Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

O Seminário de São José de Macau fundado por jesuítas e fotos-memória (05)

Seminario S.Jose predio antigo

foto e texto do livreto escolar dos anos 60

Com a eleição do Papa Francisco, os jesuítas tornaram-se foco das atenções do mundo. O arcebispo de Buenos Aires, Argentina, Jorge Mario Bergoglio tornara-se o primeiro jesuíta a ser eleito Papa.  O Seminário de São José, de Macau (ex-território português na China), tem o seu destaque por ter sido fundado por jesuítas em 1728.  A sua história é contada abaixo conforme a enciclopédia livre Wikipedia.

As fotos retratam o corpo dirigente e docente, alunos externos e internos (seminaristas), de época desconhecida e que vão até os anos 50 e 60. Agradecimentos ao Carlos Dias (Macau) e um macaense residente em Macau que prefere o anonimato, ambos ex-alunos externos, por compatilhar as fotos que compõem a série fotos-memória deste blog:

Seminario S.Jose livreto

(clicar nas fotos para aumentar.  Umas têm tamanho grande para melhor reconhecer as pessoas)

SEMINÁRIO DE SÃO JOSÉ, A HISTÓRIA

O Seminário de São José foi fundado em 1728 pelos jesuítas ao serviço do Império português, no âmbito do acordo do Padroado português. Juntamente com o Colégio de São Paulo, construído pelos jesuítas em 1594 mas destruído por um incêndio em 1835, este seminário constituiu a base principal para a formação de missionários católicos para o Extremo Oriente, principalmente para a China. O currículo académico do Seminário era equivalente ao de uma universidade ocidental. Segundo a tradição local, o Seminário operou inicialmente em três pequenas casas oferecidas aos jesuítas pelo comerciante Miguel Cordeiro. Provavelmente, os jesuítas construíram um novo edifício de raiz em 1742 para substituir estas casas, que não se sabe ao certo se foram demolidas ou não.

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clicar nas fotos para aumentar

Os jesuítas foram forçados a abandonar este seminário em 1762, quando foram expulsos pelas autoridades portuguesas, durante a supressão da Companhia de Jesus. Após este acontecimento chocante, o Seminário suspendeu as suas actividades até 1783, quando foi reaberto pelos lazaristas vindos de Goa. A Casa Real Portuguesa financiou os custos da sua reabertura, incluindo os gastos relativos à reparação, mobilação e contrato de professores e funcionários. Rapidamente, esta instituição de ensino granjeou uma grande reputação e formou muitos padres chineses. Em 1800, a Rainha D. Maria I deu a esta instituição o título real de “Casa da Congregação das Missões”. É a segunda mais antiga instituição universitária de Macau, a seguir ao Colégio de São Paulo.

Altar da Igreja de São José nos anos 60

Altar da Igreja de São José nos anos 60

Durante as guerras napoleónicas, o Seminário teve grandes dificuldades em encontrar professores. De 1836 a 1860, as actividades de ensino do Seminário foram completamente suspendidas e interrompidas. Em 1862, este seminário foi devolvido aos jesuítas e reaberto. Porém, em 1870, eles voltaram a ser expulsos dos seus postos académicos, porque o Governo de Portugal proibiu qualquer estrangeiro de ser professor em seminários ou escolas católicas que operavam no Império português. Apesar dos protestos dos cidadãos locais, nomeadamente de Pedro Nolasco da Silva, este decreto foi implementado, afectando seriamente a educação portuguesa em Macau, já que a única escola ocidental que funcionava bem naquela altura era o Seminário de São José, cujos professores eram maioritariamente jesuítas estrangeiros e cujo ensino era desfrutado também por rapazes não-seminaristas. Com a expulsão dos jesuítas, o Seminário foi reorganizado e passou a ser operado por padres diocesanos locais.

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Em 1890, os jesuítas voltaram a assumir o controlo do Seminário. Porém, com a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, todos os jesuítas foram novamente expulsos do Império português, incluindo Macau. O Seminário, gravemente atingido por esta medida, passou novamente a ser operado pelos padres diocesanos locais. Em 1916, o edifício que aloja o seminário foi submetido a grandes obras de remodelação e restauro. Em 1929, devido à falta de professores, os jesuítas, que tinham uma missão em Shiu-Hing, voltaram a assumir o controlo do Seminário. Em 1940, eles abandonaram definitivamente este seminário histórico, que passou a ser pertencente e administrado pela Diocese de Macau, através dos seus padres diocesanos.

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No século XX, o Seminário de São José tornou-se de novo num dos principais centros de formação de missionários para o Extremo Oriente. Os seus estudantes eram oriundos maioritariamente de Macau, Hong-Kong, Portugal, Timor e China continental. O seminário era misto, ou seja, ministrava dois programas de ensino diferentes, um de matriz portuguesa e outro de matriz chinesa. O programa chinês, que tinha o português como língua estrangeira, seguia as directrizes e os programas oficiais traçados pela Igreja Católica chinesa, no sentido de formar missionários capazes de evangelizar a China. Além dos seminaristas, estudava também lá muitos rapazes internos e externos que, não sendo seminaristas, frequentavam o curso comercial e a instrução primária e secundária ministrados pelo seminário. Em 1924-1925, esta instituição de ensino chegou a ter 533 alunos matriculados, sendo 428 externos e 105 internos, dos quais 62 eram seminaristas.

Porém, em 1929, encerrou-se o internato dos colegiais, ou seja, dos que não eram seminaristas. Em 1936, D. José da Costa Nunes acabou com o curso comercial e, em 1938, com o externato, com o objectivo de cumprir as normas ditadas pela Santa Sé, que estabeleciam que os seminários deviam ser usados exclusivamente para a formação do clero. O externato acabou por ser reaberto em 1949. Mas, após o motim 1-2-3 e devido à falta de vocações sacerdotais, o Seminário de S. José foi encerrado em 1967 e o seu externato em 1968. Os poucos seminaristas que ainda restaram ou apareceram depois foram estudar para Hong Kong e Portugal. Desde 2007, as suas instalações foram reutilizadas para albergar o curso de Estudos do Cristianismo do Instituto Inter-Universitário de Macau, que ensina, entre outras coisas, teologia.

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Durante mais de dois séculos, o Seminário de S. José formou sucessivas gerações de pessoas que se destacaram em Macau e no mundo, nomeadamente Pedro Nolasco da Silva, Pedro José Lobo, José Silveira Machado, Manuel Teixeira, José Machado Lourenço, D. Jerónimo José da Mata, o cardeal D. José da Costa Nunes, D. Arquimínio Rodrigues da Costa, D. Domingos Lam Ka-tseung, D. José Lai Hung-seng e D. Jaime Garcia Goulart.

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Em contraste com a arquitectura imponente da Igreja de S. José, anexa ao seminário e construído em 1758, o edifício do Seminário é simples, neoclássico e possuiu um claustro. As paredes do edifício são construídas em tijolo cinzento e suportadas por fundações em granito. A organização interior dos compartimentos é de forma tradicional, possuindo dois corredores largos e longos de 80 metros, que dão acesso às várias salas de aula. (Wikipédia)

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Fiéis numa missa realizada na ianex Igreja de São José

Fiéis numa missa realizada na ianex Igreja de São José

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Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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