Cronicas Macaenses

Blog-magazine de Rogério P. D. Luz, de cara nova

Novo vídeo do Dóci Papiaçám anuncia seu espetáculo em Maio 2014

(Atualização 18/03/2014)

Se há jovens a querer falar patuá, é muito bom” um recado curto e grosso dado por um jovem falante de patuá a um “velho rabugento“, no novo vídeo do grupo Dóci Papiaçám di Macau com o tíulo “Dóci Culpa” com legendas em português, inglês e chinês. é um dos seus vários destaques.

O vídeo além de servir para fazer propaganda das suas peças teatrais, no momento em que se anuncia para o o dia 16 de Março, o início de venda de ingressos para o novo espetáculo do grupo teatral que irá se realizar em 10 e 11 de Maio no Centro Cultural de Macau, também manda alguns recados pela falta de apoio às suas iniciativas e também ao Museu Macaense que a Santa Casa de Misericórdia pretende construir, mas que não saiu do papel e das boas intenções.

Esta nova peça denominada “VIVO NA ÚNDE ?” (VIVO NA ÚNDE? – CASA DE SONHO? – DREAM HOUSE?) quer discutir e porque não, satirizar o problema habitacional que Macau enfrenta, com falta de moradias e o preço absurdamente alto que inviabiliza a compra da casa própria. Um sério problema desta terra de pequenas dimensões mas que não para de crescer, assim por dizer,  inclusive a população que tem projeção para alcançar perto de um milhão de habitantes daqui a anos para uma área, hoje, de cerca de 29 km2. Em 2013 a população estava estimada em 592 mil com uma densidade demográfica de 18.811 hab./km2.

Explica bem o vídeo a posição do Macaense no cenário de composição da população de Macau.  É uma gente que tem característica própria que o distingue de outros.  Esta é interpretação que se dá nos vídeos em patuá do Dóci Papiaçám. Sete indivíduos “macaenses” a falar o patuá, que chamam atenção de duas jornalistas portuguesas com sotaque, que querem gravar a fala deste peculiar dialeto de uma gente de Macau, bem como de dois apresentadores chineses de televisão (Kai Kai – Fong Fong), que da mesma forma, querem fazer uma reportagem desta estranha língua.  Ao tentarem imitá-los, acabam provocando irritação dos personagens peculiares de Macau com a expressão “chupá ôvo” que no Brasil tem significação similar ao v. s. f…., porém sem que seja um palavrão, é publicável e inofensivo, ou ainda, menos agressivo “vai te catar” ou coisa assim.  As portuguesas diziam “chupar ovo” em bom português, e os chineses com dificuldades para pronunciar a língua portuguesa “chupa oufu“. Tomaram uma bronca e saíram correndo, pois se é patuá que se pronuncie tal como é . 

O recado do jovem, em poucas palavras, valoriza o esforço da nova geração que se propõe a aprender o patuá. Para isso, basta oferecer-lhes oportunidades, pois como diz – já é bom se há quem se interessa a falá-lo – algo difícil nos dias de hoje.  Julgo que este recado pode até ser mais abrangente para outras atividades e iniciativas.

Comentário do produtor no Facebook sobre o vídeo: “ensaio de voo sem budget (orçamento-verba)” dá uma ideia que o excelente vídeo de 11 minutos feito num único ambiente, uma viela tranquila de Macau e que consegue prender atenção até o fim, foi produzido com recursos próprios sem qualquer apoio.  Um velho drama que se ouve falar do Dóci Papiaçám há tempos. Há quem sugira obter apoio dos EUA, ou de outro brasileiro de uma associação brasileira ligada à lusofonia, que até se mostrou simpática à causa, dão uma dimensão desta falta de apoio ao patuá, enquanto que é candidata ao título de Patrimônio Cultural Imaterial (ou Intangível) tanto da China como pela UNESCO na forma de “teatro em patuá”.

Outro comentário do Sérgio Perez, um cineasta macaense de nível internacional e produtor dos vídeos do grupo teatral, diz que se houvesse patrocínio, o tão sonhado filme de longa metragem em patuá sairia do papel, e cita o nome da possível produção: “Super herói”.

No vídeo, o Dóci Papiaçám satiriza a si próprio e relembra que o teatro em patuá nos tempos do mestre do dialeto “Adé” José dos Santos Ferreira, até o governador (do tempo dos portugueses) ia assistir as récitas. Aqueles que não viram o video-clip musical de “Macau Sã Assi” talvez não entenderão a parte em que um rapaz dá um acorde no violão e é repreendido por um dos personagens.  Por isso, publico também esse vídeo-clip, o que explica este cômico trecho.

Parabéns a todos envolvidos nesta excelente produção, aliás mais uma de criatividade incrível, e é bom ver novos atores fazendo um bom trabalho, o que confirma: “todo bom macaense é um bom ator, e Hollywood não sabia disso“, mas o Macauwood bem sabe disso.  Reafirma que o patuá, necessariamente, é ligada a comédia para ter chiste, e os produtores bem sabem fazer isto:

DÓCI CULPA – A doce culpa do Dóci Papiaçám di Macau.

Realização/ Diretor: Sérgio Perez

Argumento/ Screenplay: Miguel Senna Fernandes

Com: Hugo “Falamau” Silva Jr; José “Zito Chai” da Silva; Alfredo Ritchie; Sónia Palmer, Rita Cabral, Judith Antunes; Vera Amorim; Ana Rita Amorim; Lurdes Costa; Vincent Cheang; Sammie Tam; Lula Luis O.

Imagens capturadas do vídeo Dóci Culpa de todos os personagens

A filmagem foi feita numa viela tranquila de Macau

A filmagem foi feita numa viela tranquila de Macau

O rapaz do violão que queria tocar Macau Sã Assi, repetindo o vídeo-clip musical de mesmo nome, mas foi repreendido e fugiu do local

O rapaz do violão que dá um acorde para cantar Macau Sã Assi, repetindo o vídeo-clip musical de mesmo nome, mas foi repreendido e fugiu do local

As três senhoras que só reclamam das coisas

As três senhoras que só reclamam das coisas

O recado do jovem aos "velhos rabugentos"

O recado do jovem aos “velhos rabugentos”

As portuguesas falam da base portuguesa do patuá de Macau

As portuguesas falam da base portuguesa do patuá de Macau

Os apresentadores de televisão chineses que não sabem pronunciar "chupá ôvo".

Os apresentadores de televisão chineses que não sabem pronunciar “chupá ôvo”.

O Miguel de Senna Fernandes apareceu rapidamente no vídeo e ainda por azar serviu "café entornado no pires" que foi repreendido por uma das senhoras rabugentas.

O Miguel de Senna Fernandes apareceu rapidamente no vídeo e ainda por azar serviu “café entornado no pires“. Foi repreendido por uma das senhoras rabugentas

MACAU SÃ ASSI – video-clip musical do Dóci Papiaçám

veja o vídeo e entenda o acorde de violão que foi repreendido

Notas:

Doci Papiaçam chupa ovo camisetas

Foto publicada no grupo Dóci Papiaçám no Facebook

a) No grupo do Dóci Papiaçám no Facebook há uma comunicação de venda das camisetas (no Brasil e t-shirts em Macau) com a estampa “Chupá Ôvo” e “Filo di Quim”.  A explicação sobre a primeira está acima, e da segunda significa “Filho de Quem”. Sérgio Perez na postagem no Facebook esclarece: “Filo di Quim é mais utilizado para se saber as origens de alguém desconhecido mas que seja da comunidade. Como todos se “conhecem” dentro da comunidade, esta pergunta serve para fazer o background check e ficha completa do indivíduo“. Por outro lado, a Sónia Palmer diz que “as pessoas mais idosas quando encontram um jovem que não reconhecem, perguntam:  filo di quim”. O preço é de MOP  80,00 (US$ 10,00) e pode ser adquirida na sede da ADM-Associação dos Macaenses, em Macau, a partir das 17 horas.

b) Outra mensagem publicada por Sérgio Perez faz a seguinte convocação: “Dóci Papiaçám Filming 2014. Procuramos voluntários para nos ajudarem na produção dos vídeos/curtas para o espetáculo de festival de artes de Macau deste ano. Se não teme o stress, trabalho duro e enfrentar imprevistos durante o próximo mês e poucas semanas, e pretender fazer parte de uma experiência enriquecedora e que, achamos, meritória e com resultados visíveis, isto é para si! Se interessados, favor mandarem uma mensagem privada para mim, Sérgio Perez, ou para Miguel S Fernandes”.

c) A Sónia Palmer avisa no Facebook que os vídeos de todas as récitas do Dóci Papiaçám estão disponíveis para venda em Macau, na Associação dos Macaenses-ADM e no Restaurante Riquexó cuja especialidade é a comida macaense.

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Autoria do blog-magazine

Rogério P. D. Luz, macaense-português de Macau, ex-território português na China, radicado no Brasil por mais de 40 anos. Autor dos sites Projecto Memória Macaense e ImagensDaLuz.

Sobre

O tema do blog é genérico e fala do Brasil, São Paulo, o mundo, e Macau - ex-colônia portuguesa no Sul da China por cerca de 440 anos e devolvida para a China em 20/12/1999, sua história e sua gente.
Escrita: língua portuguesa escrita/falada no Brasil, mas também mistura e publica o português escrito/falado em Portugal, conforme a postagem, e nem sempre de acordo com a nova ortografia, desculpando-se pelos erros gramaticais.

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