maria II ali existente. Foi construído sob a direcção de Antônio de Azevedo e Cunha, ficando concluído em Fevereiro de 1852 e sendo postada ali uma guarnição a 17 desse mês.

Em 1886, estava armado com uma peça Armstrong de 95mm.

A casamata deste Forte foi destruída em 16 de janeiro de 1943*, em que Macau foi bombardeada pelos americanos. Hoje está em ruínas. O fim deste Forte era proteger a Baía de CaciIhas e reforçar o fogo do Forte de Mong Há.

Jorge Graça descreve assim o Forte de D. Maria II: «O plano deste forte forma um hexágono irregular, com duas saliências consecutivas, a de sudoeste e a de nordeste, formando ângulos rectos com as respectivas muralhas. A muralha de sudoeste é protegida por um pequeno fosso de 3 1/2m. de profundidade, hoje parcialmente aterrado por pequenos desmoronamentos provocados pelo clima e pela vegetação. A porta da entrada do Forte era uma verdadeira ponte levadiça, em estilo medieval. À entrada segue-se uma galeria abobadada, com dois pequenos nichos no lado esquerdo, cada qual com uma seteira. No lado direito há outro nicho com três seteiras. Seguindo esta galeria, abre-se, do lado esquerdo, um corredor que vai dar a uma pequena casamata, hoje em ruínas, com três seteiras na parede. No extremo deste corredor há outro nicho com uma seteira. Do lado direito do corredor, no centro, existe um pequeno paiol de pólvora e, mais além, uma abertura que dá para uma cisterna de água. Destas seteiras a guarnição podia cobrir com as suas armas os terrenos circundantes. Chega-se à esplanada por uma pequena rampa com largos degraus. Na parte norte do Forte existe uma plataforma circular de pedra e betão reforçado, de 1.20m. de diâmetro, com uma seteira no centro, que servia para abrigar a guarda ali postada. No lado esquerdo, vê-se hoje uma marca trigonométrica. No lado ocidental, há uma entrada para uma plataforma de betão armado. Tinha o bloco de madeira com um centro aparafusado à base da pedra.

Este bloco de madeira tinha um elo móvel, em que assentava a armação do canhão e girava alcançando desta forma um raio de fogo de 360°. Hoje, em seu lugar, assenta uma torre de ferro pertencente à Estação da Rádio. Esta plataforma tinha uma abertura que dava acesso a um corredor que dava para um espaço acima da galeria abobadada à entrada da porta, onde ainda existem dois pilares de pedra, cada qual com uma seteira semicircular de cerca de 15 cm. de diâmetro, servindo de apoio a uma bobina horizontal que manobrava o girar dos cabos da ponte levadiça» (Boletim do Instituto Luís de Camões, Vol III, Nos. 3 e 4, 1969, p. 381-382).

* Comentário de Armando Cação (vide) diz que o ano correto é 1945.  O ano de 1943 é o que consta das publicações informadas.

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2 comentários em “Macau: Forte e Estrada de D. Maria II

  1. armando cação
    17/02/2013

    um abraço.
    Os bombardeamentos americanos a Macau foram no ano de 1945(quarenta e cinco)

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

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