A ASSOCIAÇÃO DAS TRÊS RUAS
(do livro Curiosidades de Macau Antiga, de autoria de Luís Gonzaga Gomes – editado por Notícias de Macau em 1952)
A mais antiga associação chinesa que se instituiu nesta cidade com fim de promover o bem-fazer é a “Sám Kái Ui” que, na nossa língua, significa — Associação das Três Ruas.
A sede desta associação encontra-se instalada no templozinho do mesmo nome, que fica situado próximo do mercado de S. Domingos. A sua construção é contemporânea ao estabelecimento dos Portugueses nesta colónia e o seu nome derivado do facto dela ter sido fundada pelos moradores das três primeiras ruas de comércio que existiam em Macau, isto é, a dos Ervanários, a das Estalagens e a da Porta de Pedra.
Dizem os chineses que, na recuada dinastia Sông, portanto, lá para os séculos XII ou XIII, estabeleceu-se nesta península, um cárcere, numa caverna que existiu na vertente do cômoro de S. Paulo.
Para evitar a entrada dos criminosos no vilório que então era Macau, foi construída uma porta de ferro na Rua dos Ervanários, onde estavam gravadas em caracteres sínicos, as duas palavras “Ou Mun”, que significam “Porta da Baia”, ou seja Macau,
A existência desta porta só perdura nos nomes chineses de duas ruas paralelamente vizinhas, e que são a “Kuán-Tch’in-Tchêng-Kái” (Rua dos Ervanários) e a “Kuán-Tch’in-Hâu-Kái” (Rua da Nossa Senhora do Amparo), que se podem traduzir por “a exacta rua anterior à barreira” e “a rua posterior à rua anterior à barreira.”
A palavra kuán (barreira, tem sido erradamente interpretada por alguns chineses nativos de Macau que julgam ser esta a porta original da fronteira de Macau.
A entrada da Rua das Estalagens existiu também, provavelmente, com o mesmo fim de impedir a entrada na povoação dos elementos perturbadores da ordem pública desses velhos tempos, uma porta de pedra, talvez de construção posterior, que ficou lembrada no nome por que é conhecida, entre os chineses, uma rua já desaparecida da nossa nomenclatura topográfica, a qual, embora muito mal tratada, ainda existe em parte, tendo ela servido outrora para ligar a Rua dos Ervanários à Travessa dos Algibebes. É a “Seák Tcháp Mun”, isto é, a Rua da Porta de Pedra.
Quando os nossos antepassados para cá vieram estabelecer-se, o local escolhido para mercadejar com os chineses estava situado no terreno limitado, à esquerda, pela Rua Tercena, à direita, pela sede-templo da “Associação das Três Ruas”, tendo pela frente o cômoro de S. Paulo e, pela rectaguarda, o Porto Interior.
Conforme a tradição chinesa, as primeiras tropas aqui estacionadas acamparam próximo da sede da “Associação das Três Ruas” e, por este motivo, a Rua dos Mercadores ainda é designada pelos chineses com o nome de “leng Tei Kái”, que quer dizer Rua do Acampamento.
Ora, estas três ruas formavam o núcleo comercial da cidade incipiente e os negociantes chineses que para cá vieram primitivamente traficar com os Portugueses eram todos oriundos da região confinante de Hèong-Sán hoje Tchông San. É por este motivo que grande parte da actual população nativa de Macau, constituída pelos directos descendentes desses imigrantes, fala com um acentuado sotaque de Hèong-Sán.
Diz também a tradição, ter sido primeiro presidente da “Associação das Três Ruas”, um indivíduo chamado Uóng-Ngán-Sêng, que subscreveu mil patacas para custear a construção da sede-templo, além de ter doado à Associação duas casas que adquirira na Rua das Estalagens com o fim expresso de com as suas rendas poder constituir-se uma receita permanente.
Durante anos e anos esta Associação realizava a sua festa no dia de Confúcio, construindo-se para este efeito grandes barracões na Rua dos Ervanários onde eram efectuadas representações teatrais.
Nesse dia, as lojas dessa rua, que eram constituídas na sua maioria por adelos, ornamentavam as fachadas dos seus estabelecimentos com vistosas lanternas e garridos festões atados em forma de morcegos e de borboletas, símbolos de felicidade.
Com a excepção dos espectáculos realizados a cargo do templo Hóng-Kông, no largo de Matapau, durante a 7a. Lua e que se prolongavam por 5 dias, nenhuma outra festa era realizada por outros templos desta cidade que pudesse rivalizar com a que era levada a efeito pela “Associação das Três Ruas”.
Há alguns anos, porém, que o dia desta Associação deixou de ser celebrado durante a festividade de Confúcio.
As últimas direcções da Associação, no intuito de acompanharem o progresso e as reformas políticas e religiosas decretadas pelo governo do seu país, resolveram fazer coincidir este dia com o do “Duplo Dez”, isto é, o do aniversário da implantação da República Chinesa.
Em consequência deste mesmo motivo as festas da “Associação das Três Ruas” deixaram de ser realizadas com a mesma animacão e brilhantismo das passadas épocas.
“A sede desta associação encontra-se instalada no templozinho do mesmo nome, que fica situado próximo do mercado de S. Domingos.”
“A existência desta porta só perdura nos nomes chineses de duas ruas paralelamente vizinhas, e que são a “Kuán-Tch’m-Tchéng–Kái” (Rua dos Ervanários – à esquerda da foto) e a “Kuán-Tch’in-Hâu-Kái” (Rua da Nossa Senhora do Amparo-à direita da foto), que se podem traduzir por “a exacta rua anterior à barreira” e “a rua posterior à rua anterior à barreira.”
“A sua construção é contemporânea ao estabelecimento dos Portugueses nesta colónia e o seu nome derivado do facto dela ter sido fundada pelos moradores das três primeiras ruas de comércio que existiam em Macau, isto é, a dos Ervanários, a das Estalagens e a da Porta de Pedra.”
“Conforme a tradição chinesa, as primeiras tropas aqui estacionadas acamparam próximo da sede da “Associação das Três Ruas” e, por este motivo, a Rua dos Mercadores ainda é designada pelos chineses com o nome de “leng Tei Kái”, que quer dizer Rua do Acampamento.”
Rogério P D Luz, amante de fotografia, residente em São Paulo, Brasil. Natural de Macau (ex-território português na China) e autor do site Projecto Memória Macaense e o site Imagens DaLuz/Velocidade.
Memória - Bandeira do Leal Senado - para nunca ser esquecida -CIDADE DO SANTO NOME DE DEUS DE MACAU, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL- Esta é a antiga bandeira da cidade de Macau do tempo dos portugueses, e que foi substituída após a devolução para a China em Dezembro de 1999
O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau (ex-território português na China por cerca de 440 anos e devolvida em 20/12/1999) sua história e sua gente.
Macaense – genericamente, a gente de Macau, nativa ou oriunda dos falantes da língua portuguesa, ou de outras origens, vivências e formação que assim se consideram e classificados como tal.
*Autoria de Rogério P.D. Luz,, macaense natural de Macau e residente no Brasil há mais de 40 anos.
Escrita: língua portuguesa mista do Brasil e de Portugal conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.
cartaz de Ung Vai Meng
O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.
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